Livros Espíritas
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O êxtase dos grandes santos é oriundo, sem dúvida, da profunda alteração vibracional a possibilitar-lhes meios de relação com as altas esferas e com o que nelas se desenrola: visões maravilhosas, celestes harmonias, cenários deslumbrantes ou vozes cheias de sabedoria. A ignorância de tais fatos leva muitas vezes o médium não evangelizado a cometer lastimáveis enganos, comprometendo, assim, o nome e a reputação de abnegados companheiros. Há médiuns que discordam de que estejam no recinto determinados Espíritos, por outrem observados, somente porque "não os viram"... Se estudassem a Doutrina e cultivassem sinceramente os preceitos do Evangelho, não formulariam esses temerários juízos, pois saberiam que, se não viram, nem ouviram, aquilo que outros ouviram e viram, é porque, no momento, não respiravam psiquicamente na mesma faixa vibratória. Tais observações levaram Hilário a formular interessantes indagações, inclusive se o fenômeno de absoluta sintonia, durante a comunicação, dificultaria, no médium, a faculdade de distinguir, dos seus, os pensamentos do Espírito. O esclarecimento do Assistente Áulus é notável. Os médiuns, especialmente aqueles que se deixam dominar pelo fantasma da dúvida, muito se beneficiarão com a palavra orientadora do bondoso instrutor. Estudemos, com ele, o assunto: a) — O pensamento que nos é próprio flui incessantemente de nosso campo cerebral. É intrínseco. É realização nossa. b) — O pensamento do Espírito é extrínseco. Vem de fora para dentro, alcançando-nos o campo interior, primeiramente pelos poros, que são "miríades de antenas". Os nossos pensamentos são, via de regra, semelhantes no conteúdo moral e intelectual. Refletem o nosso estado evolutivo, traduzem as inclinações que nos são peculiares. Os pensamentos dos Espíritos são, de modo geral, variáveis. Divergem sempre, quanto à forma e à substância, uma vez que diversas são as Inteligências que se comunicam. Se estamos sendo acionados por um Espírito Superior, os conceitos expendidos, verbal ou psicograficamente, serão luminosos, sublimes, misericordiosos. Se agimos sob o comando de um Espírito menos esclarecido ou maldoso, os conceitos serão inconfessáveis. Lembremo-nos, a propósito, de Pedro, o venerando apóstolo. O Evangelho no-lo mostra a refletir, em alternativas de luz e sombra, idéias de Espíritos superiores ou inferiores, em várias circunstâncias de sua vida. O mundo conheceu um médium que sempre refletiu a Luz Divina: Jesus-Cristo — O MÉDIUM DE DEUS. Após tais considerações, formulemos a pergunta final: — "Como saberá o médium se o pensamento é seu ou do Espírito?" Com o estudo edificante, a meditação e o discernimento, adquiriremos a capacidade de conhecer a nossa frequência vibratória. Saberemos comparar o nosso próprio estilo, pontos de vista, hábitos e modos, com os revelados durante o transe ou a simples inspiração, quando pregamos ou expomos a Doutrina. Não será problema tão difícil separar o nosso do pensamento dos Espíritos. A aplicação aos estudos espíritas, com sinceridade, dar-nos-á, sem dúvida, a chave de muitos enigmas.
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