Livros Espíritas
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Há mundos de pureza e mundos em deslizes: Reinam sem objeção sobre os mundos felizes Três cetros divinais – são honra, amor, justiça, Da ordem social cimentando a premissa; E amados sem cessar pelos seus habitantes, Constituem penhor de venturas constantes. De outros globos, girando em lôbregas vertigens, Não aprovados são dos anjos, nas origens, Esses mundos que, enfim, sofrem sua desgraça, Pelas suas trocando as leis de Deus sem jaça; E sobre o solo seu brama horrível tormenta, Na qual a multidão impura se lamenta. Nosso globo noviço, em seus passos primeiros, Até hoje flutua entre esses dois roteiros. Ultrajando a moral e a própria Natureza, Quando um mundo do crime excede-se em defesa; Quando o povo mergulha em prazeres frementes, Os ouvidos fechando aos profetas videntes; Que o Verbo divino o mais ligeiro traço Nesse mundo se apaga enceguecido e baço, Então do Onipotente a cólera a ferver Sobre o rebelde cai e o leva a perecer: Arcanjos da justiça, então de asas possantes, Batem na ímpia Terra... e os mares ululantes De sua imensa altura, indo além de seus níveis, Precipitam no solo os vagalhões terríveis; Estrondeiam vulcões num ribombar profundo, Pelo éter dispersando os resíduos do mundo; E o Soberano Ser, cuja vingança explode, Destrói o globo atroz que nele crer não pode! Nossa Terra medíocre é uma estância de prova, Onde o justo sofrendo, em prantos se renova, Que a lágrima depura e eleva o coração, Lhe preparando o mundo para evolução. Não é portanto em vão que o sono repousante, Num transporte nos leva a um sonho inebriante, E num rápido impulso estamos conduzidos Num novo astro de luz de brilhos refulgidos; Onde cremos vagar por verdejantes prados Corridos sem cessar por seres ajuizados; Nós vemos este globo adornado de sóis Brancos, rubros, azuis como nos arrebóis, Que, em seus ares, fulgindo os tons mais variados, Deixam de almos clarões os campos matizados!... Se manténs neste mundo um coração, A esses globos irás de aspecto luxuoso Onde risonha é a paz junto à sabedoria, Ali só reina o bem em eterna harmonia. Sim, tua alma percebe as radiosas moradas Que os favores do Céu fazem embelezadas, Onde a alma se depura e sobe, pouco a pouco, Enquanto o mau regride em seu caminho louco. Mas o reino do mal, em seus anéis fatais, Desce de giro em giro a abismos infernais. Espelho que reflete imagens de universos, Nossa alma pressagia os destinos diversos. A alma, energia viva, reage os seus sentidos, Que lhe atendem de pronto aos mínimos pedidos – Que como chama presa em um vaso de argila, Com seu forte calor a prisão aniquila – A alma que ainda retém lembrança do passado E às vezes sabe ler no futuro afastado, Não a centelha só desse fogo vital, Tu sentes mesmo, em ti, que tua alma é imortal. Nas regiões do espaço e em toda a eternidade, Guardando a sua estada e sua identidade, A alma nunca morre, apenas se transporta, E, de asilo em asilo, ela sempre se exorta. Nossa alma ao se isolar do mundo exterior, Poderá conquistar um sentir superior; E pela embriaguez de um sonho então magnético, Se armar de outra visão ou de algum dom profético; Ao libertar-se, pois, dos liames terrenais, Facilmente percorre os planos celestiais; E, de um salto veloz, lança-se ao firmamento, Vê através de tudo e lê o pensamento.
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