Livros Espíritas
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Mesmo nos casos em que ocorre um desdobramento mais amplo e o espírito cede canais condutores de seu perispírito à entidade comunicante, sem procurar influenciar, em nada, a comunicação, a individualidade estará sempre alerta e pronta a interceptar ou impedir qualquer pensamento inconveniente ou até mesmo a interromper dramaticamente a comunicação, se assim julgar conveniente ou necessário. Age como o proprietário que, após ceder as dependências de sua casa, mantém-se atento para que o inquilino não deprede seu patrimônio. Tem para isso condições de expulsá-lo e poderá impedir, se assim o desejar, a sua retomada intempestiva. Isso, naturalmente, quanto ao médium equilibrado, de bons padrões morais, dotado de autoridade moral de que falamos alhures, neste mesmo capítulo. Tivemos disso um exemplo vivo, quando, em nosso trabalho mediúnico habitual, uma comunicação foi drasticamente interrompida e retomada, momentos depois. Segundo apuramos posteriormente, não foram os dirigentes espirituais do grupo que forçaram a entidade a se afastar, nem ela o fez por vontade própria. O que ocorreu foi o seguinte: empenhada em escapar à conexão mediúnica, a entidade manifestante passou a submeter o corpo físico do médium a insuportável pressão. Temeroso de que algum dano mais grave pudesse resultar, a individualidade do médium não viu outro recurso senão o de interceptar seu próprio canal de comunicação, ou seja, os expressores. com o que provocou a pronta ejeção da entidade, já parcialmente ligada ao aparelho mediúnico. Em seguida, o espírito do médium, ou seja, sua individualidade, expediu comandos mentais adequados de reforço às condições de seu corpo físico, permitindo que a entidade retomasse suas conexões, já agora, porém, mais contida pelas resistências que veio encontrar no sistema perispírito/corpo físico. Daí em diante, o procedimento foi normal, ainda que a entidade, em si, apresentasse sérias dificuldades no diálogo, por causa de sua brilhante inteligência e dos vastos conhecimentos de que dispunha, bem como no desejo de continuar exatamente como era e fazendo o que estava fazendo no mundo espiritual. Uma nota agradável deverá ser acrescentada, para informar que esta entidade - uma mulher - que se nos apresentava com tanta relutância, proporcionou-nos alegrias inesperadas e profundas ao terminar, após um período mais ou menos longo, por aceitar nossa palavra e principalmente nossas comovidas e sinceras vibrações de afeto e respeito. Confessaria, mais tarde, já disposta a uma retomada, que relutara em manifestar-se justamente porque temia que conseguíssemos converte-la a mudar, o que considerava não ser de seu interesse ou desejo, quando nos foi trazida. Para concluir, devemos reiterar com a mesma insistência de sempre e, agora, com palavras de nossos queridos amigos espirituais, que "as chamadas escolas de médiuns ou sessões de desenvolvimento mediúnico existem Terra deveriam visar ao desenvolvimento das qualidades morais e individuais do médium, como pessoa humana, e não da faculdade em si". Esta, quando programada para expressar-se ostensivamente, o faz por si mesma, na sua própria dinâmica. O estudo dos mecanismos da mediunidade esclarece o médium e o ajuda a entender o que lhe cabe fazer, a fim de deixar fluir melhor o pensamento alheio por seu intermédio; mas só o seu aperfeiçoamento pessoal melhora a qualidade da comunicação. "Isto ocorre" - prosseguem nossos amigos - "porque o comunicante não anula os canais condutores do médium para ligar-se diretamente aos canais de expressão ou exteriorização." Para isso, teria de desligar completamente o perispírito do médium de seu próprio corpo físico e tomar-lhe o lugar. Isto, contudo, resultaria em morte do médium o que, por sua vez, impediria a manifestaçaõ mediúnica. O comunicante utiliza os condutores nas condições em que os encontra no médium e, portanto, seu pensamento levará a coloração que aí lhe é imposta. Se os canais se apresentam limpos, o pensamennto se expressará limpo; se poluídos, o pensamento sairá poluído; se confuso ou superlotado de problemas e preocupações pessoais, o pensamento sairá truncado e confuso. O cérebro físico funciona como conversar e tradutor do pensamento do próprio espírito que habita aquele corpo físico, tanto quanto do pensamento alheio. O perispírito é, pois, médium do próprio espírito encarnado, tanto quanto de espíritos desencarnados, pois é ele o elemento de ligação entre a individualidade, que pensa, e a personalidade, que se expressa no meio em que vive encarnada.
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