São Bento Resulta desta explicação eminentemente racional, que esse jovem está sob o império de uma obsessão, ou, melhor, de uma terrível subjugação, semelhante à que sofreu o rei Nabucodonosor. Isto destrói a justiça de Deus, que tinha punido esse monarca orgulhoso? De modo algum, pois sabemos que as obsessões são, ao mesmo tempo, provações e castigos. Assim, Deus podia puni-lo, pondo-o sob o jugo de um Espírito malfazejo, que o constrangesse a agir como uma fera, sem, por isto, metamorfoseá-lo em animal. A primeira dessas punições é natural e se explica pelas leis das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; a outra é antinatural, fantástica e não se explica; uma se apresenta, em nossos dias, como uma realidade, sob as diversas formas da obsessão; a outra só se acha nos contos de fadas. Enfim, uma é aceitável pela razão, enquanto a outra não.
Do ponto de vista do Espiritismo, o fato oferece importante tema de estudo. A obsessão aí se apresenta sob um aspecto novo quanto à forma e quanto à causa determinante, mas que nada tem de surpreendente, depois do que nos tem sido dado ver diariamente. Muita razão tem São Bento, quando diz que estamos longe de haver esgotado todas as aplicações do Espiritismo, nem compreendido tudo quanto ele nos pode explicar.
Tal como é, apresenta-nos uma rica mina a explorar, auxiliado pelas leis que nos dá a conhecer. Antes de dizer que está estacionário, saibamos, pois, tirar proveito do que nos ensina.