Capítulo 3
temia todas as referências em torno da morte… e busquei simplesmente gozar a fortuna que era bem minha… O infeliz entregou-se a larga pausa de repouso, diante de nossa expectativa, continuando, logo após: — Ai de mim, porém!… Tão logo cerrei os olhos físicos… diante do sepulcro… não me valeram as preces pagas… porque meus irmãos que eu supunha mortos… se fizeram visíveis à minha frente… Transformados em vingadores, ladearam-me o túmulo… Atiraram-me o crime em rosto… cobriram-me de impropérios e flagelaram-me sem compaixão… até que… talvez… cansados de me espancarem… conduziram-me a tenebrosa furna… onde fui reduzido ao pesadelo em que me encontro… Em meu pensamento… vejo apenas o barco no crepúsculo sinistro… ouvindo os brados de minhas vítimas… que soluçam e gargalham estranhamente… Ai de mim!… estou preso à terrível embarcação… sem que me possa desvencilhar… Quem me fará dormir ou morrer?… Como se o término da confissão lhe trouxesse algum descanso, arrojou-se o doente a enorme apatia. Druso enxugou-lhe o pranto, dirigiu-lhe palavras de consolo e carinho e recomendou ao Assistente recolhê-lo à enfermaria especializada e, em seguida, falou-nos, pensativo: — Já sabemos o necessário para estabelecer um ponto de partida na tarefa assistencial. Tornaremos ao caso em momento oportuno. E acrescentou, cismativo, depois de longa pausa: — Que Jesus nos ampare. Não nos foi possível, contudo, aditar observações, porque um mensageiro vinha comunicar ao Instrutor que uma caravana de recém-desencarnados estava prestes a chegar e acompanhamo-lo ao serviço que ele nomeou como sendo “tarefa de inspeção”.
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Nome do Capítulo A intervenção na memória