Livros Espíritas
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Observação – Se não são milagres, na acepção rigorosa da palavra, não sabemos a que se pode dar esse nome; e se são, em sua maioria, ilusões de óptica, essas ilusões se afastam singularmente das leis da Natureza, e elas próprias seriam milagres, porquanto jamais se viu o raio cair e as muralhas desabarem por efeitos de óptica. O que ressalta de mais claro desta explicação é a dificuldade em distinguir os verdadeiros milagres dos falsos, e de fazer, nos efeitos dessa natureza, a parte dos santos e a do diabo. “Ao mesmo tempo que ferirá todos os espíritos de espanto e admiração, o Anticristo, para ganhar todos os corações, exibirá todas as aparências da mais austera virtude. Enquanto se entrega à mais vergonhosa devassidão no fundo do seu palácio, aparentará temperança e caridade. Prodigalizando ouro e prata em seu redor, fará grandes bens aos pobres e não haverá em toda parte senão concertos e louvores por sua beneficência e sua caridade. Vê-lo-ão cada dia passar horas inteiras em prece no seu templo; numa palavra, ele se cobrirá com o manto da hipocrisia com tanta habilidade, que mesmo os seus mais fiéis servidores serão persuadidos de sua virtude e de sua santidade. “Entretanto, o Senhor não deixará seus filhos sem defesa e sem socorro durante esses tempos de provação. Enoque e Elias voltarão à Terra para pregar a palavra de Deus, sustentar a coragem dos fiéis e desmascarar as imposturas dos falsos profetas. Durante mil duzentos e sessenta dias, ou três anos e meio, percorrerão o mundo, exortando todos os homens a fazer penitência e a voltar ao culto de Jesus-Cristo. Oporão verdadeiros milagres aos pretensos prodígios do Anticristo e de seus apóstolos... Mas, depois de terem acabado o seu testemunho, a besta que sobe do abismo (o Anticristo) lhes fará guerra, os vencerá e os matará.” Observação – Não se poderia afirmar mais claramente a reencarnação. Não é aqui uma aparência, uma ilusão de óptica, é bem a reencarnação em carne e osso, pois os dois profetas são mortos. “Então o orgulho do Anticristo não conhecerá mais limites. Orgulhoso da vitória que acaba de conquistar sobre os dois profetas que afrontavam tão impunemente o seu poder há três anos e meio, mandará construir um trono magnífico no Monte das Oliveiras e lá, cercado de uma legião de demônios transformados em anjos de luz, far-se-á adorar pela imensa multidão que será reunida para gozar de seu triunfo. “Mas, chegado o vigésimo quinto dia, o corpo dos dois profetas, animado pelo sopro de Deus, ressuscitará e eles subirão ao céu, brilhantes de glória, à vista da multidão espantada. Enceguecido pela cólera e pelo ódio, o Anticristo anunciará que vai subir ao céu para buscar os seus inimigos e os precipitar na Terra. Com efeito, partindo nas asas dos demônios que o cercam, ele se elevará nos ares; mas nesse momento o céu se abrirá e o Filho do Homem aparecerá sobre uma nuvem luminosa. O Anticristo será precipitado do céu com seu cortejo de demônios e, fendendo-se a terra, descerá vivo para o inferno... “Então o fim do mundo estará próximo. Não se escoarão mais anos, nem meses, mas poucos dias, último termo dado aos homens para fazer penitência. Os prodígios mais assustadores se sucederão sem parar, até que o mundo inteiro pereça numa imensa perturbação. “Eis o que anuncia Holzauzer, e isto não é senão a explicação do que está contido no Apocalipse; é a doutrina de todos os Pais da Igreja, encerrada no Evangelho e nos Atos dos Apóstolos.” Observação – Assim, pois, acabará o mundo! Não é o sonho de um homem, é a doutrina de todos os Pais, que são a luz da Igreja. Aqueles de nossos leitores que apenas têm uma vaga idéia do Anticristo nos agradecerão, porque fizemos que o conhecessem com alguns detalhes, conforme as autoridades competentes. Se não há senão quarenta e três anos à sua frente, não tardaremos a ver esse reino maravilhoso. Por esses sinais reconheceremos a aproximação da data fatal. O que há de estranho nesse relato é a obliteração do poder de Deus e de sua Igreja diante do Anticristo. Com efeito, após um triunfo de curta duração, a Igreja sucumbe novamente para não mais se erguer; a fé de seus ministros não é bastante grande para impedir a corrupção de introduzir-se até no santuário. Não é uma confissão ingênua de fraqueza e de impotência? São coisas que se pode pensar, mas é inabilidade gritar de cima dos telhados. Teria sido deveras surpreendente que o Espiritismo não tivesse encontrado lugar nessa predição. Com efeito, ele aí está indicado como um dos sinais dos tempos, e eis em que termos. Não é mais Holzauzer quem fala, é o autor