Livros Espíritas
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Quanto ao mais, eis a enumeração detalhada dos 10.357 casos de loucura, assinalados como conseqüência imediata dos diversos incidentes da vida moral: Excesso de trabalho intelectual ............................................ 358 Pesares domésticos ................................................................. 2.549 Desgostos resultantes da perda da fortuna ......................... 851 Tristeza resultante da perda de um ente querido ................ 803 Pesares resultantes da ambição insatisfeita ......................... 520 Remorso ................................................................................... 102 Cólera ........................................................................................ 123 Alegria ...................................................................................... 31 Pudor ferido ............................................................................ 69 Amor ........................................................................................ 767 Ciúme ....................................................................................... 456 Orgulho .................................................................................... 368 Acontecimentos políticos ........................................................ 123 Passagem súbita da vida ativa à inativa e vice-versa ........... 82 Isolamento e solidão .............................................................. 115 Prisão simples .......................................................................... 113 Prisão em regime celular ......................................................... 26 Nostalgia ................................................................................... 78 Sentimentos religiosos levados ao excesso ......................... 1.095 Outras causas morais ............................................................. 1.728 __________ Total ....................................... 10.357 “Em suma, abstração feita da hereditariedade, resulta das observações colhidas sobre os doentes admitidos em nossos asilos de alienados, durante o período de 1856 a 1860 que, de todas as causas que concorrem para provocar a loucura, a mais comum é a embriaguez. Vêm a seguir os pesares domésticos, a idade, as doenças de diversos órgãos, a epilepsia, a exaltação religiosa, o onanismo e as privações de toda sorte. “O quadro seguinte dá o número de paralíticos, epilépticos, surdos-mudos, escrofulosos e os acometidos de papeira, entre os doentes admitidos pela primeira vez de 1856 a 1860: Loucos Idiotas/cretinos Paralíticos ......................... 3.775 69 Epilépticos ....................... 1.763 347 Surdos-mudos ................. 133 61 Escrofulosos ..................... 381 146 Acometidos de papeira .... 123 32 “A loucura se complica com paralisia muito mais na mulher. Entre os epilépticos há mais homens que mulheres, mas em proporção menos forte. “Se se pesquisar agora, distinguindo os sexos, em que proporções se produzem as curas anualmente, em relação ao número de doentes tratados, obtém-se os seguintes resultados: Anos Homens Mulheres Ambos os sexos 1854 .......... 8,93% 8,65% 8,79% 1855 .......... 8,92% 8,81% 8,86% 1856 .......... 8,00% 7,69% 7,83% 1857 .......... 8,11% 7,45% 7,62% 1858 .......... 8,02% 6,74% 7,37% 1859 .......... 7,69% 6,71% 7,19% 1860 .......... 7,05% 6,95% 7,00% “Vê-se que, se a loucura é curável, o número proporcional das curas é ainda muito restrito, a despeito dos melhoramentos de toda natureza levados ao tratamento dos doentes e as acomodações dos asilos. De 1856 a 1860 a proporção média das curas foi, para os loucos de ambos os sexos, reunidos, de 8,24%. É apenas o duodécimo. Essa proporção seria muito mais elevada se as famílias não cometessem o grave erro de não se separar de seus alienados senão quando a doença já fez progressos inquietantes. “Um fato digno de nota é que o número proporcional de homens curados excede, anualmente, o das mulheres. Em 100 loucos tratados, de 1856 a 1860, contaram-se em média 8,69 curas para os homens e apenas 7,81 para as mulheres, ou seja, cerca de um nono a mais para os alienados do sexo masculino. “Entre os 13.687 loucos saídos depois da cura, de 1856 a 1860, há somente 9.789 para os quais foi possível determinar as diversas influências que tinham ocasionado sua afecção mental. Eis o resumo das indicações colhidas sob este ponto de vista: Curados Causas físicas ......................... 