O conhecimento do inferno pagão nos é fornecido quase exclusivamente pela narrativa dos poetas. Homero²⁰ e Virgílio²¹ deram dele a mais completa descrição, devendo-se, contudo, levar em conta as necessidades poéticas impostas à forma. A descrição de Fénelon,²² no seu livro As aventuras de Telêmaco, embora colhida na mesma fonte quanto às crenças fundamentais, tem a simplicidade mais concisa da prosa. Descrevendo o aspecto lúgubre dos lugares, preocupa-se principalmente em realçar o gênero de sofrimento dos culpados, estendendo-se bastante sobre a sorte dos maus reis, com vistas à instrução do seu régio discípulo. Por mais popular que seja esta obra, nem todos guardam essa descrição na memória, ou não meditaram sobre ela de modo a estabelecer comparação. Por isso, julgamos por bem reproduzir as partes que mais diretamente interessam ao nosso assunto, isto é, as que se referem mais especialmente às penas individuais.