da brochura: “Mas eis que esses ruídos se precisam, que esses terrores, que parecem quiméricos, tomam consistência e se formulam claramente. O fim do mundo se aproxima, gritam de todos os lados! Na Europa, nos países católicos, recordam-se as velhas profecias que, todas, anunciam esse grande acontecimento para a nossa época... “Não são senão os Espíritos batedores que dão o alarme. Abri O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e lede na primeira página, nos prolegômenos, as palavras seguintes: ‘Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade’.” Observação – Não vemos que anunciar a regeneração da Humanidade seja anunciar o seu fim; estas duas idéias se contradizem. Os Espíritos, em vez de darem o alarme, vêm trazer a esperança. “Logo de começo o profeta Joel nos diz: ‘Naqueles tempos a magia cobrirá toda a Terra, e ver-se-ão até crianças de peito fazendo coisas extraordinárias e discursando como pessoas grandes.’” “O Espiritismo, esta magia do século dezenove, invadiu o mundo. Há apenas alguns anos, na América, na Inglaterra, na França, fenômenos admiráveis, inauditos, excitaram a curiosidade geral. Móveis inertes, animando-se à vontade dos operadores, entregavam-se às mais fantásticas evoluções, e respondiam sem hesitação às perguntas que lhes dirigiam. Buscou-se qual podia ser a causa inteligente desses efeitos inteligentes. As mesas responderam: São Espíritos, as almas dos homens que a morte levou, que vêm comunicar-se com os vivos. Novos fenômenos se produziram. Ouviram-se como que golpes batidos nos móveis, nas paredes das casas; viram-se objetos, movendo-se espontaneamente; ouviam-se vozes, sinfonias; viram-se mesmo aparições de pessoas mortas há muito tempo. Os prodígios se multiplicavam. Era preciso querer para ver; era preciso ver para ficar convencido. “Em breve uma nova religião se organizou. Interrogados, os próprios Espíritos redigiram um código de sua nova doutrina. Foi, é preciso confessar, um sistema filosófico admiravelmente bem combinado sob todos os aspectos. Jamais o mais hábil sofista soube tão bem disfarçar a mentira e o paradoxo. Não podendo, sem desvendar sua origem e despertar suspeitas, quebrar de um golpe as idéias de Deus e de virtude, os Espíritos começam reconhecendo altamente a existência de Deus, a necessidade desta virtude; mas fazem tão pouca diferença entre a sorte dos justos e a dos maus, que se é forçosamente levado, por essas crenças, a satisfazer a todas as suas paixões e a buscar na morte um refúgio contra a infelicidade. O crime e o suicídio são as duas conseqüências fatais desses princípios que, à primeira vista, parecem marcados por uma moral tão bela e tão pura. “Para explicar a anomalia dessas comunicações de além-túmulo, os Espíritos não puderam deixar de anunciar, como vimos, que os tempos marcados pela providência tinham chegado; mas, não querendo falar do fim do mundo, o que absolutamente não entrava em seu sistema, acrescentaram: para a regeneração universal da Humanidade.” Observação – Por uma singular coincidência, no mesmo dia, 24 de fevereiro, em que nos chegou essa brochura, que nos era enviada por um de nossos correspondentes de Lyon, e no momento que líamos estes últimos parágrafos, recebemos das cercanias de Boulogne-sur-Mer uma carta, da qual extraímos as seguintes passagens: “É do fundo de um vale obscuro do Boulonais que vos chegam estas poucas palavras, reflexos de uma existência sofredora; porque o Espiritismo penetra por toda parte, para espalhar a luz e as consolações. Pessoalmente, quanto alívio não lhe devo, bem como a vós, senhor, que sois o seu dispensador! “Nascido de pais muito pobres, carregados de oito filhos, dos quais sou o mais velho, ai! até agora não ganhei o meu pão, embora tenha vinte e nove anos, pela debilidade de minha constituição. Juntai a isto uma propensão inata ao orgulho, à vaidade, à violência, etc., e julgai o que tive de suportar de males, na minha miserável condição, antes que o Espiritismo tivesse vindo explicar-me o enigma de meu destino. Cheguei a tal ponto que resolvi suicidar-me. “Para este fim, para acalmar as minhas apreensões e as censuras de minha consciência, eu me tinha dito, na minha fé de católico: Ferir-me-ei com um golpe que, embora mortal, não me fará morrer instantaneamente e me deixará dispor de alguns instantes de vida, suficientes para que eu tenha a possibilidade de me confessar, comungar e manifestar o meu arrependimento; numa palavra, de me pôr em condições de me assegurar uma vida ditosa no outro mundo, escapando aos males deste. “Meu raciocínio era muito absurdo, não acha, senhor?
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