Enganar-se-ia totalmente quem pretendesse obter boas comunicações de todos os gêneros, simplesmente por ter ao seu alcance um bom médium, por mais facilidade que tenha para escrever. A primeira condição, sem dúvida, é nos certificarmos da fonte de onde elas procedem, isto é, das qualidades do Espírito que as transmite. Porém, não é menos indispensável ter em vista as qualidades do instrumento oferecido ao Espírito. Precisamos, portanto, estudar a natureza do médium, como estudamos a do Espírito, porque são esses os dois elementos essenciais para a obtenção de um resultado satisfatório. Existe ainda um terceiro elemento, que desempenha papel igualmente importante: é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga, e isso é fácil de compreender. Para que uma comunicação seja boa, é preciso que proceda de um Espírito bom; para que esse Espírito bom possa transmiti-la, é indispensável que disponha de um bom instrumento; para que ele queira transmiti-la, é necessário que o fim visado lhe convenha. O Espírito, que lê no pensamento, julga se a questão que lhe propõem merece resposta séria e se a pessoa que a formula é digna de recebê-la. Caso contrário, não perde seu tempo em lançar boas sementes em terreno pedregoso, e é então que os Espíritos levianos e zombeteiros entram em ação, porque, pouco se importando com a verdade, não a encaram de muito perto e geralmente se mostram pouco escrupulosos quanto aos objetivos e meios empregados.
Vamos fazer um resumo dos principais gêneros de mediunidade, a fim de apresentarmos, de alguma maneira, o seu quadro sinótico, compreendendo as que já descrevemos nos capítulos anteriores e a indicação do número em que foram tratadas com mais detalhes.
Agrupamos as diferentes espécies de médiuns por analogia de causas e efeitos, sem que esta classificação tenha algo de absoluto. Algumas se encontram com facilidade; outras, ao contrário, são raras e excepcionais, o que teremos cuidado de indicar. Estas últimas indicações foram todas feitas pelos Espíritos, que, aliás, reviram este quadro com particular atenção e o completaram por meio de numerosas observações e novas categorias, de sorte que o referido quadro é, a bem dizer, obra deles. Destacamos entre aspas as observações textuais que eles fizeram, sempre que nos pareceu conveniente assinalá-las. São, na sua maioria, de Erasto e de Sócrates.