Livros Espíritas
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Essa ideia sobre a natureza do corpo de Jesus não é nova. No quarto século, Apolinário, de Laodiceia, chefe da seita dos apolinaristas, pretendia que Jesus não tomara um corpo como o nosso, mas um corpo impassível, que descera do céu ao seio da santa Virgem e que não nascera dela; que, assim, Jesus não havia nascido, nem sofrido, nem morrido, senão em aparência. Os apolinaristas foram anatematizados no concílio de Alexandria, em 360; no de Roma, em 374; e no de Constantinopla, em 381. Os docetas (do grego dokéō, aparecer), seita numerosa dos gnósticos, que subsistiu durante os três primeiros séculos, tinham a mesma crença.⁵⁰
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(⁵⁰) N.T.: Nas três primeiras edições de A gênese, todas publicadas em 1868, o capítulo XV é composto de 68 itens, em vez de 67, como consta na edição definitiva de 1869. Ao revisar a obra com vistas à 4a edição, Allan Kardec houve por bem suprimir o item 67, que constava nas edições anteriores, e renomear o item 68, tal como aparece nesta e em outras traduções da mesma obra, publicadas no Brasil e no estrangeiro. Não obstante, transcrevemos, pelo seu inestimável valor histórico, o item 67 das três primeiras edições de A gênese: “67. Em que se transformou o corpo carnal [de Jesus]? É um problema cuja solução não se pode deduzir, até nova ordem, senão por hipóteses, em falta de elementos suficientes para se firmar uma convicção. Essa solução, aliás, é de importância secundária e nada acrescentaria aos méritos do Cristo, nem aos fatos que atestam, de maneira muito mais peremptória, sua superioridade e sua missão divina. Não pode, pois, haver sobre a maneira pela qual se operou esse desaparecimento, senão opiniões pessoais, que só teriam valor se fossem sancionadas por uma lógica rigorosa e pelo ensino geral dos Espíritos. Ora, até o presente, nenhuma das que foram formuladas recebeu a sanção do duplo controle. Se os Espíritos ainda não decidiram a questão pela unanimidade de seus ensinos, é sem dúvida porque o momento de resolvê-la ainda não chegou, ou por faltarem conhecimentos sem o auxílio dos quais a questão possa ser resolvida por si mesma. Enquanto se espera, e se afastamos a suposição de um rapto clandestino, podemos encontrar, por analogia, uma explicação provável na teoria do duplo fenômeno dos transportes e da invisibilidade. (O livro dos médiuns, capítulos IV e V.)”
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