Livros Espíritas
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Como conclusão, creio legítimo supor que o principal enigma da psicometria é o próprio enigma do tempo em seu relacionamento com o espaço. Presos ao corpo físico somos seres condicionados a um universos tridimensional no qual o tempo também se apresenta em três fases ou dimensões: o presente, passado e futuro. Como tudo o que ocorre no universo está gravado em fitas magnéticas multidimensionais pelo cosmos afora, certas pessoas provavelmente auxiliadas ou dirigidas por espíritos mais competentes, capazes de 'ir' ao passado (e até ao futuro, como está provado) e ler o ali se encontra gravado, da mesma forma que o cabeçote de um gravador eletrônico pode ler uma fita magnética e alimentar o complexo dispositivo mediúnico do aparelho que reproduz, com maior ou menor fidelidade, está contido na 'fita'. A qualidade dessa reprodução depende da qualidade do aparelho e sua fidelidade na resolução de som e imagem, desde o cabeçote, o tubo de vídeo e alto-falantes. É todo um sistema que entra em operação. Se você olhar um filme cinematográfico contra a luz, poderá distinguir imagens estáticas ali impressas, embora não o som do filme. Se, porém, tomar uma fita magnética com som e imagem gravados, nada perceberá a olho desarmado. A um exame de laboratório, você verá apenas que há uma película de plástico e uma finíssima camada de óxido de ferro ou cromo. Nada mais. Para saber se alguma coisa está gravada ali você precisará fazer passar a fita por olho apropriado de vídeo-cassete. Sei bem que isto não é uma explicação e sim uma hipótese formulada por analogia. Não passa de um artifício para se chegar ao entendimento de um complexo problema. A matemática ensina que, às vezes, precisamos de um número falso para descobrir o verdadeiro. No caso, o número não é falso, é apenas hipotético e pode estar certo, como imagem de uma realidade que apenas se reflete em nosso plano, ao alcance da nossa inteligência e dentro do quadro dos nossos conhecimentos atuais. Há alguns anos atrás estaríamos falando de fluidos que serviriam de veículos a todas essas manifestações. Hoje dispomos de imagens mais aproximadas. Amanhã talvez cheguemos à realidade mesma. Evitemos o açodamento que nunca foi bom conselheiro. Resta uma imagem semelhante para figurar o sistema que liga o psicômetra, ou seja, o cabeçote do gravador, com a fita de VT, ou seja, a memória de Deus. Aí é que, a meu ver, entra o objeto que, em lugar de ser um mero estimulante, como propôs Bozzano - que não dispunha à época de imagem melhor - é um sintonizador. Uma vez fechado o circuito, só resta ao psicômetra ler o que está gravado e reproduzi-lo com a possível fidelidade a partir de seus próprios circuitos internos. Sons, imagens, pensamentos, emoções, cenas históricas e dramas pessoais estão todos gravados por aí à nossa volta. Aprendemos a captar o som com os aparelhos de rádio; som e imagem com a televisão; som, imagem e pensamento com a psicometria que também nos leva a cenas históricas e aos dramas pessoais. O tempo só espera que amadureçamos um pouco mais para ir-nos mostrando os segredos da vida. Uma das minhas mais recuadas lembranças, aí pelos seis ou sete anos, foi o fascínio dos 'pré-históricos' aparelhos de galena. Os de minha geração talvez se lembrem mas os jovens têm hoje outras fascinações. Era um pequeno pedaço de mineral acinzentado, de formas mais ou menos regulares, ou seja, cristalizado (que hoje conheço como sulfeto de chumbo), que nos punha em sintonia com as primeiríssimas estações de rádio, num pequeno raio geográfico de alguns quilômetros. Havia uma espécie de agulha que íamos movendo sobre o mineral para conseguir chegar ao ponto em que o som era mais audível, (ou menos confuso, como queira). Então, era a glória, pois os toscos fones de ouvido reproduziam algo muito parecido com música e voz! Eram sons produzidos por gente invisível e que só poderíamos ouvir por meio do aparelhinho mágico ... a sensação era a de quem está psicometrando o meio ambiente. Umas três décadas depois, vivia em Nova York, quando fiquei sabendo que uma das empresas controladas pelo cantor Bing Crosby acabara de inventar um processo pelo qual som e imagem ficavam gravados em fita magnética e a partir dali podiam ser reproduzidos. Estava nascendo o video-tape. A tecnologia acabava de decifrar mais um enigma do universo. Fiquei fascinado. Como seria isso? Foram necessárias mais duas décadas e meia para eu compreender que a tecnologia apenas reproduzira o que já existe, ou seja, um aparelho para ler, ouvir e transmitir o som inaudível e a imagem invisível, tal como o psicômetra faz com a memória de Deus. Ou melhor, que Deus permite que ele o faça. Talvez por isto, Bozzano tenha escrito nas suas conclusões o seguinte: Este entrançamento de diferentes manifestações supranormais representa ao demais, a regra da fenomenologia metapsíquica, provavelmente por serem elas, em última análise, o produto de uma única faculdade transcendental, privativa do espírito humano em sua dupla qualidade de encarnado e desencarnado, e mediante a qual ele se manifesta e evolute. (Bozzano. Ernesto. 