Sua confiança em suas próprias forças não vai até a presunção de se julgar infalível e, ainda menos, universal; sabe que outros podem tanto ou mais que ele; sua fé é mais em Deus do que em si mesmo, pois sabe que tudo pode por ele, e nada sem ele. Eis por que nada promete, a não ser sob a reserva da permissão de Deus.
À influência material, junta a influência moral, auxiliar poderoso que dobra sua força. Por sua palavra benevolente, encoraja, levanta o moral, faz nascer a esperança e a confiança em Deus. Já é uma parte da cura, porque é uma consolação que predispõe a receber o eflúvio benéfico ou, melhor dizendo, o pensamento benevolente que é, por si só, um eflúvio salutar. Sem a influência moral, o médium só tem em si a ação fluídica, material e, de certo modo, brutal, insuficiente em muitos casos.
Enfim, para aqueles que possuem as qualidades do coração, o doente é atraído por uma simpatia que predispõe à assimilação dos fluidos, enquanto o orgulho e a falta de benevolência chocam e fazem experimentar um sentimento de repulsa, que paralisa essa assimilação.
Tal é o médium curador estimado pelos Espíritos bons.
Tal é, também, a medida que pode servir para julgar o valor intrínseco dos que se revelarem e a extensão dos serviços que poderão prestar à causa do Espiritismo. Isto não significa que não se encontrem médiuns senão nestas condições, e que aquele que não reunisse todas as qualidades não possa momentaneamente prestar serviços parciais, sendo, pois, um erro o repelir. O mal é para ele, porque, quanto mais se afasta do modelo, menos pode esperar ver sua faculdade desenvolver-se e mais perto se acha de seu declínio. Os Espíritos bons só se ligam aos que se mostram dignos de sua proteção, e a queda do orgulhoso, mais cedo ou mais tarde, é a sua punição. O desinteresse é incompleto sem o desinteresse moral.