Livros Espíritas
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155. Após a morte, que diferença existe entre a alma do sábio e a do ignorante, a do selvagem e a do homem civilizado? — A mesma diferença, pouco mais ou menos, que existia entre elas durante a vida, visto que a entrada no mundo dos espíritos não dá à alma todos os conhecimentos da Terra. 156. As almas progridem intelectual e moralmente após a morte? — Elas progridem mais ou menos, segundo sua vontade, e algumas progridem muito; mas têm necessidade de pôr em prática, durante a vida corporal, o que adquiriram em ciência e em moralidade. As que ficaram estacionadas retomam uma existência análoga a que deixaram; as que progrediram merecem uma encarnação de ordem mais elevada. Como o progresso é proporcional à vontade do espírito, existem muitos que, por longo tempo, conservam os gostos e as tendências que tinham em vida, e que prosseguem com as mesmas idéias. (Revista Espírita, 1858, p. 82, “A rainha de Oude”; idem, p. 145, “O espírito e os herdeiros”; idem, p. 186, “O tambor de Beresine”; idem, 1859, p. 344, “Um antigo carreteiro”; idem, 1860, p. 325, “Progresso dos espíritos”; idem, 1861, p. 126, “Progresso de um espírito perverso.”) 157. A sorte do homem, na vida futura, é irrevogavelmente fixada após a morte? — Afixação irrevogável da sorte do homem após a morte seria a negação absoluta da justiça e da bondade de Deus, porque existem muitos que não puderam se esclarecer suficientemente, sem falar nos idiotas, nos cretinos, nos selvagens e nas inumeráveis crianças que morrem antes de haver entrevisto a vida. Mesmo entre as pessoas esclarecidas, existem muitas que podem se considerar bastante perfeitas para serem dispensadas de fazer alguma coisa mais; isso não é uma prova que Deus nos oferece da sua bondade, ao permitir que o homem faça amanhã o que não pôde fazer hoje? Se a sorte é irrevogavelmente fixada, por que os homens morrem com idades tão diferentes, e por que Deus, na sua justiça, não deixa a todos o tempo para fazerem o maior bem possível ou para reparar o mal que fizeram? Quem sabe se o culpado que morreu aos trinta anos não teria se arrependido, e se transformado em um homem de bem, se tivesse vivido até os sessenta anos? Por que Deus lhe tira esse meio enquanto o concede a outros? Só o fato da diversidade da duração da vida e do estado moral da grande maioria dos homens, prova a impossibilidade de que a sorte da alma seja irrevogavelmente fixada após a morte, se admitirmos a justiça de Deus. 158. Qual é, na vida futura, a sorte das crianças que morrem com muito pouca idade? — Essa é uma das questões que melhor provam a justiça e a necessidade da pluralidade das existências. Uma alma que só tivesse vivido alguns instantes, não tendo feito nem bem nem mal, não mereceria nem recompensa nem punição. Dian-te da máxima do Cristo de que “cada um é punido ou recompensado segundo suas obras”, seria tão ilógico quanto contrário à justiça de Deus admitir-se que, sem trabalho, ela fosse chamada a desfrutar da felicidade perfeita dos anjos, ou que pudesse ser impedida de desfrutá-la, contudo, ela deve ter um destino qualquer; um estado misto, pela eternidade, também seria uma injustiça. Uma existência interrompida no seu princípio não poderia, portanto, ter nenhuma conseqüência para a alma, seu destino atual é aquele que ela mereceu na sua precedente existência, e seu destino futuro, aquele que ela merecerá por suas existências ulteriores. 159. As almas têm ocupações na outra vida? Elas se preocupam com outros assuntos além de suas alegrias e de seus sofrimentos? — Se as almas só se ocupassem de si mesmas durante a eternidade, isto seria egoísmo, e Deus, que condena o egoísmo, não poderia aprovar na vida espiritual o que ele condena na corporal. As almas ou espíritos têm ocupações em relação com o seu grau de adiantamento, ao mesmo tempo em que buscam se instruir e se aperfeiçoar. (O Livro dos Espíritos, pergunta 558, “Ocupações e missões dos espíritos.”) 