É, pois, erroneamente que em geral se crê, no mundo, que para ser inspirado é preciso ser magnetizado. Ainda uma vez, o magnetismo não dá a inspiração; faz circular o fluido e nos põe em equilíbrio, eis tudo. Ademais, é incontestável que desenvolve o poder de concentração.
Os sonâmbulos mais impressionantes, os que espalham luzes novas ao seu redor, são, ao mesmo tempo, inspirados; contudo, não se deve crer que o sejam igualmente em todas as horas.
3o – Os sonâmbulos geralmente são mais fluídicos do que inspirados. Concebe-se, então, a oportunidade da ação magnética. O toque, quer do magnetizador, quer de uma coisa que lhe pertenceu, pode dar-lhe esse poder de concentração provocada e previamente aumentada pelos passes magnéticos. Junto à predisposição sonambúlica, o magnetismo desenvolve a segunda vista e produz resultados extraordinários, sobretudo do ponto de vista das consultas médicas.
O sonâmbulo está de tal modo concentrado pelo desejo de curar a pessoa cujo fluido está em relação com o seu, que lê no seu ser interior.
Se alia a esta disposição a de ser inspirado, coisa extremamente rara, é então que se torna completa. Vê o mal; indicam-lhe o remédio!
Os Espíritos que vêm impregnar o inspirado não são seres sobrenaturais. Viveram em nosso mundo; vivem num outro, eis tudo. Pouco importa a forma física que revestem; sua alma, seu sopro é idêntico ao nosso, porque a lei que rege o Universo é una e imutável.
Sendo o fluido o princípio da vida, a animação, e tendo a nossa alma, graças a fluidos diferentes, atrações e, por conseguinte, destinos múltiplos e diversos; se, pela ação magnética, se desvia de sua espontaneidade o poder de concentração sobre o pensamento que nos deve ser transmitido, o Espírito não pode exercer mais sua ação, conservar sobre nós sua mesma força, sua vontade intacta para nos fazer escrever ou ler em alta voz, para o mundo que necessita, aquilo que veio trazer-nos.
Também os médicos que dirigem os sonâmbulos devem evitar, tanto quanto possível, magnetizá-los, sob pena de substituírem a verdadeira inspiração por uma simples transmissão de seu próprio pensamento.
Os sonâmbulos, tanto quanto os inspirados ou os fluídicos, não podem agir sobre todos os seus irmãos encarnados.
Cada um não tem poder senão sobre um pequeno número. Mas todos, em suma, aí encontrarão sua parte, quando não mais se tiver horror a essas forças generosas que se desprendem de nós em graus mais ou menos intensos.
Para os sonâmbulos fluídicos, o emprego do magnetismo é útil por exercer sobre eles sua influência de concentração. Apenas há nesse estado, ainda mais do que em qualquer outro, uma força de atração ou de repulsão, contra a qual jamais se deve lutar.
Os mais ricamente dotados são acessíveis a antipatias muito extremas para que as possam abafar. Experimentam-nas, assim como as inspiram. Suas prescrições, nesses casos, raramente são boas. Mas, ordinariamente dotados de uma grande força moral, ao mesmo tempo que de excessiva benevolência, adquirem grande poder de moderação sobre si mesmos, e, se nem sempre lhes é permitido fazer o bem, pelo menos jamais farão o mal.
Eugène Bonnemère