É de perguntar-se como alguns homens foram capazes de ver essas coisas em estado de êxtase, quando elas de fato não existem. Não cabe aqui explicar a origem das imagens fantásticas, tantas vezes reproduzidas com todas as aparências de realidade. Diremos apenas ser preciso considerar, em princípio, que o êxtase é a menos segura de todas as revelações⁵⁰ porque o estado de superexcitação nem sempre implica um desprendimento tão completo da alma que se imponha à crença absoluta, denunciando muitas vezes o reflexo de preocupações da véspera.
As ideias com que o Espírito se nutre e das quais o cérebro, ou melhor, o envoltório perispiritual que a este corresponde, conserva a forma ou a estampa, se reproduzem amplificadas como em uma miragem, sob formas vaporosas que se cruzam, se confundem e compõem um todo extravagante. Os extáticos de todos os cultos sempre viram coisas relacionadas com a fé que possuíam. Nada há, pois, de extraordinário que Santa Teresa e outros, tanto quanto ela saturados de ideias infernais pelas descrições, verbais ou escritas, hajam tido visões, que não são, propriamente falando, mais que reproduções por efeito de um pesadelo. Um pagão fanatizado teria antes visto o Tártaro e as Fúrias, ou Júpiter, no Olimpo, empunhando o raio.