O lápis
O lápis é a palavra do pensamento. Sem o lápis o pensamento fica mudo e incompreensível para os vossos sentidos grosseiros. O lápis é a alma ofensiva e defensiva do pensamento; é a mão que fala e se defende. O lápis!... e sobretudo o lápis Mangin!... Oh! perdão... eis que me torno egoísta!... Mas por que eu não poderia, como outrora, elogiar os meus lápis? Não são bons?... Tendes de que vos queixar? Ah! se eu ainda estivesse em meu veículo francês, com meu costume romano... acreditar-me-íeis... Eu sabia fazer tão bem minha propaganda e o pobre bobo julgava branco o que era preto, simplesmente porque Mangin, o célebre charlatão, o havia dito!... Eu disse charlatão... Não, é preciso dizer propagandista... Vamos! charlatães, desatai os cordões de vossa bolsa; comprai esses soberbos lápis, mais negros que a tinta e duros como pedra... Acorrei, acorrei: a venda vai terminar!... Ah! o que foi mesmo que eu disse?... Palavra de honra! creio que me engano de papel e que acabei muito mal, depois de ter começado bem... Todos vós, munidos de lápis, sentados em redor desta mesa, ide dizer e provai aos jornalistas orgulhosos que Mangin não está morto. Ide dizer aos que esqueceram minha mercadoria, porque eu não estava mais lá, para os fazer acreditar em suas admiráveis qualidades; ide dizer a todo o mundo que ainda vivo e que, se morri, foi para viver melhor... Ah! senhores jornalistas, zombáveis de mim e, contudo, se em vez de me considerar como um charlatão a roubar o dinheiro do povo, me tivésseis estudo mais atentamente e filosoficamente, teríeis reconhecido um ser com reminiscências de seu passado. Teríeis compreendido o porquê de meu gosto por este costume de guerreiro romano, o porquê deste amor às arengas em praça pública. Então, sem dúvida, teríeis dito que eu tinha sido soldado ou general romano e não vos teríeis enganado. Vamos! vamos! então comprai lápis e usai-os; mas servi-vos deles utilmente, não como eu para perorar sem motivo, mas para propagar esta bela doutrina que muitos dentre vós não seguis senão de muito longe. Armai-vos, pois, de vossos lápis e abri uma larga estrada neste mundo de incredulidade. Fazei tocar com o dedo a todos estes São-Tomés incrédulos as sublimes verdades do Espiritismo, que um dia farão que todos os homens sejam irmãos. Mangin
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Mês Março
Ano 1867