XV
Podemos tomar, como exemplo, a excelente mediunidade do nosso Chico Xavier, para citar apenas um dos mais conhecidos no Brasil. Por muito culto e sábio que seja o espírito que conhecemos encarnado como Francisco Cândido Xavier, seria impraticável para ele produzir tão vasta e poliforme obra literária, a começar pela insuperável dificuldade da poesia, típica de tantos autores, nitidamente caracterizados e diferenciados, como Augusto dos Anjos e Gonçalves Dias, por exemplo. Por outro lado, como lembra o dr. Fodor, o exausto 'argumento' da banalidade das comunicações psicográficas deve ser abandonado, por imprestável. "É uma atitude totalmente injustificável" - escreve ele. "Não há razão que exclua a participação do além", acrescenta mais adiante. Para documentar-se nesse sentido, oferece alguns exemplos convincentes, dos quais podemos selecionar alguns. Lombroso declara-se favoravelmente impressionado por algumas estrofes que Dante- espírito escrevera através de um médium por nome Scaramuzza. Eram, ao todo, três cânticos em terza rima. Harriet B. Stower confessa honestamente não ser ela a autora do famoso romance A cabana do Pai Tomás. Atônito ante o poema intitulado Jerusalém, Blake escreveu entusiasmado "É o mais grandiloqüente poema do mundo. Posso elogiá-lo, de vez que não pretender ter sido mais do que um secretário. Os autores encontram-se na eternidade." Pouco adiante, acrescenta que escrevia vinte ou trinta linhas de cada vez, "sem premeditação e até mesmo contra a minha vontade". Muitos outros livros, do melhor nível intelectual, foram assim produzidos ao longo do tempo. Dentre os vários, que cita nominalmente, o dr. Fodor destaca Arcana of Nature, "um profundo livro científico, com o qual somente os escritos de Andrew Jackson Davies são comparáveis em plenitude e objetivo". É de autoria de Hudson Turtle. Lembra, ainda, o caso de The mystery of Edwin Drood, romance que Charles Dickens concluiu, depois de desencarnado através da mediunidade de um obscuro mecânico americano. Cita, ainda, Oashpe, publicado em 1882, e que caracteriza como uma "nova Bíblia cósmica", recebida, por psicografia (automatic writing), pelo dr. John Ballou Newbrough. Não deixou de mencionar os dois livros da jovem médium francesa Hermance Dufaux, A vida de Joanna d 'Arc e Confissões de Luís XI, lembrando que Allan Kardec atestou a confiabilidade da sensitiva. Não há dúvida, porém, de que no meio de uma ampla safra de obras mediúnicas do melhor calibre há muita literatura de segunda classe e livros francamente inaceitáveis. Mas é preciso lembrar que o falso não destrói o autêntico, apenas tenta imitá-lo, com o que reforça, por contraste, a autenticidade do genuíno. Mas a lista de Fodor ainda não se esgotou. Ele menciona os notáveis escritos da sra. Geraldine Cummins, especialmente a sua série sobre as origens do cristianismo, atribuídos a Felipe, o Evangelista, e a Cléofas. Ou a famosa obra mediúnica da sra. Curran, pela qual escrevia o espírito que se identificou com o Patience Worth. Para não expandir mais este capítulo, que pretendia ser breve, vamos resumir, para concluir. A psicografia é a faculdade através da qual espíritos encarnados e desencarnados se manifestam por escrito. Deve ser considerada como fenômeno mediúnico quando o manifestante é um espírito desencarnado. É uma faculdade anímica quando se manifesta o próprio espírito do sensitivo encarnado que, em tais casos, pode perfeitamente revelar um conhecimento acima do seu nível habitual, como ser encarnado. Uma terceira categoria de manifestação psicográfica, como vimos, é aquela na qual se manifestam espíritos encarnados através de sensitivos também encarnados. De minha parte, não hesitaria em considerar esse fenômeno como de natureza mediúnica, de vez que o manifestante, desdobrado do seu corpo físico, atua como espírito desencarnado, através de um médium. A psicografia não deve ser confundida com o fenômeno de escrita direta que Kardec chamou de pneumatografia e que ficou na categoria de fenômeno de efeito físico, como já vimos, ao passo que a psicografia é atribuição de médiuns de efeitos intelectuais.
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Nome do Capítulo Psicofonia