uma lei; sai do próprio homem e de seus antecedentes. Refleti que os antecedentes são todo o homem. O criminoso o é por seus antecedentes; o homem de mérito, o homem de gênio é superior pela mesma causa. Nem tudo é velado na encarnação a ponto de nada transparecer de nosso ser anterior. A inteligência e a bondade são luzes muito vivas, focos muito ardentes para que a vida terrena os reduza à obscuridade.
As provas a sofrer bem podem velar, atenuar algumas de nossas faculdades, adormecê-las, mas se tiverem chegado a um alto grau, o Espírito não pode perder inteiramente a sua posse e exercício; tem em si a segurança de que os mantém sempre à sua disposição; muitas vezes mesmo não pode consentir em delas se privar. Eis o que causa as vidas tão dolorosas de certos homens adiantados, que preferiam sofrer por suas altas faculdades a deixar que estas se apagassem por algum tempo.
Sim, todos nós somos pela esperança, e alguns pela lembrança, cidadãos dessas altas esferas celestes, onde o pensamento irradia puro e poderoso. Sim, todos seremos Platões, Aristóteles, Erasmos; nosso Espírito não verá mais empalidecer suas aquisições sob o peso da vida do corpo, ou extinguir-se sob o peso da velhice e das enfermidades.
Amigos, eis verdadeiramente a mais sublime esperança.
Que são junto de tudo isto as dignidades e os tesouros que se punham aos pés destes homens! Os soberanos mendigavam suas obras, disputavam a sua presença. – Credes que essas vãs honrarias os lisonjeavam? Não; a lembrança de sua gloriosa pátria era muito viva. Eles voltaram felizes sobre o raio de sua glória, aos mundos que seus Espíritos desejavam incessantemente.
Terra! Terra! região fria, obscura, agitada; terra cega, ingrata e rebelde! não lhes podias fazer esquecer a pátria celeste onde viveram, onde voltariam a viver.
Adeus, amigos! ficai certos de que todo homem de bem se tornará cidadão desses mundos felizes, dessas Jerusaléns esplêndidas, onde o Espírito vive livre num corpo etéreo, possuindo sem nuvens e sem véus todas as suas conquistas. Então, conhecereis tudo quanto aspirais conhecer, compreendereis tudo quanto procurais compreender, mesmo o meu nome, caro médium, que não te quero dizer.
Um Espírito Allan Kardec