Livros Espíritas
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Dissemos que a pastoral do Sr. bispo de Argel não havia detido o ímpeto do Espiritismo naquela região. O resumo seguinte de duas cartas, entre muitas outras análogas, disto nos dá uma idéia: “Caro e venerado mestre: ao confirmar-vos a minha carta anterior, por ocasião da circular do Sr. bispo de Argel, venho renovar os protestos invioláveis de afeição que unem todos os espíritas do nosso grupo à santa e sublime doutrina do Espiritismo, doutrina que jamais nos persuadirão de ser obra do diabo, por nos haver arrancado da dúvida e do culto da matéria, tornando-nos melhores uns para com os outros, mesmo para com os nossos inimigos, pelos quais oramos diariamente. Como no passado, continuamos nos reunindo e recebendo as instruções de nossos Espíritos protetores, que nos asseguram que tudo quanto se passa é para o melhor e segundo os desígnios da Providência. Todos nos dizem que estão próximos os tempos em que grandes mudanças vão operar-se nas crenças, às quais o Espiritismo servirá de elo para levar todos os homens à fraternidade...” Uma outra carta diz: “A pastoral do Sr. bispo de Argel forneceu ao nosso cura assunto para um sermão fulminante contra o Espiritismo, sobretudo em razão de sua eloqüência. Engano-me, porque causou tão forte impressão sobre vários zombadores que estes, vendo o Espiritismo tomado a sério pela autoridade eclesiástica, se disseram que ali deveria haver algo de sério. Puseram-se então a estudá-lo e agora não riem mais e são dos nossos. Aliás, o número de espíritas continua a aumentar e vários novos grupos estão se formando.” Toda a nossa correspondência é no mesmo sentido e não assinala uma só defecção, mas apenas alguns indivíduos que, por sua posição dependente da autoridade eclesiástica, vêem-se obrigados a não se porem em evidência, sem, contudo, deixarem de se ocupar do Espiritismo na intimidade ou no silêncio do gabinete. Pode-se impor atos exteriores, mas não dominar a consciência. A comunicação que se segue comprova que o ímpeto não diminuiu, seja da parte dos Espíritos, seja da parte dos homens: “Sétif, 17 de setembro de 1863. “Meus amigos, venho a vós cheio de alegria, vendo o Espiritismo fazer rápidos progressos, diariamente haurir novas forças, em meio aos entraves que lhe opõem. Essas forças não são apenas as do número, mas, também, da união, da fraternidade, da caridade. Tende, pois, confiança, esperança e coragem, marchando nesta santa via do progresso espírita, da qual nenhuma força humana vos desviará. “Não obstante, esperai a luta e preparai-vos para a sustentar. Lá estão os inimigos a forjar-vos pesadas cadeias, com as quais vos esperam vencer e domar. Que farão contra a vontade de Deus, que vos protege? Os fundamentos de sua lei se elevarão, a despeito de todas as dificuldades. Os servos do Todo-Poderoso estão cheios de ardor e zelo; não se deixarão abater; resistirão a todos os ataques; seguirão sua rota sempre e apesar de tudo; os entraves e as cadeias se quebrarão como se fossem de vidro. “Eu vos digo, velai, orai, estendei a mão aos infelizes, abri os olhos que estão fechados; que vossos corações e vossos braços a todos se abram, sem exceção. Espíritas, vossa tarefa é bela! Que há de mais belo, de mais consolador que esse pacto de união entre os vivos e os mortos? Que imensos serviços nos poderemos prestar mutuamente! Por vossas preces a Deus, partidas do fundo do coração, muito podeis para o alívio das almas que sofrem e quão suave é o benefício ao coração de quem o pratica! Que tocante harmonia a das bênçãos que houverdes merecido! Ainda uma vez, orai elevando vossa alma ao céu e persuadi-vos de que cada uma de vossas preces será ouvida e atenuará uma dor. Compreendei bem que quanto mais homens levardes a vos imitar, mais poderoso será o conjunto de vossas preces. Tomai os homens pela mão e conduzi-os ao verdadeiro caminho, onde aumentarão a vossa falange. Pregai a boa doutrina, a doutrina de Jesus, a que o Divino Mestre ensina em suas comunicações, que não fazem senão repetir e confirmar a doutrina dos Evangelhos. Os que viverem verão coisas admiráveis, eu vo-lo digo. P. – É preciso responder a essa pastoral pela imprensa? Resp. – Meu Deus! permiti-me dizer o que penso! Eles estabeleceram uma rota. Varrem-na, para que o povo passeie com mais comodidade e em maior número; assim, a multidão vem comprimir-se. Deveis compreender minha linguagem, um tanto enigmática. Vosso dever de espíritas é mostrar-lhes que abriram uma porta, ao invés de fechá-la. São José Observação – Esta comunicação foi obtida por um operário, médium completamente iletrado e que mal assinava o nome. Depois que se tornou médium, escreve um pouco, mas com extrema dificuldade. Não se pode, assim, supor que a dissertação acima seja obra de sua imaginação.
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