Livros Espíritas
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Espiritos:
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Para começar, digamos que não nos cabe regular o que se passa no mundo dos Espíritos; não podemos dizer: As coisas devem ou não devem ser desta ou daquela maneira, pois seria querer reger a obra de Deus. Os Espíritos querem mesmo iniciar-nos em parte no seu mundo, porque esse mundo talvez seja o nosso amanhã. Cabe a nós tomá-lo tal qual é e, se não nos convier, não será nem mais nem menos, porque Deus não o mudará para nós. Isto posto, apressemo-nos a dizer que jamais há evocação misteriosa e cabalística; tudo se faz simplesmente, em plena luz e sem fórmula obrigatória. Os que julgam tais coisas necessárias ignoram os primeiros elementos da ciência espírita. Em segundo lugar, se as comunicações espíritas não pudessem existir senão em conseqüência de uma evocação, seguir-se-ia que elas seriam um privilégio dos que sabem evocar, e que a imensa maioria dos que jamais ouviram falar dessas coisas estaria prejudicada. Ora, isto estaria em contradição com o que dissemos há pouco, a respeito das comunicações ocultas e espontâneas. Essas são para todo o mundo, para o pequeno como para o grande, o rico como o pobre, o ignorante como o sábio. Os Espíritos que nos protegem, os parentes e amigos que perdemos não têm necessidade de ser chamados; estão junto de nós e, conquanto invisíveis, nos cercam com a sua solicitude; só o nosso pensamento basta para os atrair, provando-lhes a nossa afeição, porque, se não pensarmos neles, é muito natural que não pensem em nós. Perguntareis, então: Evocá-los para quê? Ei-lo. Supondes que estejais na rua, cercado por uma multidão compacta, que fala e murmura aos vossos ouvidos; mas nesse número percebeis ao longe um conhecido a quem quereis falar em particular. Que fazeis, se não puderdes ir a ele? Chamais e ele vem a vós. Dá-se o mesmo com os Espíritos. Ao lado dos que estimamos e que talvez nem sempre lá estejam, existe a multidão dos indiferentes. Se quiserdes fazer falar um determinado Espírito, como não podeis ir até ele, retido que estais pela grilheta corporal, vós o chamais; nisto consiste todo o mistério da evocação, que não tem outro objetivo senão dirigir-vos a quem quiserdes, e não dar ouvidos ao primeiro que se apresente. Nas comunicações ocultas e espontâneas, de que há pouco falamos, os Espíritos que nos assistem nos são desconhecidos; fazem-no sem que o saibamos; por meio das manifestações materiais, escritas ou outras, revelam a sua presença de maneira patente e podem dar-se a conhecer, caso o queiram: é um meio de saber com quem se trata e se temos em nosso redor amigos ou inimigos. Ora, os inimigos não faltam no mundo dos Espíritos, como entre os homens. Lá, como cá, os mais perigosos são os que não conhecemos. O Espiritismo prático dá-nos os meios de conhecê-los. Em suma, quem só conhece o Espiritismo pelas mesas girantes faz dele uma idéia tão mesquinha e tão pueril quanto aquele que só conhecesse a Física por certos brinquedos infantis. Mas, quanto mais se avança, mais o horizonte se amplia; só então se compreende o seu verdadeiro alcance, porque ele nos desvenda uma das forças mais poderosas da Natureza, força que atua, ao mesmo tempo, sobre o mundo moral e o mundo físico. Ninguém contesta a reação que sobre nós exerce o meio material, visível ou invisível, no qual estamos mergulhados. Se estamos numa multidão, essa multidão de seres também atua sobre nós, moral e fisicamente. Quando morremos, as nossas almas vão para algum lugar. Aonde vão? Como não há para elas nenhum lugar fechado e circunscrito, o Espiritismo diz e prova pelos fatos que esse algum lugar é o espaço; elas formam em torno de nós uma população inumerável. Ora, como admitir que esse meio inteligente tenha menos ação que o meio ininteligente? Aí está a chave de um grande número de fatos incompreendidos, que o homem interpreta conforme os seus preconceitos e que explora ao sabor das paixões. Quando essas coisas forem compreendias por todos, desaparecerão os preconceitos e o progresso poderá seguir sua marcha sem entraves. O Espiritismo é uma luz que aclara os mais tenebrosos recônditos da sociedade; é, pois, muito natural que aqueles que temem a luz busquem extingui-la. Mas, quando a luz tiver tudo penetrado, será preciso que os que buscam a escuridão se decidam a viver em plena luz; veremos, então, cair muitas máscaras. Todo homem que realmente quer o progresso não pode ficar indiferente a uma das causas que mais devem contribuir para ele e que prepara uma das maiores revoluções morais até agora sofridas pela Humanidade. Como se vê, estamos longe das mesas girante: é que há também a mesma distância deste modesto começo até suas conseqüências, quanto houve da maçã de Newton para a gravitação universal.
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(15) 1 vol. In-12; preço 3 fr. Livraria Dentu.
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(14) Nota da Editora: Ver “Nota Explicativa”, p. 567.
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(16) N. do T.: O autor se refere à pluralidade dos mundos habitados, um dos princípios fundamentais da Doutrina dos Espíritos.
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