Livros Espíritas
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Este outro caso, já mencionado alhures (na obra Nossos filhos são espíritos): é o de um menino de sete anos que estava tendo um inesperado e singular problema na escola: entrava em pânico e, às vezes, não havia mesmo como convencê-lo a permanecer na sala de aula, junto dos demais coleguinhas. De outras vezes, concordava em ficar, desde que a irmãzinha mais velha - outra turma - ficasse ao seu lado enquanto ele assistia à aula. Todos os dias, o mesmo drama incompreensível, desde que começava a se preparar para ir à escola. Não que fosse uma criança particularmente difícil ou rebelde, mas ficar naquela sala de aula estava acima das suas forças. Não havia argumento ou castigo que o fizesse ceder. Familiarizados com os conceitos espíritas, os pais pensaram em alguma influência espiritual obsessiva, mas não atinavam com a maneira correta de proceder para eliminar ou contornar o estranho procedimento do menino. Estavam nesse 'impasse' quando, por intermédio de alguém da família, recorreu-se ao nosso grupo. Eis a página recebida: "Esta entidade está sob impacto de emoções do passado, adormecidas no seio de sua alma. Seu problema está ligado a uma vida anterior, na qual, em idade aproximada à que se encontra no momento, sofreu acidente fatal, em local semelhante - sala de estudos. Houve grande incêndio no qual pereceu. Imagens imprecisas se lhe desenham na mente e as emoções reprimidas afloram. Daí a insegurança, o medo, o desejo de evitar situação idêntica. "Pais e familiares da entidade poderão ajudá-la, reforçando-lhe a autoconfiança. Conversem com ela, afirmando-lhe que algo muito desagradável lhe aconteceu numa vida anterior, na qual foi vitimada, e, a seguir, assegurem-lhe que isso não acontecerá novamente. Que os pais a protegerão e que não tenha medo. "Esse procedimento deve ser repetido insistentemente, inclusive no período do sono físico, porque o espírito, mais livre, poderá melhor entender e assimilar. "Útil, também, aplicar passes magnéticos calmantes durante o culto no lar e no período do sono físico. "Que os pais se tranquilizem, evitando qualquer ansiedade, para que a entidade se sinta realmente protegida, segura, amparada. Amigos espirituais auxiliarão. "Não há problema de maior gravidade. A entidade está assustada e amedrontada. A mudança de atitude deverá resolver. Sobretudo, não usar a força e a coerção, que mais a assustariam, reforçando-lhe a insegurança e a sensação de desamparo. O amor, o carinho, a persuasão e a explicação da situação são as normas recomendadas." Como se vê, o espírito esclarece os motivos e sugere um tratamento adequado. Sem criticar ou censurar a atitude dos pais - que, na sua aflição, estavam exercendo certas pressões -, recomenda "mudança de atitude" para não agravar a sensação de insegurança, especialmente trágica, porque indefinida - o medo do desconhecido, o pior deles. Curioso, também, que o amigo espiritual considera a criança suficientemente amadurecida para uma explicação clara e positiva e não fantasiosa ou fictícia, dado que sugere aos pais que lhe falem do acidente na vida anterior. Interessante, ainda, destacar o conselho de que os pais deveriam falar-lhe enquanto ele dormia, para alcançar-lhe o espírito em condição de melhor assimilar o que lhe fosse dito, a fim de assegurar-lhe a presença protetora dos pais. CASO N° 3 Temos, aqui, uma jovem de brilhante inteligência, muito culta, tímida, inibida, de vida anterior concentrada e intensa. Exibia, também, sintomas evidentes de mediunidade, bloqueada, contudo, por inibições graves. "Esta entidade" - escreveu o orientador - "atravessa problemas normais, dentro do seu quadro provacional. Campo mental muito agitado. Procure pacificar-se. Confie em Dem e asserene-se. "Os problemas referentes à mediunidade são empecilhos colocados pela própria entidade, em passado remoto, quando gozou de faculdades mediúnicas, mas não as usou com equilíbrio. É preciso calma e humildade agora. Paciência para vencer os obstáculos. "Habitue-se a orar e meditar, pelo menos duas vezes ao dia, pela manhã e à noite, Com calma: sem ansiedade. "As faculdades concedidas à grande maioria das entidades encarnadas servem ao objetivo de reequilibrar e rearmonizar a pessoa, e não para grandes expressões fenomênicas. Esforce-se, mas sem ansiedade. Trabalhe, mas sem expectativa. Procure filiar-se a qualquer grupo de trabalho, onde se sinta bem-sintonizada e integrada. Faça sua parte. Está sob o amparo de entidades amigas", Aí está, pois, uma pessoa que parece ter exercido faculdades mediúnicas prioritariamente para produzir fenômenos espetaculares e em grupos mais ou menos irresponsáveis. Agora que a mediunidade precisa ser canalizada pare objetivos nobres, ela teme, inconscientemente, recair