Os efeitos físicos são os fenômenos materiais e ostensivos, tais como os movimentos, os ruídos, os transportes de objetos, etc. As comunicações inteligentes consistem na troca regular de pensamentos com a ajuda de sinais, da palavra e, principalmente, da escrita.
35. As comunicações que se recebem dos espíritos podem ser boas ou más, legítimas ou falsas, profundas ou levianas, de acordo com a natureza dos espíritos que se manifestam. Aqueles que mostram ter sabedoria e muitos conhecimentos são espíritos avançados que progrediram; aqueles que dão provas de ignorância e de más qualidades são espíritos ainda atrasados, nos quais o progresso, com o tempo, há de se fazer.
Os espíritos só podem responder sobre o que sabem, segundo seu adiantamento, e ainda sobre o que lhes é permitido falar, visto que há coisas que eles não devem revelar, porque ainda não foi dado aos homens tudo conhecerem.
36. Da diversidade nas qualidades e nas aptidões dos espíritos, resulta que não basta nos dirigirmos a um espírito qualquer para obter uma resposta correta para todas as questões, porque, sobre muitos assuntos, ele só pode dar a sua opinião pessoal, que será legítima ou mentirosa. Se é sensato, confessará sua ignorância sobre o que não sabe; se é leviano ou mentiroso, responderá sobre tudo sem se importar com a verdade; se é orgulhoso, dará a sua idéia como uma verdade absoluta. É por isso que João Evangelista disse: “Não acrediteis em todos os espíritos, mas verificai se os espíritos são de Deus.” A experiência prova a sabedoria desse conselho, haveria, pois, imprudência e leviandade em aceitar sem controle tudo o que vem dos espíritos. Eis por que é essencial que se esteja informado sobre a natureza daqueles com os quais se tem relação. (O Livro dos Médiuns, item 267).
37. Reconhece-se a qualidade dos espíritos pela sua linguagem. A dos espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradição; demonstra sabedoria, benevolência, modéstia e a moral mais pura; é concisa e sem palavras inúteis. Entre os espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância das palavras.
Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim todo sinal de malevolência, de presunção ou de arrogância são indícios incontestáveis de inferioridade nos espíritos.
38. Os espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes, seu horizonte moral é limitado, sua perspicácia é restrita. Eles têm uma idéia muitas vezes falsa e incompleta das coisas e, além disso, ainda estão sob o domínio dos preconceitos terrestres que tomam, algumas vezes, como verdades, é por isso que são incapazes de resolver certas questões. Eles podem nos induzir ao erro, voluntária ou involuntariamente, sobre assuntos que eles mesmos não compreendem.
39. Os espíritos inferiores não são, todos eles, essencialmente maus por isso; há alguns que são ignorantes e levianos; outros são pilhéricos, espirituosos e divertidos e sabem manejar a zombaria fina e mordaz. Ao lado disso, encontram-se no mundo dos espíritos, como na Terra, todos os gêneros de perversidade e todos os graus de superioridade intelectual e moral.
40. Os espíritos superiores só se ocupam de comunicações inteligentes tendo em vista a nossa instrução. As manifestações físicas ou puramente materiais estão mais especialmente nas atribuições dos espíritos inferiores, vulgarmente designados pelo nome de espíritos batedores, como, entre nós, as ações que exigem força ou habilidade são realizadas por saltimbancos e não pelos sábios.
41. As comunicações com os espíritos devem ser feitas sempre com calma e recolhimento; não se pode jamais perder de vista que os espíritos são as almas dos homens e que seria inconveniente fazer dessas comunicações um passatempo ou um motivo de zombaria. Se devemos respeito aos despojos mortais, devemos muito mais ainda aos espíritos. Portanto, as reuniões frívolas e levianas faltam a um dever, e aqueles que fazem parte delas deveriam pensar que, de um momento para o outro, podem entrar no mundo dos espíritos e que estes não veriam com prazer alguém tratá-los com tão pouca deferência.
42. Um outro ponto igualmente essencial a considerar é que os espíritos são livres, comunicam-se quando querem, com quem lhes convém, e também quando podem, visto que têm as suas ocupações. Eles não estão às ordens nem ao capricho de quem quer que seja, e ninguém tem o poder de fazê-los vir contra a vontade deles nem de obrigá-los a dizer o que querem calar, portanto pessoa alguma pode afirmar que um espírito qualquer atenderá ao seu apelo em um momento determinado, ou responderá a esta ou aquela questão. Dizer o contrário é provar a ignorância absoluta dos princípios mais elementares do Espiritismo. Só o charlatanismo tem princípios infalíveis.
