Livros Espíritas
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Resp. – O que eu disse, estou pronta a fazê-lo, pois a vós é que mais se deve instruir. Eu havia dito a meus filhos que vos comunicassem essas provas, tendo em vista a propagação do Espiritismo. 3. Há poucos dias fui testemunha de fatos análogos e vou pedir ao Espírito que os produziu a gentileza de vir. Tendo podido observar todas as fases do fenômeno, espero dirigir-lhe várias perguntas. Peço que vos unais a ele para completar as respostas, caso necessário. Resp. – Farei o que me pedis; com os dois haverá mais clareza e precisão. 4. Evocação de Léon. Resp. – Eis-me pronto a cumprir a promessa que vos fiz, senhor. Observação – Muito freqüentemente os Espíritos se eximem de nossas fórmulas de polidez. Este oferece a particularidade de servir-se sempre da palavra senhor, toda vez que o evocamos. 5. Peço nos digais por que esses fenômenos só se produzem durante o sono magnético do médium? Resp. – Isto se deve à natureza do médium. Os fatos que produzo, quando o meu está adormecido, poderiam igualmente produzir-se em estado de vigília. 6. Por que fazeis esperar tanto tempo o transporte de objetos e por que excitais a cobiça do médium, exasperando seu desejo de obter o objeto prometido? Resp. – Esse tempo é-me necessário para preparar os fluidos que servem ao transporte. Quanto à excitação, é apenas para divertir os presentes e a sonâmbula. 7. Eu tinha pensado que a excitação poderia produzir mais abundante emissão de fluidos da parte do médium e facilitar a combinação necessária. Resp. – Vós vos enganastes, senhor; os fluidos que nos são necessários não pertencem ao médium, mas ao Espírito e, em certos casos, pode-se mesmo prescindir-se deles, e o transporte ocorrer imediatamente. 8. A produção do fenômeno se deve à natureza especial do médium? Poderia dar-se por outros médiuns com mais facilidade e presteza? Resp. – A produção se deve à natureza do médium e só pode realizar-se com outros de natureza correspondente. Quanto à prontidão, o hábito que adquirimos, correspondendo muitas vezes com o mesmo médium, nos é de grande valia. 9. A natureza do médium deve corresponder à natureza do fato ou à do Espírito? Resp. – Faz-se mister que corresponda à natureza do fato, e não à do Espírito. 10. A influência das pessoas presentes tem algum significado? Resp. – Quando há incredulidade e oposição, podem prejudicar bastante. Preferimos fazer nossas provas com crentes e pessoas versadas no Espiritismo, mas com isso não queremos dizer que a má vontade possa paralisar-nos completamente. 11. Aqui só há crentes e pessoas muito simpáticas. Há algum empecilho em que o fato ocorra? Resp. – Sim: aquele para o qual não estou preparado nem disposto. 12. Estaríeis num outro dia? Resp. – Sim. 13. Poderíeis fixá-lo? Resp. – Um dia em que nada me pedirdes eu virei de improviso surpreender-vos com um bonito ramo de flores. 14. Talvez haja pessoas que preferissem bombons. Resp. – Se há gastrônomos, também podem ser con-tentados. Creio que as mulheres, que não desdenham das flores, gostarão ainda mais dos bombons. 15. A Srta. V. B. precisará ficar em estado sonambúlico? Resp. – Farei o transporte com ela desperta. 16. Onde pegastes as flores e os bombons que transportastes? Resp. – As flores eu as colho nos jardins, onde me agradam. 17. Mas, e os bombons? O comerciante não lhes nota a falta? Resp. – Eu os pego onde me apraz. O comerciante nada percebe, porque ponho outros no lugar. 18. Mas os anéis têm um valor. Onde os pegastes? Isto não prejudica àqueles de quem os tirastes? Resp. – Tirei-os de lugares de todos desconhecidos, e de modo que ninguém possa sofrer qualquer prejuízo. 19. É possível trazer flores de outro planeta? Resp. – Não; a mim não é possível. 20. Outros Espíritos o poderiam? Resp. – Sim; há Espíritos mais elevados do que eu que podem fazê-lo; quanto a mim, não posso encarregar-me disto. Contentai-vos com o que vos trago. 