Livros Espíritas
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É aqui que Maomé realmente desce do pedestal sobre o qual havia subido. Lamenta-se vê-lo cair tão baixo depois de se haver elevado tanto, e fazer Deus intervir para justificar os privilégios que se concedia, para a satisfação de suas paixões. Permitia aos crentes quatro mulheres legítimas, enquanto a si mesmo se permitia treze. O legislador deve ser o primeiro súdito das leis que faz. É uma mancha inapagável, que lançou sobre si e sobre o islamismo. Esforçai-vos por merecer a indulgência do Senhor e a posse do paraíso, cuja extensão iguala os céus e a Terra, morada preparada para os justos – aqueles que dão esmola na prosperidade e na adversidade, e que, senhores dos movimentos de sua cólera, sabem perdoar aos seus semelhantes. Deus ama a beneficência. (Surata III, v. 127, 128). Deus prometeu aos fiéis que houverem praticado a virtude a entrada dos jardins onde os rios correm. Aí habitarão eternamente. As promessas do Senhor são verdadeiras. Que de mais infalível que sua palavra? (Surata IV, v. 121). Eles habitarão eternamente a morada que Deus lhes preparou, os jardins de delícias regados pelos rios, lugares onde reinará a soberana beatitude. (Surata IX, v. 90). Os jardins e as fontes serão a partilha dos que temem o Senhor. Entrarão com a paz e a segurança. – Tiraremos a inveja de seus corações. Repousarão em leitos e terão uns para com os outros uma benevolência fraterna. – A fadiga não se acercará da morada das delícias. Não arrebatarão sua posse. (Surata XV, v. 45 a 48). Os jardins do Éden serão a habitação dos justos. Braceletes de ouro, ornados de pérolas e roupas de seda formarão sua indumentária. – Louvores a Deus, exclamarão eles; ele afastou de nós o sofrimento; ele é misericordioso e compassivo. – Introduziu-nos no palácio eterno, morada de sua magnificência. Nem a fadiga nem a dor se acercam deste asilo. (Surata XXXV, v. 30, 31, 32). Os habitantes do paraíso beberão a longos sorvos na taça da felicidade. – Deitados em leitos de seda, repousarão junto às suas esposas, em sombras deliciosas. – Encontrarão todos os frutos. Todos os seus desejos serão satisfeitos. (Surata XXXVI, v. 55, 56, 57). Os verdadeiros servos de Deus terão um alimento escolhido – frutos delicados e serão servidos com honra. – Os jardins das delícias serão seu asilo. – Cheios de mútua benevolência, repousarão em poltronas. – Oferecer-lhes-ão taças de água pura – límpida e de gosto delicioso – que não lhes obscurecerá a razão nem os embriagará. – Perto deles estarão virgens de olhar recatado, de grandes olhos negros e cuja tez terá a cor dos ovos de avestruz. (Surata XXXVII, v. 39 a 47). Dir-se-á aos crentes que tiverem professado o islamismo: Entrai no jardim das delícias, vós e vossas esposas; abri vossos corações à alegria. – Dar-lhes-ão a beber em taças de ouro. O coração encontrará nessa morada tudo quanto pode desejar, o olho tudo quanto o pode encantar e os prazeres serão eternos. – Eis o paraíso, cuja posse vos proporcionarão vossas obras. – Alimentai-vos dos frutos que ali crescem em abundância. (Surata XLIII, v. 69 a 72). Tal é o famoso paraíso de Maomé, com o qual tanto se divertiram e que, certamente, não procuraremos justificar. Apenas diremos que estava em harmonia com os costumes desses povos e que devia afagá-los muito mais que a perspectiva de um estado puramente espiritual, por mais esplêndido que fosse, porque eram demasiado materiais para o compreender e lhe apreciar o valor. Precisavam de algo mais substancial e pode-se dizer que foram servidos na medida do possível. Sem dúvida se notará que os rios, as fontes, os frutos abundantes e as sombras aí representam grande papel, por faltarem sobretudo aos habitantes do deserto. Os leitos macios e as roupas de seda, para gente habituada a dormir no chão e vestida com grosseiras peles de camelo, também deviam ter grande atrativo. Por mais ridículo que tudo isto nos pareça, pensemos no meio em que vivia Maomé e não o censuremos muito, pois, com o auxílio deste atrativo, ele soube tirar um povo da barbárie e dele fazer uma grande nação. Num próximo artigo examinaremos como o islamismo poderá ligar-se à grande família da humanidade civilizada.
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(23) N. do T.: Esta medida já foi liberalizada, pelo menos no Egito, onde qualquer cidadão pode visitar suas mesquitas sem ser molestado, desde que aí entre descalço e guarde atitude respeitosa.
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