43. Os espíritos são atraídos pela simpatia, pela semelhança de gostos e de caráter e pela intenção que faz desejar a sua presença. Os espíritos superiores não vão a reuniões fúteis, da mesma forma que um sábio da Terra não iria a uma assembléia de jovens levianos. O simples bom senso diz que não pode ser diferente, se eles, por vezes, comparecem a uma dessas reuniões é para dar um conselho salutar, combater os vícios, procurar reconduzir ao bom caminho, se não são ouvidos, retiram-se.
Seria uma idéia completamente falsa, acreditar que os espíritos sérios possam sentir algum prazer em responder a futilidades, a questões ociosas que não provam acatamento nem respeito por eles, nem o desejo real de se instruir, ainda menos acreditar que eles possam vir participar de espetáculo para o divertimento de curiosos. Eles não o fariam quando vivos e não podem fazê-lo após a morte.
44. A frivolidade das reuniões tem como conseqüência atrair os espíritos levia-nos que só procuram ocasiões para enganar e mistificar. Pela mesma razão que os homens graves e sérios não vão a reuniões levianas, os espíritos sérios só vão a reuniões sérias cuja finalidade é a instrução e não a curiosidade, é em reuniões des-se gênero que os espíritos superiores se regozijam em dar os seus ensinamentos.
45. Do que acabamos de falar, resulta que toda reunião espírita, para ser proveitosa, deve, como primeira condição, ser séria e reservada; nela tudo deve acontecer respeitosamente, religiosamente, e com dignidade, se desejamos obter a participação habitual dos bons espíritos. É preciso não esquecer que se esses mesmos espíritos ali tivessem se apresentado quando estavam encarnados, ter-se-ia com eles a atenção e o respeito aos quais eles têm ainda mais direito após a sua morte.
46. Alega-se, inutilmente, a utilidade de certas experiências curiosas, frívolas e divertidas para convencer os incrédulos, porquanto chega-se a um resultado totalmente oposto. O incrédulo, que já é inclinado a zombar das crenças mais sagradas, não pode ver um assunto sério na quilo de que se faz uma brincadeira; ele não pode ser levado a respeitar o que não lhe é apresentado de uma maneira respeitável; assim, das reuniões fúteis e levianas, daquelas onde não há nem ordem, nem gravidade, nem recolhimento, ele sempre leva uma impressão má.
O que pode convencê-lo mais facilmente é a prova da presença de seres cuja memória lhe é querida, é diante de suas palavras, graves e solenes, diante das revelações íntimas, que o vemos emocionar-se e empalidecer. Porém, justamente pelo fato de ter mais respeito, veneração e amor pela pessoa cuja alma se apresenta a ele, sente-se chocado, escandalizado ao vê-la chegar em uma assembléia irreverente, em meio a mesas que dançam e pantomimas de espíritos levianos. Como todo o incrédulo, sua consciência não aceita essa aliança do sério com o frívolo, do religioso com o profano, e, por essa razão, classifica tudo de charlatanismo e sai muito menos convencido do que quando entrou.
As reuniões dessa natureza sempre fazem mais mal do que bem, porque o número de pessoas que elas afastam da Doutrina é maior que o que atraem, sem contar que se deixam atacar pela crítica dos detratores que nelas encontram fundados motivos de zombaria.
47. É um erro se considerarem as manifestações físicas como um passatempo; se elas não têm a importância do ensino filosófico, têm a sua utilidade sob o ponto de vista dos fenômenos, já que são o alfabeto da ciência, da qual deram a chave. Se bem que menos necessárias hoje em dia, as manifestações físicas ainda ajudam na persuasão de certas pessoas e não excluem, de maneira alguma, a ordem e a correção de comportamento nas reuniões em que se realizam. Se elas sempre fossem praticadas de um modo conveniente, convenceriam mais facilmente e produziriam, sob todos os aspectos, melhores resultados.
48. Algumas pessoas fazem uma idéia muito falsa das evocações; há as que acreditam que elas consistem em fazer aparecer os mortos com todo o aparato lúgubre do túmulo. O pouco que nós temos falado a esse respeito deve desfazer esse erro. É apenas nos romances, nos contos fantásticos de fantasmas e no teatro que se vêem os mortos descarnados saírem de seus sepulcros, ridiculamente vestidos com suas mortalhas, fazendo bater seus ossos.
O Espiritismo, que nunca fez milagres, não realizou esse, e jamais fez reviver um corpo morto. Quando um corpo está no túmulo, ali está definitivamente, mas o ser espiritual, fluídico, inteligente, não foi posto ali com o seu envoltório grosseiro, separou-se dele no momento da morte, e, uma vez concretizada a separação, esse ser espiritual não tem mais nada em comum com o corpo carnal.