21. Poderíeis trazer flores de um outro hemisfério, dos trópicos, por exemplo? Resp. – Desde que sejam da Terra, posso. 22. Como introduzistes esses objetos outro dia, já que a sala estava fechada? Resp. – Fi-los entrar comigo, por assim dizer envoltos em minha substância. Quanto a vos falar mais longamente, isto não é explicável. 23. [À Sra. Catherine] – Considerando-se que o anel que trouxestes à vossa filha estava enterrado convosco, como o obtivestes? Resp. – Retirei-o da terra e o trouxe a minha filha. 24. [A Léon] – Como tornastes visíveis esses objetos que, um instante antes, eram invisíveis? Resp. – Tirei a matéria que os envolvia. 25. Poderíeis fazer desaparecer esses objetos que transportastes e os transportar novamente? Resp. – Assim como os trouxe, posso levá-los à vontade. 26. Ontem... (o Espírito retifica escrevendo: quarta-feira.) Exatamente; quarta-feira o médium vos viu tomar uma tesoura e cortar flores de laranjeira no ramalhete que está em seu quarto. Realmente tiveste necessidade de um instrumento cortante para isso? Resp. – Absolutamente; eu não tinha tesoura, mas me fiz ver assim para que ficassem bem certos de que era eu quem as tirava. 27. Mas o buquê estava sob um globo de vidro? Resp. – Oh! eu bem podia tirar o globo. 28. Tiraste o globo? Resp. – Não. 29. Não compreendemos como isto pode acontecer. Credes que um dia chegaremos a ter a explicação desse fenômeno? Resp. – Em pouco tempo mesmo; não apenas o cremos: temos certeza. 30. Quem acaba de responder? Léon ou a Sra. Catherine? Resp. – Nós dois. 31. A produção do fenômeno dos transportes vos causa alguma aflição, um embaraço qualquer? Resp. – Não nos causa nenhuma dificuldade, quando temos permissão, mas poderiam causar, e grandes, se quiséssemos produzir efeitos sem que, para isto, estivéssemos autorizados. 32. Quais as dificuldades que encontrais? Resp. – Nenhuma outra senão as más disposições fluídicas que nos podem ser contrárias. 33. Como trazeis o objeto? Segurais com as mãos? Resp. – Não; nós o envolvemos em nós. 34. Traríeis com a mesma facilidade um objeto de peso considerável, de 50 quilos, por exemplo? Resp. – O peso nada representa para nós; trazemos flores porque isto talvez seja mais agradável do que um peso volumoso. 35. Por vezes há desaparecimento de objetos cuja causa é ignorada e que se poderia atribuir aos Espíritos? Resp. – Isto acontece freqüentemente; muito mais do que pensais. Tal ocorrência poderia ser remediada se pedíssemos ao Espírito para restituir o objeto desaparecido. 36. Há efeitos que são considerados como fenômenos naturais e que sejam devidos à ação de certos Espíritos? Resp. – Vossos dias estão repletos de fatos que não compreendeis, porque não pensastes neles, mas que um pouco de reflexão vos faria ver claramente. 37. Entre os objetos transportados, não se encontram alguns que podem ser fabricados pelos Espíritos, isto é, produzidos espontaneamente pelas modificações que estes imprimem ao fluido ou ao elemento universal? Resp. – Não por mim, pois para isso não tenho per-missão; só um Espírito elevado o pode. 38. Um objeto feito de tal maneira poderia ter estabilidade e tornar-se um objeto de uso? Se um Espírito me fi-zesse uma tabaqueira, por exemplo, poderia servir-me dela? Resp. – Poderia ter, se o Espírito o quisesse. Mas, também, poderia ser apenas para a vista e desvanecer-se ao cabo de algumas horas. Observação – Pode-se classificar na categoria dos fenô-menos de transporte os que se passaram na Rua des Noyers e que relatamos na Revista do mês de agosto de 1860, com a diferença de que, neste último caso, são produzidos por um Espírito malévolo, que apenas deseja causar perturbação, enquanto nos fenômenos aqui tratados são Espíritos benevolentes que procuram ser agradáveis e testemunhar simpatia. Nota – Sobre a teoria da formação espontânea dos objetos, vide O Livro dos Médiuns, capítulo intitulado Laboratório do Mundo Invisível.
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