5.253 Causas morais ......................... 4.536 __________ Total ........................................ 9.789 “Representando por mil esse número total, acha-se que, em 536 doentes curados, a loucura tinha sobrevindo em decorrência de causas físicas, e em 464 em conseqüência de influências morais. Essas proporções numéricas diferem muito sensivelmente das precedentemente constatadas, no que concerne às admissões de 1856 a 1860, onde se contaram, em 1.000 admitidos, apenas 393 doentes cuja loucura tinha uma causa moral. De onde resulta que, nesta categoria de doentes, as curas obtidas teriam sido relativamente mais numerosas que entre aqueles cuja loucura teve uma causa física. “Cerca de metade dos casos curados, para os quais a causa do mal foi colhida, devia-se às seguintes circunstâncias: embriaguez – 1.738; pesares domésticos – 1.171; doenças diversas – 761; doenças próprias da mulher – 723; exaltação dos sentimentos religiosos – 460. “Em 1.522 doentes curados, constatou-se uma predisposição hereditária. É uma proporção de 15% em relação à cifra dos loucos curados.” Logo de início resulta desses documentos que o aumento da loucura, constatado a partir de 1835, é de perto de vinte anos anterior ao aparecimento do Espiritismo na França, onde não se ocuparam das mesas girantes, e mais como entretenimento do que como coisa séria, senão depois de 1852, e da parte filosófica somente depois de 1857. Em segundo lugar, esse aumento seguiu, ano a ano, uma marcha ascendente, de 1835 a 1846; de 1847 a 1861 ele foi diminuindo de ano para ano; e a diminuição foi mais forte de 1856 a 1861, precisamente no período em que o Espiritismo tomava o seu desenvolvimento. Ora, era precisamente naquela época que se publicavam brochuras e os jornais se apressavam em repetir que as casas de alienados estavam atulhadas de loucos espíritas, a tal ponto que várias tinham sido obrigadas a aumentar as suas construções; que aí se contavam, ao todo, mais de quarenta mil. Como podia aí haver mais de 40.000, quando o relatório constata uma cifra máxima de 30.339? A que fonte mais segura que a da autoridade aqueles senhores colheram os seus dados? Provocavam uma enquete: ei-la feita tão minuciosamente quanto possível, e se vê se ela lhes dá razão. O que igualmente ressalta do relatório é o número de idiotas e de cretinos, que entra com uma parte considerável no cômputo geral, e o aumento anual deste número, que, evidentemente, não pode ser atribuído ao Espiritismo. Quanto às causas predominantes da loucura, elas foram, como se vê, minuciosamente estudadas e, contudo, o Espiritismo aí não figura nem nominalmente, nem por alusão. Teria passado despercebido se, como pretendem alguns, tivesse, ele só, enchido as casas de alienados? Não pensamos que se atribua ao ministro o pensamento de ter querido poupar os espíritas, abstendo-se de os mencionar, se tivesse lugar para o fazer. Em todo o caso, certas cifras viriam recusar qualquer parte preponderante do Espiritismo no estado das coisas. Se fosse de outro modo, as causas morais predominariam em número sobre as causas físicas, enquanto é o contrário que se dá. A cifra dos alienados considerados incuráveis não seria quatro a cinco vezes mais forte que a dos doentes presumivelmente curáveis, e o relatório não diria que os quatro quintos dos loucos mantidos nos hospícios não oferecem nenhuma chance de cura. Finalmente, em face do desenvolvimento que toma cada dia o Espiritismo, o ministro não diria que, em razão da desaceleração que se produziu, é provável que o aumento verdadeiramente excepcional na população dos asilos em breve seja detido. Em suma, esse relatório é a resposta mais peremptória que se pode dar aos que acusam o Espiritismo de ser uma causa preponderante de loucura. Aqui não são hipóteses nem raciocínios, mas cifras autênticas, opostas a cifras fantásticas, fatos materiais contrapostos a alegações mentirosas de seus detratores, interessados em o desacreditar na opinião pública.
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