Livros Espíritas
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Na época em que o globo terrestre era uma massa incandescente, não continha nenhum átomo a mais, nem a menos, do que hoje;⁶⁹ apenas, sob a influência dessa alta temperatura, a maior parte das substâncias que a compõem e que vemos sob a forma de líquidos ou de sólidos, de terras, de pedras, de metais e de cristais se achavam em estado muito diferente; sofreram unicamente uma transformação. Em consequência do resfriamento, os elementos formaram novas combinações. O ar, consideravelmente dilatado, devia estender-se a uma distância imensa; toda a água, forçosamente transformada em vapor, se encontrava misturada com o ar; todas as matérias suscetíveis de se volatilizarem, tais como os metais, o enxofre, o carbono, se achavam em estado de gás. O estado da atmosfera nada tinha, portanto, de comparável ao que é hoje; a densidade de todos esses vapores lhe dava uma opacidade que nenhum raio de sol podia atravessar. Se nessa época um ser vivo pudesse existir na superfície do globo, apenas seria iluminado pelos reflexos sinistros da fornalha que lhe estava sob os pés e da atmosfera esbraseada, nem mesmo suspeitando da existência do Sol.
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(⁶⁹) N.T.: Kardec não leva em conta os aerólitos nem a poeira cósmica que se vêm juntando à Terra com o correr dos tempos. Para mais detalhes quanto a este ponto, vide, na Revista espírita de setembro de 1868, o artigo intitulado: Aumento e diminuição do volume da Terra, sobretudo a dissertação do Espírito Galileu, ali contida. Tal artigo também se acha parcialmente comentado nesta obra, no cap. IX, item 15.
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