Livros Espíritas
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Espiritos:
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É preciso que a visão da Alma se engrandeça, que a ave noturna, impossibilitada de encarar a aurora, fortaleça as pupilas e possa, assim como a águia, olhar de face o Sol, com olhar intrépido. Esse trabalho de preparação executa-se progressivamente, durante a demora, mais ou menos prolongada, no túnel que precede a vida errática propriamente dita. Pouco a pouco, vai a luz sendo feita; a princípio muito pálida, alba inicial que se ergue sobre a crista dos montes; depois, à alba sucede a aurora; aqui, a Alma entrevê o mundo novo em que habita; ela pode ler em si mesma, e se compreende, graças a uma luz sutil que a penetra em toda a sua essência. Gradualmente, todo o seu destino, com as vidas anteriores, e, antes de tudo, com a noção consciente e reflexa da última, vai revelando-se, qual em um clichê cinematográfico vibratório e animado. O Espírito, então, compreende o que é, onde está e o que vale. As Almas, por instinto infalível, vão para a esfera proporcionada a seu grau de evolução, à sua faculdade de iluminação, à sua aptidão atual de perfectibilidade. As afinidades fluídicas conduzem-na, qual doce mas imperiosa brisa que impele um batel, para outras Almas similares, com as quais vai unir-se em uma espécie de amizade, de parentesco magnético; e assim, a vida, uma vida verdadeiramente social, mas de grau superior, reconstitui-se, tal qual outrora na Terra, porque a Alma humana não poderia renunciar à sua natureza. A estrutura íntima, sua faculdade de irradiação, lhe impõe a sociedade que merece. No Além, as famílias, os grupos de Almas e os círculos de Espíritos reformam-se segundo as leis de afinidade e simpatia. O purgatório é visitado pelos anjos, dizem os místicos teólogos. O mundo errático é visitado, dirigido, harmonizado pelos Espíritos superiores, dizemos nós. Aqui, em nosso orbe terráqueo, entre os eleitos pelo gênio, pela santidade e pela glória, houve e haverá sempre iniciadores. São predestinados, missionários que receberam por encargo fazer progredir o mundo na Verdade e na Justiça, com o preço de seus esforços, de suas lágrimas e, algumas vezes, de seu sangue. As altas missões da Alma jamais cessam. Os Espíritos sublimes, que têm instituído e melhorado seus semelhantes na Terra, continuam em mundo superior, em quadro mais vasto, seu apostolado de luz e sua redenção de amor. Conforme dissemos no início destas páginas, é assim que a História eternamente recomeça e se torna cada vez mais universal. A lei circulatória que preside ao eterno progresso dos Estados e dos mundos desenrola-se sem cessar em esferas e mundos cada vez mais engrandecidos; tudo recomeça no Alto, em virtude da mesma lei que faz tudo evolver no plano inferior. Todo o segredo do Universo aí está. As Almas, a quem a consciência acusa de haver falhado na última existência, compreenderam a necessidade de reencarnar, e preparam-se para isso. Tudo se agita, tudo se move nessas esferas, sempre em vibração, sempre em movimento. É a atividade incessante, ininterrupta, progressiva, eterna. O trabalho dos povos na Terra nada é, em comparação com esse labor harmonioso do Universo. Lá em cima, nenhum empecilho material, nenhum obstáculo carnal faz parar os surtos, nem entibia ou enfraquece o vôo. Nenhuma hesitação, nenhuma ansiedade, nenhuma incerteza. A Alma vê o fim, sabe os meios, precipita-se no sentido em que se deve dirigir. Quem nos poderá descrever a harmonia dessas inteligências puras, o esforço dessas vontades firmes, o impulso desses amores mais fortes que a morte? Que linguagem poderá descrever a comunhão sublime e fraternal desses Espíritos que mantém entre si diálogos ardentes quanto o é a luz, sutis quanto o são os perfumes, onde cada vibração magnética tem eco no próprio imo de Deus? Tal é a vida celeste; tal é a vida eterna; são essas perspectivas que a morte abre definitivamente diante do Espírito! Ó homem! Compreende, pois, teu destino, sê altivo e feliz de viver; não blasfemes da lei de amor e beleza que abre diante de ti caminhos tão amplos e radiosos! Aceita a vida tal qual é, com as suas fases, alternativas, vicissitudes; ela é o prefácio, o prelúdio de uma outra vida mais elevada, onde planarás qual águia na imensidade, depois de haveres penosamente rastejado em um mundo material e imperfeito. Não é, pois, com um hino fúnebre que devemos acolher a morte, e sim com um cântico de vida, porque não é o astro da tarde que se ergue cruel, mas a estrela radiosa da verdadeira manhã. Canta ó alma, o hino triunfal, o hosana do novo século, no qual tudo irá nascer para destinos mais gloriosos. Sobe sempre mais alto na pirâmide infinita da luz; e, semelhante ao herói da legenda do Excelsior, vai fixar tua tenda nos Tabores radiosos do Incomensurável, do Eterno!
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