Livros Espíritas
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Espiritos:
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Mas estas manifestações têm uma utilidade mais prática, mais atual, porque, mais que outras, serão capazes de erguer a coragem nos momentos duros que devemos atravessar. É no momento da tormenta que se será feliz por sentir junto de si protetores invisíveis; é então que se conhecerá o valor desses conhecimentos, que nos elevam acima da Humanidade e das misérias da Terra, que acalmam nossos pesares e nossas apreensões, fazendo-nos ver só o que é grande, imperecível e digno de nossas aspirações. É um socorro que Deus envia em tempo oportuno a seus fiéis servidores e aí está ainda um sinal de que os tempos marcados são chegados. Saibamos aproveitá-lo para o nosso adiantamento. Agradeçamos a Deus por ter permitido que fôssemos esclarecidos a tempo e lamentemos os incrédulos por se privarem desta imensa e suprema consolação, pois a luz foi espalhada para todos. Pela voz dos Espíritos, que falam por toda a Terra, ele faz um último apelo aos endurecidos. Imploremos sua indulgência e sua misericórdia para os cegos. Como dissemos, o êxtase é um estado superior de desprendimento, do qual o estado sonambúlico é um dos primeiros graus, mas que não implica, de modo algum, na superioridade do Espírito. O mais completo desprendimento é, seguramente, o que se segue à morte. Ora, nós vemos neste momento o Espírito conservar suas imperfeições, seus preconceitos, cometer erros, iludir-se, manifestar as mesmas tendências. É que as boas e as más qualidades são inerentes ao Espírito e não dependem das causas exteriores. As causas exteriores podem paralisar as faculdades do Espírito, que as recobra no estado de liberdade, mas são impotentes para lhe dar as que não tem. O sabor de um fruto está nele; façam o que fizerem, coloquem-no onde quiserem, se for insípido por natureza, não se tornará saboroso. Dá-se o mesmo com o Espírito. Se o desprendimento completo, depois da morte, não o torna um ser perfeito, menos ainda um desprendimento parcial. O desprendimento extático é um estado fisiológico, indício evidente de um certo grau de adiantamento do Espírito, mas não de superioridade absoluta. As imperfeições morais, que são devidas à influência da matéria, desaparecem com essa influência, razão por que se nota, em geral, nos sonâmbulos e nos extáticos, idéias mais elevadas do que no estado de vigília; mas as que se devem à qualidade mesma do Espírito continuam a manifestar-se, algumas vezes até com menos intensidade que no estado normal. O Espírito, liberto de todo constrangimento, por vezes dá livre curso a sentimentos que, como homem, procura dissimular aos olhos do mundo. De todas as tendências más, as mais persistentes e as que menos se confessa a si mesmo, são os vícios radicais da Humanidade: o orgulho e o egoísmo, que geram os ciúmes, as mesquinhas susceptibilidades do amor-próprio, a exaltação da personalidade, que muitas vezes se revelam no estado de sonambulismo. Não é o desprendimento que as produz, pois ele apenas as põe a descoberto; de latentes tornam-se sensíveis em conseqüência da liberdade do Espírito. Assim, não se deve esperar encontrar nenhuma espécie de infalibilidade, nem moral, nem intelectual, nos sonâmbulos e extáticos. A faculdade de que desfrutam pode ser alterada pelas imperfeições de seu Espírito. Suas palavras podem ser o reflexo de seus pensamentos e de seus sentimentos. Além disso, podem sofrer os efeitos da obsessão, tanto quanto no estado ordinário e ser, da parte dos Espíritos levianos ou mal-intencionados, joguete das mais estranhas ilusões, como o demonstra a experiência. Seria, pois, um erro acreditar que as visões e revelações do êxtase só possam ser a expressão da verdade. Como todas as outras manifestações, é preciso submetê-las ao cadinho do bom-senso e da razão, levar em conta o bem e o mal, o que é racional do que é ilógico. Se essas espécies de manifestações se multiplicam, é menos com o objetivo de nos dar revelações extraordinárias do que para nos fornecer novos assuntos de estudo e de observação sobre as faculdades e as propriedades da alma, e nos dar uma nova prova de sua existência e de sua independência da matéria.
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