Livros Espíritas
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19. Os Espíritos familiares podem favorecer os interesses materiais por meio de revelações? “Podem e algumas vezes o fazem, de acordo com as circunstâncias, mas ficai certos de que os Espíritos bons jamais se prestam à cupidez. Os maus fazem brilhar mil atrativos diante dos vossos olhos, a fim de vos excitarem e, depois, vos mistificarem pela decepção. Sabei também que, se fizer parte da vossa prova que passeis por tal ou qual vicissitude, os vossos Espíritos protetores poderão ajudar-vos a suportá-la com mais resignação e, algumas vezes, até mesmo suavizá- las. Mas, no próprio interesse do vosso futuro, não lhes é permitido livrar-vos das vossas dificuldades. É por isso que um bom pai não concede ao filho tudo o que este deseja.” OBSERVAÇÃO – Os nossos Espíritos protetores podem, em muitas circunstâncias, indicar-nos o melhor caminho, sem entretanto, nos conduzirem pela mão; a não ser assim, perderíamos o mérito da iniciativa e não ousaríamos dar um passo sem recorrer a eles, com prejuízo do nosso aperfeiçoamento. Muitas vezes, para progredir, o homem precisa adquirir experiência à sua própria custa. É por isso que os Espíritos sábios nos aconselham, embora quase sempre nos deixem entregues às nossas próprias forças, como faz o educador hábil com seus alunos. Nas circunstâncias comuns da vida, eles nos aconselham pela inspiração, deixando-nos assim todo o mérito do bem que façamos, como toda a responsabilidade do mal que pratiquemos. Seria abusar da condescendência dos Espíritos familiares e equivocar-se quanto à missão que lhes cabe desempenhar o fato de os interrogarmos a cada instante sobre as coisas mais vulgares, como o fazem certos médiuns. Alguns deles, por meio de um sim ou de um não, tomam o lápis e pedem conselhos para os atos mais simples da vida. Esta mania denota pequenez nas ideias e, ao mesmo tempo, a presunção de supor, quem quer que seja, que tem sempre um Espírito serviçal às suas ordens, sem outra coisa mais a fazer senão cuidar dele e dos seus mínimos interesses. Além disso, quem assim procede aniquila o seu próprio juízo e se reduz a um papel passivo, sem utilidade para a vida presente e com prejuízo certo para o progresso futuro. Se há puerilidade em interrogarmos os Espíritos sobre coisas fúteis, também não deixa de ser pueril os Espíritos se ocuparem espontaneamente com o que se pode chamar negócios caseiros. Em tal caso, eles poderão até ser bons, mas, seguramente, ainda se acham muito presos à Terra.
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