Livros Espíritas
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Moisés, evidentemente, partilhava das mais primitivas crenças sobre a cosmogonia. Como os homens do seu tempo, ele acreditava na solidez da abóbada celeste e em reservatórios superiores para as águas. Essa ideia se acha expressa sem alegoria, nem ambiguidade, nesta passagem (versículos 6 e seguintes): “Deus disse: Faça-se o firmamento no meio das águas para separar das águas as terras. Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam por cima do firmamento.” (Veja-se cap. V, “Antigos e modernos sistemas do mundo”, itens 3 a 5.) Segundo uma crença antiga, a água era tida como o princípio primitivo, o elemento gerador, de sorte que Moisés não fala da criação das águas, parecendo que elas já existiam. “As trevas cobriam o abismo”, isto é, as profundezas do espaço, que a imaginação figurava ocupada vagamente pelas águas, em plenas trevas, antes da criação da luz. Eis aí por que Moisés diz: “O Espírito de Deus pairava sobre as águas.” Tida a Terra como formada no meio das águas, era preciso isolá-la. Imaginou-se então que Deus fizera o firmamento — uma abóbada sólida — para separar as águas de cima das que estavam sobre a Terra. A fim de compreendermos certas partes da Gênese, faz-se indispensável que nos coloquemos no ponto de vista das ideias cosmogônicas da época que ela reflete.
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