Livros Espíritas
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“Dizem que o Sr. T... magnetizou o seu cão. A que resultado chegou? Matou-o, porque esse infeliz animal morreu depois de haver caído numa espécie de atonia, de langor, consequentes à sua magnetização. Com efeito, saturando-o de um fluido haurido numa essência superior à essência especial da sua natureza de cão, ele o esmagou, agindo sobre o animal à semelhança do raio, ainda que mais lentamente. Assim, pois, como não há assimilação possível entre o nosso perispírito e o envoltório fluídico dos animais propriamente ditos, nós os esmagaríamos instantaneamente, caso os mediunizássemos. “Isto posto, reconheço perfeitamente a existência de aptidões diversas nos animais; que certos sentimentos, certas paixões, idênticas às paixões e aos sentimentos humanos, se desenvolvem neles; que são sensíveis e reconhecidos, vingativos e odientos, conforme se procede bem ou mal com eles. É que Deus, que nada fez incompleto, deu aos animais — companheiros ou servidores do homem — qualidades de sociabilidade que faltam inteiramente nos animais selvagens, habitantes das solidões. Mas daí a poderem servir de intermediários para a transmissão do pensamento dos Espíritos, há um abismo: a diferença das naturezas. “Sabeis que tiramos do cérebro do médium os elementos necessários para dar ao nosso pensamento uma forma que vos seja sensível e apreensível. É com o auxílio dos materiais que possui que o médium traduz o nosso pensamento em linguagem comum. Pois bem! Que elementos encontraríamos no cérebro de um animal? Haveria ali palavras, números, letras, sinais quaisquer, semelhantes aos que existem no homem, mesmo na criatura menos inteligente? Entretanto, direis, os animais compreendem o pensamento do homem, chegando até mesmo a adivinhá-lo. Sim, os animais adestrados compreendem certos pensamentos, mas já os vistes alguma vez reproduzi-los? Não. Deveis então concluir que os animais não nos podem servir de intérpretes. “Resumindo: os fatos mediúnicos não podem manifestar-se sem o concurso consciente ou inconsciente dos médiuns, e é somente entre os encarnados, Espíritos como nós, que podemos encontrar os que nos possam servir de médiuns. Quanto a adestrar cães, pássaros ou outros animais, para que façam tais ou tais exercícios, é problema vosso, e não nosso.” ERASTO NOTA – Na Revista espírita de setembro de 1861 encontra-se a explicação minuciosa de um processo empregado pelos adestradores de pássaros-sábios, com o fim de fazê-los tirar de um maço as cartas que quiserem.
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