Livros Espíritas
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A reação, pois, difere de um caso para outro, mas pode ser grupada dentro de classificações mais ou menos didáticas, como acima esboçado. Há, pois, os que se comovem; os que ouvem, em respeitoso silêncio, mas ainda precisam de tempo; os que a ridicularizam, porque temem seus efeitos; os que se recusam a dizê-la, por julgarem-se indignos, ou não necessitados; e os que se acham de tal maneira alienados, que oram até mesmo com certa veemência, convencidos de que Deus, ou o Cristo, virá imediatamente em seu socorro, para livrá-los da situação em que se encontram, diante de um doutrinador impertinente. Um deles tomou a iniciativa de pedir-me para orar. Disse-lhe que não me cabia autorizar um ato desses, por me faltar autoridade para fazê-lo. Ele ainda comentou a minha atitude, algo surpreso, e preparou-se para orar. Recolheu-se a uma postura correta, juntando as mãos em frente dos olhos fechados do médium, aguardou alguns momentos de silêncio respeitoso e se pôs a orar a Jesus, com muita veemência. Falava em nome da “equipe humilde” do Cristo, e nada pedia para eles próprios, porque o Cristo sabia de suas necessidades e aspirações; mas pedia para nós, os componentes do grupo, que estávamos muito necessitados de socorro e orientação. Sua prece era um tanto oratória e, de fato, depois nos deu uma demonstração de seus recursos de pregador, falando com entusiasmo e brilho, a uma plateia invisível a nós. É possível que ele fosse sincero no seu apelo, porque o fanatismo é, às vezes, de intensa e desastrosa sinceridade; mas, no seu caso, continuei com a impressão de que aquele era apenas mais um dos inúmeros mecanismos usados para fuga. Na profunda intimidade do seu ser, ele deveria realmente acreditar que era um excelente trabalhador do Cristo, a quem orava com todo o fervor. Enquanto isso, estava ao abrigo de suas próprias contradições íntimas, de suas responsabilidades maiores, e continuava a negacear diante da difícil decisão de abandonar o poder e a glória, descer do pedestal de grande mestre, ou líder, para voltar a ferir os pés descalços, pelos caminhos espinhosos da recuperação, de coração sangrando, espicaçado pelo remorso. Sendo, pois, a fé, “a garantia do que se espera e a prova das realidades invisíveis”, a prece é o convite para que a esperança se realize em nós, ou diante de nós. A prece é o instrumento do amor grande e puro de que nos falou o Cristo; é por ela que a caridade nos faz agentes da Divindade. É por ela que conseguimos alçar o nosso espírito, aprisionado ainda no erro, às culminâncias da esperança. Paulo apresentou juntos a fé, a esperança e o amor. A prece nos liga porque, apoiada na fé, contempla a esperança e ajuda-nos na doação do amor.
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