Acrescentemos que a Sociedade Espírita de Saint-Jean d’Angely é um dos centros mais sérios e mais bem dirigidos que já vimos, constituída por pessoas tão recomendáveis pelo caráter quanto pelo saber, levando, por assim dizer, o escrúpulo ao excesso. Pode-se julgá-la pela sabedoria e pelo método com que as perguntas são apresentadas e formuladas. Assim, todas as comunicações ali obtidas atestam a superioridade dos Espíritos que se manifestam. As evocações acima foram feitas em excelentes condições, tanto pelo meio quanto pela natureza dos médiuns. Para nós é, pelo menos, uma garantia de sinceridade absoluta. Acrescentaremos que a veracidade do relato foi atestada da maneira mais explícita por vários dos melhores médiuns da Sociedade de Paris.
Encarando a coisa apenas do ponto de vista moral, apresenta-se uma grave questão. Eis dois Espíritos, Remone e Noulin, tirados de sua situação e trazidos a melhores sentimentos pela evocação e pelos conselhos que lhes foram dados. Pode perguntar-se se teriam continuado infelizes, caso não tivessem sido evocados, e o que acontece com todos os Espíritos sofredores que não são evocados? A resposta já foi dada na História de um danado (Espírito de Castelnaudary), publicada na Revista de 1860. Acrescentaremos que, tendo chegado a esses dois Espíritos o momento em que poderiam ser tocados pelo arrependimento e receber a luz, circunstâncias providenciais, embora fortuitas em aparência, provocaram sua evocação, quer para o seu bem, quer para a nossa instrução. A evocação era um meio, mas, em falta desta, Deus não se veria privado de recursos para vir em auxílio aos infelizes; e podemos estar certos de que todo Espírito que quiser progredir sempre encontrará assistência, de uma maneira ou de outra.
A. K.