Livros Espíritas
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Não podemos, em sã consciência, ressaltar este ou aquele capítulo do livro "Nos Domínios da Mediunidade". Todo ele é um repositório de valiosas lições, repletando-se de oportunos esclarecimentos relativos aos problemas mediúnicos. A análise do capítulo "Dominação telepática" põe-nos em relação com impressionante fenômeno de sintonia vibracional, em virtude da qual a segurança de um lar é ameaçada pela interferência de uma mulher que, enlaçando o chefe da família na trama de "mentirosos encantos", age maleficamente a distância. Embora a ação telepática incida, diretamente, sobre o esposo invigilante, a sua companheira de experiência matrimonial também se deixa envolver, em face de estar a sua mente naturalmente associada à do marido, como decorrência da vida em comum. Explicando tal fenômeno, o Assistente Áulus esclarece: "Jovino permanece atualmente sob imperiosa dominação telepática, a que se rendeu facilmente, e, considerando-se que MARIDO E MULHER RESPIRAM EM REGIME DE INFLUÊNCIA MÚTUA, a atuação que vem sofrendo envolve a esposa, atingindo-a de modo lastimável, porquanto a pobrezinha não tem sabido imunizar-se com os benefícios do perdão incondicional." Antes das considerações sugeridas pelo citado capítulo, fixemos o seguinte gráfico: CONTACTOS MENTAIS: - Maus pensamentos = Desequilíbrio interior, Enfermidades, Morte. - Bons pensamentos = Harmonia íntima, Saúde, Felicidade. Temos em pauta, para modesto estudo, um problema seríssimo, para cuja solução o conhecimento do Espiritismo e o afeiçoamento aos seus princípios fraternistas concorrem satisfatoriamente. A Doutrina Espírita, iluminada pelo Evangelho, não é, apenas, um conjunto de observações e fatos que se destinam, sob o ponto de vista moral, à obra de consolação e de esclarecimento. Os seus objetivos não se limitam, tampouco, ao exclusivo exercício da mediunidade. As suas finalidades, que têm para nós um sentido de eternidade, em função do Tempo e do Espaço, não se restringem à pregação nos Centros espalhados por esse Brasil imenso. O Espiritismo é tudo isso — e muito mais. É vivência dos preceitos cristãos, estruturando a felicidade e a paz de quantos lhe conhecem o roteiro de luz. Não tem ele, evidentemente, a função de livrar-nos das provações que se enquadram em nosso destino, em face da lei de causalidade. Todavia, pelas elevadas noções que consubstancia, faculta-nos os meios de atenuá-las ou modificá-las, segundo o nosso programa renovativo e a benefício de nossa felicidade. À luz dos conhecimentos doutrinários, os horizontes do nosso Espírito se dilatam, uma vez que nos dá, o Espiritismo, o que outras religiões não podem oferecer aos seus adeptos. Vivemos em permanente sintonia com entidades desencarnadas e com pessoas de todos os tipos evolutivos, permutando, assim, criações mentais elevadas ou inferiores. "Pensamentos guerreiam pensamentos, assumindo as mais diversas formas de angústia e repulsão. É a influenciação de almas encarnadas entre si que, às vezes, alcança o clima de perigosa obsessão." Além disso, maus pensamentos têm o poder de produzir desequilíbrios interiores, enfermidades e, até, a própria morte, da mesma forma que bons pensamentos estabelecem harmonia psíquica, saúde e felicidade. Temos, no capítulo em estudo, o caso de um lar que, pela intercessão de uma irmã infeliz, está ameaçado em seus alicerces. De Anésia, esposa do irmão Jovino, dependerá, grandemente, a solução do grave problema. A sua conduta vai influir, decisivamente, para que as coisas voltem ao ponto de partida ou se agravem. Se as suas vibrações descerem ao mesmo nível da irmã que lhe ameaça a paz doméstica, a tendência é para piorar; todavia, se souber compreender a infelicidade de quem envolveu o esposo em perigosa cilada, perdoando sinceramente, dentro de algum tempo Anésia e Jovino, já despertos para a execução de seus deveres, guardarão do atual incidente apenas tênue lembrança... A harmonia e o entendimento reinarão, de novo, no santuário doméstico em cuja entrada pequeno roseiral "dizia sem palavras dos belos sentimentos dos moradores". A fim de que tenhamos idéia de como se verifica a ação telepática, vejamos de que maneira André Luiz descreve o ambiente familiar assediado, a distância, pela projeção mental da mulher: "O chefe da família, depois de apurar o nó da gravata vivamente colorida, bateu a porta estrepitosamente sobre os próprios passos e retirou-se. A companheira humilhada caiu em pranto silencioso sobre velha poltrona e começou a pensar, articulando frases sem palavras: 'Negócios, negócios... Quanta mentira sobre mentira! Uma nova mulher, isso sim!' Enquanto as reflexões dela se faziam audíveis para nós, irradiando-se na sala estreita, vimos de novo a mesma figura de mulher que surgira à frente de Jovino, aparecendo e reaparecendo ao redor da esposa triste, como que a fustigar-lhe o coração com invisíveis estiletes de angústia, porque Anésia acusava agora indefinível mal-estar. Não via com os olhos a estranha e indesejável visita; no entanto, assinalava-lhe a presença em forma de incoercível tribulação mental. De inesperado, passou da meditação pacífica a tempestuosos pensamentos." O descontrole modifica, em sentido negativo, o teor vibratório. Entregando-se, desarvorada, à aflição, possibilitava Anésia a comunhão mental com a mulher que, de longe, projetava seus pensamentos na direção do lar ameaçado. Vejamos como o Assistente elucida o fenômeno: "O pensamento exterioriza-se e projeta-se, formando imagens e sugestões que arremessa sobre os objetivos que se propõe atingir. Quando benigno e edificante, ajusta-se às Leis que nos regem, criando harmonia e felicidade; todavia, quando desequilibrado e deprimente, estabelece aflição e ruína." Naturalmente o leitor indagará, com uma certa idéia de que ficamos à mercê de influências estranhas à nossa vontade: — E não existem meios de neutralizar as vibrações de ódio? E a resposta, clara e lógica, se encontra nas próprias palavras de Áulus: "A melhor maneira de extinguir o fogo é recusar-lhe combustível." O combustível que alimenta o ódio é o próprio ódio. O seu antídoto é o amor, que se expressa no perdão incondicional, filho do entendimento evangélico. Ante tal elucidação, compreenderemos melhor, sem dúvida, a advertência do Mestre de que não devemos revidar ao mal. Se a nossa irmã pretende e deseja defender o seu lar e a sua paz, procure identificar na criatura, invigilante, que investe contra o seu esposo, uma irmã necessitada que não pode, ainda, medir as consequências do lastimável equívoco a que se entrega. Apliquemos à própria vida o conselho de Jesus: "Não são os sadios que precisam de médico." A paz e a vitória pertencerão, em todos os problemas e em todas as lutas, àqueles que, amando e perdoando, exemplificam, na conformidade dos seus próprios recursos espirituais, os preceitos do Divino Amigo. Teríamos, assim, os seguintes meios para neutralizar a influência antifraterna dos nossos companheiros de caminhada: a) — Amor e perdão para os adversários. b) — Auxílio aos perseguidores. c) — Oração pelos que nos caluniam. A prática de tais virtudes, ainda difíceis de serem exercidas com espontaneidade, outra coisa não seria senão a obediência às determinações do Mestre, no sentido de orarmos por aqueles que nos perseguem e caluniam.
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