Livros Espíritas
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Admitis, assim, que simples gestos sem intermediário podem produzir crises nervosas e efeitos sonambúlicos, catalépticos e outros, unicamente porque a imaginação foi ferida. Admitamos que sim. Gostaria de ver uma pessoa ser impressionada por meio desses gestos e essa impressão chegar a ponto de fazê-la dormir em pleno dia, e contra a sua vontade, o que, haveis de convir, já seria um fato admirável. Mas será esse um sono natural, causado, como dizem alguns, pela monotonia dos movimentos? Neste caso, como explicaríeis a instantaneidade do sono produzido em alguns segundos? Por que não despertais facilmente esse dorminhoco, sacudindo-lhe tão-somente os braços? Deixemos de lado, por razões óbvias, muitos outros fenômenos igualmente pouco explicáveis pelo vosso sistema; não obstante, existe um cuja solução sem dúvida podereis dar, porquanto não creio que tenhais elaborado uma teoria sobre um assunto de tamanha gravidade sem vos terdes assegurado de que ele resolve todos os casos, teoria que deve ser pouco arriscada, permitindo que a enuncieis em pleno tribunal. Deveis, pois, estar bem seguros. Pois bem! Eu vos peço, para a instrução do público e de todas as pessoas bastante simples para acreditarem na existência de um fluido magnético, que resolvais pelo vosso sistema as duas questões seguintes: 1o Se os efeitos atribuídos ao fluido magnético resultam apenas de uma imaginação excitada e fortemente impressionável, como se produzem à revelia da pessoa, quando é magnetizada durante o sono natural, ou quando se encontra num aposento vizinho, sem ver o magnetizador e sem saber que é magnetizada? 2o Se os toques ou passes magnéticos podem produzir crises nervosas e estados sonambúlicos, como podem esses mesmos toques e passes produzir o efeito contrário, destruir o que fizeram, acalmar as crises nervosas mais violentas que ocasionaram e fazer cessar o estado sonambúlico subitamente, como se fora um golpe de mágica? É por efeito da imaginação que a pessoa não vê, nem ouve o que se passa à sua volta? Ou é preciso admitir que se pode agir sobre a imaginação sem o concurso da imaginação, o que seria muito possível, já que se pode magnetizar sem magnetismo? Isto me lembra uma pequena anedota. Um imprudente manejava um fuzil; o tiro disparado matou outro indivíduo. O perito foi chamado para examinar a arma, declarando que o indivíduo havia sido morto por um tiro de fuzil, embora este não se encontrasse carregado. Não é exatamente esse o caso do nosso magnetizador, que fere ao magnetizar, mas sem magnetismo? Seguramente o Tribunal de Douai, na sua alta sabedoria, não meditou nestas contradições, sobre as quais não devia pronunciar-se. Como dissemos, ele não considerou senão o efeito produzido, declarando-o produzido por toques e passes magnéticos; não havia por que decidir se em nós existe, ou não existe, um fluido magnético. Mas o julgamento não constata de maneira menos autêntica que o magnetismo é uma realidade; de outro modo não teria condenado alguém por ter feito gestos insignificantes. Que isto sirva de lição aos imprudentes, que brincam com o que não conhecem. Na opinião que emitiram, esses senhores não perceberam que chegavam a um resultado diametralmente oposto ao seu objetivo, o de atribuir aos magnetizadores um poder que estes estão longe de reivindicar. Com efeito, os magnetizadores sustentam que não agem senão com o auxílio de um intermediário; que, quando esse intermediário lhes falta, sua ação é nula; não se reconhecem com o poder de dar bordoadas sem bordões, nem de matar a tiros com um fuzil descarregado. Muito bem! Com a sua teoria esses senhores ainda operam outro prodígio, porque agem sem ter nada nas mãos e nos bolsos. Realmente, há coisas que não podem ser levadas a sério; nós lhes pedimos muitas desculpas, mas isso não diminui em nada o seu mérito. Eles podem ser muito hábeis e médicos assaz competentes; sem dúvida foi por isso que o Tribunal os consultou. Permitimo-nos apenas criticar a sua opinião sobre o magnetismo. Finalizamos com uma observação importante. Se o magnetismo é uma realidade, por que não é reconhecido oficialmente pela Faculdade? A tal respeito há muitas coisas a dizer. Limitar-nos-emos a uma única consideração, perguntando por que as descobertas hoje mais aceitas não o foram de imediato pelas corporações científicas? Deixo a outros o cuidado de responder. A classe médica está dividida sobre a questão do magnetismo, assim como em relação à homeopatia, à alopatia, à frenologia, ao tratamento da cólera, aos purgantes, às sangrias e sobre tantas outras coisas, de tal sorte que uma opinião a favor ou contra não passa de uma opinião individual, sem força de lei. O que faz a lei é a opinião geral, que se forma pelos fatos, a despeito de toda oposição, e que sobre os mais recalcitrantes exerce uma pressão irresistível. É o que acontece com o magnetismo, bem assim com o Espiritismo, e não será avançar muito dizer que metade dos médicos hoje reconhece e admite o magnetismo, e que três quartos dos magnetizadores são médicos. Dá-se o mesmo com o Espiritismo, que conta em suas fileiras uma infinidade de médicos e homens de ciência. Que importa, pois, a oposição sistemática ou mais ou menos interessada de alguns? Deixemos passar o tempo, que varre o amor-próprio ferido e as mesquinhas preocupações! A verdade pode ser abalada, mas não destruída, e a posteridade registra o nome dos que a combateram ou sustentaram. Se o magnetismo fosse uma utopia, há muito tempo dele não se cuidaria, ao passo que, como seu irmão, o Espiritismo, finca raízes por todos os lados. Lutai, pois, contra as idéias que invadem o mundo inteiro, de alto a baixo da escala social!
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(25) N. do T.: Grifo nosso: Espasmos em que se alternam, em rápida sucessão, rigidez e relaxamento. No original está grafada a palavra chroniques, sem correlação com o quadro clínico descrito acima.
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