Livros Espíritas
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João Gaspar Lavater Zurique, 18 de agosto de 1798 (Continua proximamente, se Deus o permitir.) Já se pode ver em que ordem de idéias Lavater escrevia à imperatriz Maria, e até que ponto possuía a intuição dos princípios do Espiritismo moderno. Poder-se-á julgá-lo melhor ainda pelo complemento dessa correspondência notável. Esperando as reflexões com que a seguiremos, cremos dever, desde já, fazer notar um fato importante: é que para sustentar uma correspondência sobre semelhante assunto com a imperatriz, era preciso que esta partilhasse dessas idéias, e várias circunstâncias não permitem duvidar que o mesmo se passava com o czar, seu esposo. Era a pedido dela, ou melhor, a pedido de ambos, que Lavater escrevia, e o tom de suas cartas prova que ele se dirigia a pessoas convictas. Como se vê, as crenças espíritas, nas altas regiões, não datam de hoje. Aliás, pode-se ver, na Revista de abril de 1866, o relato de uma aparição tangível de Pedro, o Grande, a esse mesmo Paulo I. Lidas na Sociedade de Paris, as cartas de Lavater provocaram uma conversação a propósito. Paulo I, sem dúvida atraído pelo pensamento que na ocasião lhe era dirigido, manifestou-se espontaneamente e sem evocação, por um dos médiuns, ao qual ditou a seguinte comunicação. (Sociedade de Paris, 7 de fevereiro de 1868 – Médium: Sr. Leymarie) O poder é coisa pesada, e os aborrecimentos que deixa impressionam dolorosamente a nossa alma! Os dissabores são contínuos; é preciso conformar-se aos hábitos, às velhas instituições, ao preconceito, e Deus sabe quanta resistência é necessária para se opor a todos os apetites que vêm bater no trono, como ondas tumultuosas. Assim, que felicidade quando, deixando um instante essa túnica de Nessus, chamada realeza, a gente possa recolher-se a um lugar pacífico, a fim de poder repousar em paz, longe do ruído e do tumulto das ambições! Minha cara Maria gostava da calma. Natureza sólida, doce, resignada, amante, teria preferido o esquecimento das grandezas para se devotar completamente à caridade, para estudar as altas questões filosóficas que eram da alçada de suas faculdades. Como ela, eu gostava desses recreios intelectuais; eram um bálsamo para as minhas feridas de soberano, uma força nova para me guiar no dédalo da política européia. Lavater, esse grande coração, esse grande Espírito, esse irmão predestinado, nos iniciava em sua sublime doutrina; suas cartas, que hoje possuís, eram por nós esperadas com ansiedade febril. Tudo o que elas encerram eram a miragem dos nossos ideais pessoais; líamos essas cartas queridas com uma alegria infantil, felizes por depor a nossa coroa, a sua gravidade, a sua etiqueta, para discutir os direitos da alma, sua emancipação e seu curso divino para o eterno. Todas essas questões, hoje muito ardentes, nós as aceitamos há setenta anos; elas faziam parte de nossa vida, de nosso repouso. Muitos efeitos estranhos, aparições e ruídos tinham fortificado a nossa opinião a esse respeito. A imperatriz Maria via e ouvia os Espíritos; por eles ela tinha sabido dos acontecimentos passados a grandes distâncias. Um príncipe Lopoukine, morto em Kiew, a várias centenas de léguas, tinha vindo nos anunciar a sua morte, os incidentes que tinham precedido a sua partida, a expressão de suas últimas vontades. A imperatriz tinha escrito, ditado pelo Espírito Lopoukine, e só vinte dias depois se ficou sabendo na corte de todos os detalhes que possuíamos. Foram para nós uma confirmação estrondosa, e também a prova de que Lavater e nós éramos iniciados nas grandes verdades. Hoje, conhecemos melhor, por vós, a Doutrina cuja base alargastes. Viremos vos pedir alguns instantes e vos agradecer antecipadamente, se vos dignardes escutar Maria da Rússia e aquele que teve o privilégio de a ter por companheira. Paulo I
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