Livros Espíritas
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Um dos capítulos a cujo estudo procedemos com tristeza foi o que aparece em "Nos Domínios da Mediunidade" com o título "Mediunidade transviada". Embora não tenha o Espiritismo nenhuma responsabilidade pela prática mediúnica que se realiza com ausência de Jesus, a leitura e a meditação de tal capítulo não deixam de causar dolorosa impressão aos que abraçam o Espiritismo e nele identificam, unicamente, um meio de servir à Humanidade sem a preocupação de recompensas. Para os que ainda duvidam de que "mediunidade não é Espiritismo", as elucidações do Assistente Áulus dissiparam, sem dúvida, os fracos vestígios de incerteza que ainda podiam subsistir na consciência dos que pensam, erroneamente, que, onde houver comunicação mediúnica, há de haver, forçosamente, Doutrina Espírita. Espiritismo é uma coisa e Mediunidade é outra. Espiritismo é um corpo de Doutrina, de elevado teor espiritual, consubstanciando normas e diretivas superiores que visam, primordialmente, à elevação do ser humano. Mediunidade é um dom que possibilita à criatura humana, de qualquer religião, veicular o pensamento e as idéias dos Espíritos. Essa é a verdade que todos proclamamos e que o Assistente Áulus ratifica em termos expressivos, ante a surpresa de Hilário: "— Hilário, é imprescindível recordar que não nos achamos diante da Doutrina do Espiritismo. Presenciamos fenômenos mediúnicos, manobrados por mentes ociosas, afeiçoadas à exploração inferior por onde passam, dignas, por isso mesmo, da nossa piedade. E não ignoramos que fenômenos mediúnicos são peculiares a todos os santuários e a todas as criaturas." Espírita é, pois, aquele que estuda, aceita e pratica com fidelidade os salutares princípios doutrinários, erigidos por edificante monumento tendente a operar, com o tempo, a renovação do espírito humano. Médium tanto pode ser o Espírita, como o Católico, o Protestante, e, mesmo, o Ateu ou o Materialista. Um padre, uma freira, um pastor, um taoísta, um budista, um xintoísta, um confucionista ou islamita podem ser médiuns. A conexão entre Espiritismo e Mediunidade e que leva a maioria do povo a considerá-los a mesma coisa, confundindo-os erroneamente, resulta da circunstância de ter o Espiritismo, nas suas admiráveis linhas doutrinárias, estabelecido normas seguras para o exercício da Mediunidade, classificando-a convenientemente. Da nossa literatura clássica, bem assim de compêndios subsidiários, constam apontamentos específicos sobre a mediunidade e sua prática, evidenciando-se, em todos esses apontamentos, a orientação para que os médiuns desenvolvam e cultivem as suas faculdades, tendo em vista o progresso geral. A Doutrina Espírita encara o mediunismo como um meio de que se serve Deus para auxiliar a Humanidade em seu esforço evolutivo. Os centros espíritas, de modo geral, tomam a si o encargo de orientar, em bases cristãs, o desenvolvimento mediúnico. Não convidam ninguém, mas abrem as suas portas a todos que lhes buscam o amparo na hora precisa. Tais ocorrências levam, portanto, os menos avisados a considerar o Espiritismo como responsável por toda expressão fenomênica, o que foge, substancialmente, à realidade dos fatos. Há Espíritos e médiuns em toda a parte: nos centros, nas igrejas e nos templos protestantes. Assim como existem espíritas que não cultivam a mediunidade, há médiuns que até odeiam o Espiritismo. Espiritismo, portanto, não é Mediunidade, nem Mediunidade quer dizer Espiritismo. A mediunidade, exercida em nome e sob a responsabilidade do Espiritismo Cristão, será sempre um instrumento de edificação para o seu possuidor, uma vez que, por ela, os aflitos serão consolados, os enfermos curados e os ignorantes esclarecidos. Podemos e devemos mesmo distinguir a mediunidade da seguinte forma: a) — Aquela que se exerce em função de objetivos superiores (Mediunidade com Jesus); b) — Aquela que se exerce em função de interesses inferiores (Mediunidade sem Jesus). Onde a mediunidade se exercite em função de objetivos subalternos, tais como, realizações de casamentos, solução de negócios materiais, obtenção de empregos, etc., somente a má fé ou a leviandade podem identificar a presença e a responsabilidade do Espiritismo. Agrupamentos que explorem os Espíritos, tratando de tais assuntos, não são "agrupamentos espíritas". Reunião de pessoas com o objetivo de influirem, maleficamente, na saúde e na vida do próximo, não é "reunião espírita". O Espiritismo, como Doutrina codificada, estabeleceu normas para o exercício da mediunidade. Toda prática mediúnica que foge a tais normas não pode nem deve receber a denominação de "prática espírita". A mediunidade que se orienta pelo Espiritismo é