Já reparastes nessas grutas guarnecidas de estalactites e de alvíssimos cristais e nas galerias subterrâneas das minas de diamantes? Todas as suas riquezas se acham imersas na sombra. Nada revela o esplendor que ali se oculta. Penetre, porém, a luz no seu interior, tudo imediatamente se ilumina; cintilam os cristais e o precioso mineral; as abóbadas, as paredes, tudo, em chispas deslumbrantes, resplandece.
Essa luz é a que o novo espiritualismo traz às igrejas. Sob os seus raios, todas as riquezas ocultas do Evangelho, todas as gemas da doutrina secreta do cristianismo, sepultadas sob a densidade do dogma, todas as verdades veladas saem da noite dos séculos e reaparecem com todo o esplendor. Eis o que a nova revelação vem oferecer às religiões. É um socorro do céu, uma ressurreição das coisas mortas e esquecidas, que elas encerram em seu seio. É uma nova floração do pensamento do Mestre, aformoseada, enriquecida, restituída à plena luz pelos cuidados dos Espíritos celestes.
Compreendê-lo-ão as igrejas? Sentirão elas o poder da verdade que se manifesta e a grandeza do papel que lhes cumpre desempenhar, ainda, se o souberem reconhecer e assimilar? Não o sabemos. Mas o que é certo é que em vão tentariam combatê-la, embaraçar-lhe a marcha ou lhe detendo o surto: “Nisso está à vontade de Deus – dizem as vozes do espaço! – os que contra ela se levantarem serão despedaçados e dispersos. Nenhuma força humana, nenhum dogma, nenhuma perseguição seria capaz de impedir a nova doação, complemento necessário do ensino do Cristo, por ele anunciada e dirigida.”
Dito foi: “Quando chegarem os tempos, eu derramarei o meu espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão; os mancebos terão visões e os velhos sonharão sonhos.”
É chegada essa época. A evolução física e o desenvolvimento intelectual da Humanidade fornecem aos Espíritos superiores bem destros instrumentos, organismos bem aperfeiçoados para lhes permitirem que manifestem sua presença e espalhem suas instruções. Tal o sentido dessas palavras.
As potências do espaço estão em atividade, por toda parte sua ação se faz sentir. Mas, perguntar-nos-ão, quais são essas potências?
Membros e representantes das igrejas do mundo, ouvi e gravai em vossa memória:
Lá, muito acima da Terra, nos campos vastíssimos do espaço vive, pensa, trabalha uma Igreja invisível, que vela pela Humanidade.
Ela se compõe dos apóstolos, dos discípulos do Cristo e de todos os gênios dos tempos cristãos. Perto deles encontrareis também os elevados Espíritos de todas as raças que viveram neste mundo em conformidade com a lei de amor e caridade.
Porque os julgamentos do céu não são os julgamentos da Terra. Nos etéreos espaços não se pedem contas às almas dos homens, nem de sua raça, nem de sua religião, mas de suas obras e do bem que praticaram.
E a Igreja universal; não é restrita como as igrejas convencionais da Terra; abrange os Espíritos de todos os que sofreram pela verdade.
São as suas decisões, inspiradas por Deus, que regem o mundo; é a sua vontade que subleva, nos momentos escolhidos, as grandes vagas da idéia e impele a Humanidade para o abrigado porto, através dos temporais e dos escolhos. É ela que dirige a marcha do moderno espiritualismo e patrocina o seu desenvolvimento. Por ela combatem os Espíritos que a constituem: uns, do seio dos espaços, influindo sobre os seus defensores – porque não há distâncias para o Espírito, cujo pensamento vibra através do infinito; – outros, baixando à Terra, onde, às vezes revestidos, eles próprios, de um corpo de carne, renascem entre os homens para desempenhar ainda o papel de missionários divinos.
Deus guarda em reserva outras forças ocultas, outras almas de escol para a hora da renovação. Essa hora será anunciada por grandes crises e sucessos dolorosos. É necessário que as sociedades sofram; é preciso que o homem seja ferido para cair em si, para sentir o pouco que é e abrir o coração às influências do Alto. A Terra há de presenciar dias tenebrosos, dias de luto; tempestades se hão de desencadear. Para que germine o grão, são necessárias as nevadas e a triste incubação do Inverno. Violentos sopros virão dissipar as névoas da ignorância e os miasmas da corrupção.
Mas passarão as tempestades; o céu reaparecerá em sua limpidez. A obra divina se expandirá em um novo surto. A fé renascerá nas almas e novamente irradiará, mais fulgurante, sobre o mundo regenerado, o pensamento de Jesus.