sob o domínio de determinados grupos, nos quais seja levada a cometer os mesmos equívocos do passado. Isto explica sua dificuldade em adaptar-se aos diversos grupos que tentou. Por isso, bloqueia suas faculdades, com o que represa uma energia que precisa liberar e deixa de cumprir uma tarefa para a qual veio programada, o que, no fundo, a inquieta e perturba. Nada, porém, de influências negativas por parte de espíritos perseguidores, Ao contrário, conta com amigos dispostos a ajudá-la, desde que ela faça a sua parte. CASO N° 4 Outra pessoa muito bem-dotada, tanto de recursos mediúnicos e de capacidade de traduzir, na psicografia, o pensamento dos espíritos que a procuram. Encontramos, nesta moça, a mesma dificuldade em adaptar-se a grupos mediúnicos, que vai abandonando sucessivamente, depois de algumas tentativas de adaptação. Há uma insatisfação permanente, um desejo de definir melhor o tipo de mediunidade, quando isso deve ser deixado, tanto quanto possível, aos próprios espíritos, como assinala Kardec. Parece um tanto preocupada com mensagens de teor filosófico ou poético - para as quais tem condições, obviamente - em prejuízo de tarefas mais humildes de serviço puro e simples ao próximo. Não se trata, contudo, de orgulho, pois é dotada de bom coração e ajuda com prazer os que sofrem. São muitos os problemas psicossomáticos, talvez pela mesma razão da pessoa do caso nº 3 - ou seja, mediunidade contida ou direcionada no sentido inadequado para ela. Este foi uma caso em que, em vez do orientador habitual, compareceu outro espírito, aliás, de elevada condição evolutiva e que se identificou. "Oh ! doce e suave mecanismo do tempo!" - começou ele. "Assim é que aqueles que se amaram e serviram, em nome de Deus, sempre voltam a encontrar-se! A eternidade a todos traz, aconchegados, tornando o tempo/hora sincopado na Terra fantasma que se esfumaça tão logo transcendam-se os limites da matéria. "Minha filha: há muito esperava eu a oportunidade de poder falar-lhe. Você tem compromisso, sim, mas não deve temê-lo. No passado de sombras da humanidade, ninguém há que possa orgulhar-se de não ter errado. Todos nós passamos por experiências fascinantes que poderiam ter-nos alçado à glória do bem e, no entanto, perdemos, por menosprezar a oportunidade. "Mediunidade é bênção, instrumento criativo e regenerador da alma. Não se deve temê-la, nem dela orgulhar-se, e, muito menos, considerá-la atividade humilhante de que se deva envergonhar. Servir é oportunidade única que ninguém deve desprezar. As dificuldades que encontramos em nossas realizações pessoais foram lá colocadas por nós mesmos, através de atos menos dignos, em vidas anteriores. Você tem sérios compromissos que não deve postergar. Não há justificativa para hesitações. Abrace com fé e carinho a bandeira de 'servir e passar' e avance para a frente, agradecendo à divindade pela sua misericórdia. O Senhor, em reconhecendo nossos propósitos de bem servir e melhorar, nos dará o amparo necessário. Siga os passos do cordeiro, com alegria e destemor. Em outra oportunidade, voltaremos. Paz com o Senhor e o carinho de um amigo de outras eras." Poderíamos nos alongar nos relatos, mas creio que a amostra é suficiente para uma avaliação do trabalho. É fácil de sentir a sua seriedade, a linguagem sóbria, positiva e até severa, mas sempre amorosa e construtiva. Nada de soluções miraculosas e mágicas, nem procedimentos estapafúrdios, como costurar a boca de um sapo, passar debaixo de uma escada à meia-noite ou recitar 'orações poderosas' para afugentar os males. Os problemas são os mesmos de sempre: equívocos e desvios, no passado, emergindo hoje. O remédio, também, é o mesmo de sempre: trabalho, luta, tenacidade, aceitação, humildade. A cura final é possível, ou para dizer mais enfaticamente, é uma certeza. Quanto tempo vamos levar para consegui-Ia? Isso é problema pessoal de cada um. Alguns desses casos foram acompanhados. Outros perderam-se de vista. Nem sempre se sabe do que aconteceu, mas é certo que nem todos se dispõem a tomar os remédios recomendados, porque sabem que são amargos. Não custa reiterar, contudo: não há soluções mágicas. Tem de ser tudo trabalhado, conquistado palmo a palmo, sofridamente, pois voltamos pelo mesmo caminho que fomos. Cair é fácil e rápido; subir de novo é que é difícil, cansativo, penoso mesmo. Mas que fazer, se a felicidade está do outro lado da montanha e não há passagens secretas para ela? Muita gente ignora ou se esquece de que a felicidade final já é nossa, já existe o lugar e já estão lá muitas das pessoas com as quais desejamos conviver, na paz imperturbável dos que venceram a si mesmos. Tudo aquilo é nosso, só nos falta chegar lá para a posse do que ninguém, conseguirá nos tirar.
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