Livros Espíritas
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Absolutamente entregue às tuas próprias criações individualistas, não foste fiel aos princípios esposados, ao passo que Zenóbia perseverou no sacrifício e na fé viva até ao fim, embora esmagada ao peso das diárias humilhações ao seu ideal de mulher. Erraste para satisfazer a ti mesmo, incapaz de acalmar as paixões inferiores que te ardiam no peito, enquanto nossa venerável amiga aceitava, humilde, as circunstâncias que lhe atormentaram o ser, anos seguidos, em benefício de todos nós. Pondera, pois, Domênico! Qual teria sido a verdadeira vítima? Poderemos comparar a abnegação com a insensatez? Percebia-se que a elevada orientadora se ligava aos dois, através dos fios de doloroso romance que não nos era dado conhecer. Domênico escutou compungidamente as observações, calou-se longo tempo, internado talvez no plano de longínquas recordações e concluiu, tristemente: — É verdade!… — Compete-nos, agora, — falou Ernestina, com brandura, — avançar para alcançá-la. Nesse instante, embora discretamente, Zenóbia começou a chorar, contemplando-lhe o rosto, debruçada sobre ele e, certo, em obediência ao vigoroso desejo da diretora da Casa Transitória, Domênico sentiu que as gotas quentes de pranto lhe caíam na face melancólica. Fixou os olhos maternais com expressão indagadora, e, reconhecendo que semelhantes lágrimas não tinham aí sua origem, perguntou, angustiado: — Oh! Minha mãe, quem estará chorando sobre mim? A benfeitora carinhosa, cujo olhar descortinava todas as particularidades da cena comovente, respondeu sob forte emoção: — Os anjos choram de júbilo nas regiões celestes, quando um coração sofredor se levanta do abismo… O ex-sacerdote meditou longos momentos, dando-nos a impressão de enorme alívio. Compreendendo a oportunidade feliz, Ernestina convidou-o: — Vamos, filho. Movido pela Misericórdia Divina, o relógio do tempo fez soar para teu Espírito a hora abençoada da redenção. A porta do resgate abre-se de novo à tua alma oprimida. Que o Céu nos abençoe! — Irei contigo, mãe, aonde quiseres, — respondeu o infortunado, sem amargura. A venturosa mãe endereçou-nos expressivo olhar de agradecimento, enlaçou-o nos braços, como se o fizesse a uma criança enferma, e partiu, suportando o valioso fardo, em direção à Crosta Planetária, a desafiar, jubilosa e feliz, as sombras densas… Novamente a sós, reparei que a Irmã Zenóbia se mantinha transfigurada, ditosa. Enxugou as lágrimas, revelando nos olhos alegrias desconhecidas. Estendeu-nos a destra, em sinal de gratidão e contentamento. E contemplando, talvez, a paisagem do futuro, demorou-se em meditação, na qual, certamente, enviava seu hino interior de reconhecimento ao Altíssimo. Em seguida, fixou-nos, tranquila, e falou: — Irmãos, que o Senhor lhes recompense a colaboração fraternal, repartindo com todos a felicidade que me atingiu. Graças a Ele e aos dedicados amigos, acabo de vencer uma grande batalha na guerra do amor contra o ódio, da luz contra as trevas e do bem contra o mal, em que me encontro empenhada, desde muitos anos. Logo após, atendendo ao plano de trabalho organizado pela sábia orientadora, reuníamo-nos aos diversos auxiliares que se detinham a distância, a fim de nos comunicarmos com os filhos da ignorância e do infortúnio, temporários habitantes do abismo.
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