160. Em que consistem os sofrimentos da alma após a morte? As almas culpadas são torturadas nas chamas materiais? — Hoje, a Igreja reconhece perfeitamente que o fogo do inferno é um fogo moral e não um fogo material, mas não define a natureza dos sofrimentos. As comunicações espíritas colocam esses sofrimentos diante de nossos olhos; por esse meio nós podemos apreciá-los e nos convencer de que, por não serem o resultado de um fogo material, que efetivamente não poderia queimar almas imateriais, elas não são menos terríveis em certos casos. Essas penas não são uniformes, elas variam ao infinito, segundo a natureza e o grau das faltas cometidas, e são, quase sempre, essas mesmas faltas que servem à punição. É assim que certos assassinos são obrigados a permanecer no local em que cometeram o crime e ver, continuamente, suas vítimas diante deles; que o homem com gostos sensuais e materiais conserva esses mesmos gostos, porém, a impossibilidade de satisfazê-los materialmente é para eles uma tortura; que certos avarentos acreditam sentir o frio e as privações que, por sua avareza, passaram na vida, enquanto outros ficam junto aos tesouros que esconderam, e estão em transe perpétuo pelo temor de que sejam roubados. Em uma palavra, não há um defeito, uma imperfeição moral, uma ação má, que não tenha, no mundo dos espíritos, a sua contrapartida e suas conseqüências naturais; e, para isso, não há necessidade de um lugar determinado e circunscrito, por toda parte onde ele se encontrar, o espírito perverso leva o seu inferno com ele. Além das penas espirituais, existem as penas e as provas materiais que o espírito, que não se depurou, sofre em uma nova encarnação, onde é colocado numa posição em que passa pelo que fez os outros sofrerem: ter humildade, se foi orgulhoso; ser miserável se foi um mau rico, infeliz com seus filhos, se foi mau filho, etc. A Terra, como nós já dissemos, é um dos lugares de exílio e de expiação, um purgatório, para os espíritos dessa natureza, e ao qual depende de cada um não retornar, melhorando-se o bastante para merecer ir para um mundo melhor. (O Livro dos Espíritos, pergunta 237, “Percepções, sensações e sofrimentos dos espíritos”; idem, “Esperanças e consolações, penas e alegrias futuras”; Revista Espírita, 1858, p. 79, “O assassino Lemaire”; idem, 1858, p. 166, “O suicídio da Samaritana”; idem 1858, p. 331, “Sensações dos Espíritos”; idem, 1859, p. 275, “O pai Crepin”; idem, 1860, p. 61, “Estelle Régnier”; idem, 1860, p. 247, “O suicida da Rua Quincampoix”; idem 1860, p. 316. “O castigo”; idem 1860, p. 325, “Entrada de um culpado no mundo dos espíritos”; idem, 1860, p. 384, “Sofrimento do egoísta”; idem, 1861, p. 53, “Suicídio de um ateu”; idem 1861, p. 270, “A pena de Talião”.) 161. A prece é útil para as almas sofredoras? — A prece é recomendada por todos os bons espíritos e solicitada pelos espíritos imperfeitos como um meio de aliviar seus sofrimentos. A alma por quem se pede experimenta uma consolação, porque a prece é uma demonstração de interesse, e os sofredores são sempre consolados quando encontram corações caridosos com quem compartilham suas dores. Por outro lado, pela prece, os estimulamos ao arrependimento e ao desejo de fazer o que é preciso para ser feliz; é nesse sentido que se pode abreviar sua pena se, por sua vez, eles ajudam com a sua boa vontade. (O Livro dos Espíritos, pergunta 664; Revista Espírita, 1859, p. 315, “Efeitos da prece Sobre os espíritos sofredores”.) 162. Em que consistem os prazeres das almas felizes? Elas passam a eternidade em contemplação? — A justiça quer que a recompensa seja proporcional ao mérito, como a punição à gravidade da falta. Há, portanto, graus infinitos nos prazeres da alma, desde o instante em que ela entra no caminho do bem até o que ela atinge a perfeição. A felicidade dos bons espíritos consiste em conhecer todas as coisas, não ter ódio, nem ciúme, nem inveja, nem ambição, nem nenhuma das paixões que fazem a desgraça dos homens. O amor que os une é, para eles, a fonte de uma suprema felicidade. Eles não experimentam as necessidades, nem os sofrimentos, nem as angústias da vida material. Um estado de contemplação perpétuo seria uma felicidade estúpida e monótona, adequada ao egoísta, já que sua existência se tornaria uma inutilidade sem fim. A vida espiritual é, ao contrário, uma atividade incessante pelas missões que os espíritos recebem do Ser Supremo, como seus agentes no governo do Universo, missões que são proporcionais ao seu adiantamento, e com as quais ficam felizes, porque elas lhes fornecem as oportunidades de se tornarem úteis e de fazerem o bem. (O Livro dos Espíritos, pergunta 558, “Ocupações e missões dos espíritos”; Revista Espírita, 1860, pp. 321 e 322, “Os espíritos puros; a morada dos bem-aventurados”; idem, 1861, p. 179, “Madame Gourdon”.) Observação. Nós convidamos os adversários do Espiritismo, e aqueles que não admitem a reencarnação, a apresentarem, para os problemas acima descritos, uma solução mais lógica por qualquer outro princípio que o da pluralidade das existências.
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