simples, sem ritual de qualquer espécie; sua finalidade é, exclusivamente, o bem e a elevação espiritual dos homens. Consultar e explorar os Espíritos sobre assuntos materiais é prática que a Doutrina Espírita não perfilha. Que se dêem, a tais práticas, a denominação que mais agrade aos seus apreciadores, menos a de "práticas espíritas". A exploração dos Espíritos não suficientemente esclarecidos, além de constituir atividade degradante e anti-fraterna, representa lastimável abuso pelo qual os responsáveis responderão oportunamente, seja na presente encarnação, como vítimas de terríveis obsessões, seja no Espaço ou no porvir, em futuras reencarnações. De modo geral, os que agem levianamente com os Espíritos, escravizando-os aos seus caprichos, sofrer-lhes-ão o assédio, transformando-se em criaturas obsidiadas. Ou, então, serão compelidos a defrontarem-se com tais Espíritos, após a desencarnação, ou a recebê-los, em futuras reencarnações, como filhos, a fim de lhes darem, no porvir, aquilo que agora lhes negam: orientação, amor e respeito. É o que se depreende, claramente, das seguintes palavras do Assistente Áulus, referindo-se às consequências da "mediunidade transviada": "— Na hipótese de não se reajustarem ao bem (os Espíritos que atendem consultas inferiores), tão logo desencarnem o dirigente deste grupo e os instrumentos medianímicos que lhes copiam as atitudes, serão eles surpreendidos pelas entidades que escravizaram, a lhes reclamarem orientação e socorro, e, mui provavelmente, mais tarde, no grande porvir, quando responsáveis e vítimas estiverem reunidos no instituto da consanguinidade terrestre, na condição de pais e filhos, acertando contas e recompondo atitudes, alcançarão pleno equilíbrio nos débitos em que se emaranharam." Conclui o Assistente Áulus esclarecendo que "cada serviço nobre recebe o salário que lhe diz respeito e cada aventura menos digna tem o preço que lhe corresponde". Atividade mediúnica onde os interesses inferiores, porque materiais, prejudicam o serviço de amparo aos necessitados, constitui processo de vampirização dos desencarnados pelos encarnados. Os Espíritos que se submetem a tais caprichos são dignos de nossa ajuda e do nosso carinho. E se hoje lhes recusamos esse carinho e essa ajuda, preferindo explorá-los e mantê-los na ignorância, amanhã seremos compelidos a recebê-los como filhos, a fim de lhes darmos, de todo o coração, o esclarecimento e o amor de que os privamos. Expostas essas considerações, que se imprimem no papel como símbolo e representação do nosso imenso amor à Doutrina Espírita, somos levados a situar em termos gráficos, para facilidade de nosso estudo e comentários, o doloroso problema da "mediunidade transviada": Definição: Mediunidade transviada é aquela que se exerce em função de interesses inferiores, à revelia, portanto, das salutares normas que o Espiritismo estabelece para o intercâmbio com os Espíritos. A "mediunidade transviada" se reveste, pois, das seguintes características: a) — Consultas e exploração de Espíritos ainda ignorantes sobre assuntos materiais (casamentos, negócios, empregos, etc.); b) — Consultas e exploração de Espíritos ainda ignorantes sobre assuntos espirituais inferiores (ação maléfica sobre a saúde e a vida do próximo). Quem se dedicar a esse gênero de atividade mediúnica não ficará impune. Apesar da piedade dos Elevados Instrutores, a lei do reajuste funcionará, inexoravelmente, determinando consequências dolorosas, tais como: a) — Perigo de obsessão resultante da estreita afinidade magnética que se estabelecerá entre os comparsas dessa atividade (médiuns, dirigente e Espíritos); b) — Encontro, após a desencarnação, em zonas inferiores, com tais entidades; c) — Reencontro, em futuras reencarnações, no círculo familiar, como pais e filhos. Há muitos recursos de auxílio a grupos que funcionem na base da invigilância e do desapreço aos valores espirituais. Esse auxílio, sincero e despretensioso, deve efetivar-se através de uma colaboração amiga, na qual se evidencie o propósito sadio de levar-lhes o pensamento e a ação edificantes. Eis, na opinião dos Amigos Espirituais, os meios pelos quais podemos ser úteis a tais agrupamentos: a) — Exortando-os, fraternalmente, através da conversação amiga, ao estudo evangélico e doutrinário; b) — Distribuindo livros, jornais, revistas e mensagens de teor educativo; c) — Realizando palestras evangélicas e doutrinárias impregnadas de sincera fraternidade, estimulando-os, amavelmente, ao trabalho com Jesus. A família espírita brasileira, muito numerosa na atualidade, pouco lê, ou melhor, "não estuda" como seria desejável em face do notável desenvolvimento do Espiritismo.
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