1930) Sem crítica ao autor ou ao seu brilhante tradutor, sinto-me no dever de confessar que prefiro o modo de dizer de nosso querido amigo Paulo de Tarso que expressou tudo isso com uma só frase simples e direta. Assim: "Há diversidade de carismas, mas o espírito é o mesmo." 13. O CASO DO VESTIDO Podemos chamar "o caso do vestido" ao mais dramático episódio de psicometria ocorrido com Regina. Foi assim, como está narrado a seguir. Durante alguns anos ela recebeu de um amigo espiritualista americano pacotes de roupas, calçados e brinquedos usados, para distribuir. Ele recolheu esse material entre freqüentadores de seu grupo que lá costumam chamar de igreja mesmo (church). Regina retirava os pacotes das repartições próprias, não sem vencer algumas barreiras burocráticas complicadas, selecionava o material, classificava -o e o distribuía pelos vários centros espíritas de seu conhecimento e confiança para entrega aos necessitados. Certas peças ela encaminhava a bazares administrados pelos próprios centros, que as vendiam, para aplicar o produto em atividades sociais e, em vez de dar o material, entregava o dinheiro para a finalidade social a que se destinava. Uma vez ela decidiu comprar um dos vestidos para seu uso pessoal. Eram roupas de boa qualidade que demonstravam, quase sempre, pouco uso e estavam em bom estado, como também os calçados. Os brinquedos é que à, necessitavam de reparos de pequena monta. Regina chegou mesmo a devolver uma boa técnica de recuperação, restituindo a peça a uma condição de quase nova. Com isso, fez a alegria de muita criança que jamais ter sonhado com um brinquedo 'importado'. O vestido de sua escolha era longo, simples e elegante, muito do seu gosto pessoal. O dinheiro correspondente foi encaminhado ao centro e ela guardou-o pois não estava necessitando dele no momento, dado que sempre fez suas próprias roupas. Certo dia, resolveu preparar o vestido para usar. Depois de lavá-lo cuidadosamente e fazê-lo secar, começou a passá-lo a ferro. Sentiu-se logo invadida por uma sensação de tristeza que foi crescendo e dominando seu pensamento e suas emoções. Era uma angústia vaga, indefinida a princípio, mas real. Nada havia, no momento, de particularmente aflitivo para ela. Estava de férias e sentia-se feliz, nada tendo de especial a desejar nem motivo algum para sentir-se melancólica. A angústia foi num crescendo e trouxe com ela uma sensação de medo, de pesar, que a afligia. Subitamente, ela percebeu que seu ventre crescera, estava muito inchado. Ela percebeu que tinha câncer abdominal e estava prestes a morrer. Já assustada, a essa altura, foi ao espelho e viu-se, aturdida (com os olhos?), com o ventre crescido e com uma aparência terrível, o rosto lívido e contraído. Não havia dúvida: - Meu Deus! Estou com câncer! - pensou. Verdadeira comoção interior desencadeou -se nela. Além da angústia, estava como que magoada, não queria morrer. Não era justo partir tão cedo vitimada pelo câncer. Subitamente, as lágrimas começaram a escorrer-lhe pelo rosto abaixo, incontroláveis, à medida que a sensação angustiosa parecia sufocá-la. Caminhou um pouco pela casa e voltou ao espelho. Lá estava a imagem do desespero, em pranto, ventre crescido. E ela pensou: - Mas como é que eu nunca soube que tinha câncer e, de repente, aparece este ventre assim, inchado? Foi esse o pensamento mágico. Estremeceu, sacudindo a cabeça e disse a si mesma: - Espere aí. Em primeiro lugar, eu não tenho câncer coisa nenhuma. Em segundo, mesmo que eu tivesse, não seria motivo para esse drama todo. Afinal de contas, morrer não é nenhuma tragédia. Era como se estivesse saindo de um estado de transe. Havia parado para pensar e começou a desdobrar o raciocínio na tentativa de racionalizar aquilo tudo. Afinal, o que estaria acontecendo com ela? Ainda há pouco estava se sentindo feliz e bem-disposta, pensando nas coisas boas da vida, Quando foi mesmo que a invadiu aquela sensação de desconforto que chegou ao pânico? pacientemente, começou a repassar as atividades do dia, analisando o estado mental e emocional ligado a cada uma delas. Acabou chegando ao momento em que passava o vestido a ferro. Percebeu, então, que fora ali que a tristeza começara e foi num crescendo que a levou aos limites do desespero, após haver vestido aquela peça. Não havia dúvida: era o vestido o causador de tudo aquilo! Tirou-o imediatamente e jogou-o num tanque com água, temerosa de que ele viesse a 'contaminar' psiquicamente outras roupas suas no armário. Em seguida, tomou um banho, sentou-se e orou por alguns momentos, dirigindo seu pensamento à dona do vestido pois, a essa altura, estava convencida de que a mulher morrera de câncer, sentindo-se injustiçada e infeliz, cheia de temores e aflições e, até mesmo, desesperada e inconformada porque não queria morrer. Sentiu-se prontamente aliviada de toda aquela pressão emocional.
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