A inteligência está longe de constituir um sinal seguro de superioridade, porque a inteligência e a moral nem sempre andam juntas. Um Espírito pode ser bom, afável, e ter conhecimentos limitados, ao passo que outro, inteligente e instruído, pode ser muito inferior em moralidade.
É crença bastante generalizada que, interrogando-se o Espírito de um homem que foi sábio em certa especialidade na Terra, dele se obterá a verdade com mais segurança. Isto é lógico; entretanto, nem sempre é o que acontece. A experiência demonstra que os sábios, tanto quanto os demais homens, principalmente os desencarnados de pouco tempo, ainda se acham sob o domínio dos preconceitos da vida corpórea, não se livrando imediatamente do espírito de sistema. Pode, pois, acontecer que, sob a influência das ideias que acalentaram em vida e das quais fizeram para si um título de glória, vejam com menos clareza do que imaginamos. Não apresentamos este princípio como regra; longe disso. Dizemos apenas que o fato se dá e que, por conseguinte, a ciência humana que eles possuem nem sempre constitui uma prova da sua infalibilidade como Espíritos.