Dar-se-á a mesma coisa nas mortes acidentais, embora involuntárias, mas que abreviam a existência? – R. Não. Que entendeis por suicídio? O Espírito só responde por seus atos.
Esta dúvida da morte é muito comum nas pessoas recentemente desencarnadas, e principalmente naquelas que, durante a vida, não elevaram a alma acima da matéria. É um fenômeno que parece singular à primeira vista, mas que se explica naturalmente. Se perguntarmos a um indivíduo sonambulizado se ele dorme, ele responderá quase sempre que não, e essa resposta é lógica: o interlocutor é que faz mal a pergunta, servindo-se de um termo impróprio. Na linguagem comum, a ideia do sono prende-se à suspensão de todas as faculdades sensitivas. Ora, o sonâmbulo pensa, vê, sente e tem consciência da sua liberdade; logo, não se crê adormecido, e de fato não dorme, na acepção vulgar da palavra. Eis a razão por que responde não, até que se familiariza com essa maneira de apreender o fato. O mesmo acontece com o homem que acaba de morrer; para ele a morte era o aniquilamento do ser e, tal como o sonâmbulo, ele vê, sente, fala, e assim não se considera morto, afirmando isto até que adquira a intuição do seu novo estado. Essa ilusão é sempre mais ou menos dolorosa, uma vez que nunca é completa e dá ao Espírito certa ansiedade. No exemplo acima ela constitui verdadeiro suplício pela sensação dos vermes que corroem o corpo, sem falarmos da sua duração, que deverá equivaler ao tempo de vida abreviada. Este estado é comum nos suicidas, posto que nem sempre se apresente em idênticas condições, variando de duração e intensidade conforme as circunstâncias atenuantes ou agravantes da falta. A sensação dos vermes e da decomposição do corpo não é exclusiva dos suicidas; também é frequente nos que viveram mais da vida material que da vida espiritual. Em princípio, toda falta é passível de penalidades; contudo, não há regra absoluta e uniforme nos meios de punição.