Livros Espíritas
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Posta de lado a opinião materialista, já que a razão e os fatos a condenam, tudo se resume em saber se a alma, depois da morte, pode manifestar-se aos vivos. Reduzida assim à sua expressão mais simples, a questão se torna muito menos complicada. Caberia, antes de tudo, perguntar por que seres inteligentes, que de certa maneira vivem no nosso meio, embora invisíveis por natureza, não poderiam atestar a sua presença de um modo ou de outro. Diz a simples razão que isto nada tem de impossível, o que já é alguma coisa. Além do mais, essa crença tem a seu favor a adesão de todos os povos, pois a encontramos em toda parte e em todas as épocas. Ora, uma intuição não poderia generalizar-se tanto, nem sobreviver ao tempo, se não se apoiasse em alguma coisa. Ela é ainda sancionada pelo testemunho dos livros sagrados e pelos Pais da Igreja, tendo sido preciso o ceticismo e o materialismo do nosso século para relegá-la entre as crenças supersticiosas. Se estivermos em erro, aquelas autoridades igualmente estarão erradas. Mas tudo isso não passa de considerações de ordem moral. Uma causa tem contribuído, de modo especial, para fortalecer a dúvida, numa época tão positiva como a nossa, em que as criaturas fazem questão de se inteirar de tudo, em que se quer saber o porquê e o como de todas as coisas. Essa causa é a ignorância da natureza dos Espíritos e dos meios pelos quais eles podem manifestar-se. Conquistado esse conhecimento, as manifestações nada mais apresentam de extraordinário e entram na ordem dos fatos naturais.
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