Livros Espíritas
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Somos teus filhos frágeis e confiantes! Todas as tuas resoluções, a nosso respeito, são excelentes e belas. Concede-nos, pois, bastante visão, de modo a enxergarmos nossa ventura em teus desígnios, sejam quais forem! “Somos servos humildes de tua sabedoria gloriosa! “Neste celeiro de paz consoladora, recebemos a tua presença indireta, através de mil recursos diferentes com que atender os que choram e padecem. “Ó Pai Compassivo! Que felicidade maior que esta, a de espalhar, com Nosso Senhor Jesus-Cristo, as tuas bênçãos redentoras e carinhosas? Que escola mais rica, além da que se localiza nesta casa, onde aprendemos, jubilosos, a exercer o dom sublime de dar?” A instrutora interrompeu-se, de voz afogada na emoção com que se dirigia a Deus, e, aludindo à realização particular que efetuara naquela noite, prosseguiu, depois de longa pausa, comovendo-nos a todos: — “Dilatando-nos a alegria, estimulando-nos a coragem, santificando-nos a esperança, tu permites ainda, Senhor, que possamos atender ao coração interessado em lenir e confortar Espíritos queridos, que se perderam de nossa companhia no curso incessante do tempo!” Nova pausa da orientadora. Em seguida, imprimindo suave entono às palavras que pronunciava, a Irmã Zenóbia concluiu: — “De alma voltada para a tua magnanimidade, endereçamos-te reconhecimento sem termo! “Sê louvado por todos os milênios dos milênios, sê glorificado por todos os seres da Criação! Teus servidores nesta casa de edificação agradecem-te as oportunidades preciosas de trabalho e esperam a continuidade de tuas bênçãos. Que a tua infinita luz seja refletida em todo o Universo Infinito! Assim seja.” As últimas sentenças da oração inesquecível foram cunhadas em profunda emoção misturada de júbilo. Aquela prece constituía ato de louvor dos mais formosos que eu escutara, até então. Zenóbia regozijava-se pelo ensejo de serviço, pela fortuna de contribuir com alguma coisa de útil, pela ventura de repartir o bem. Os minutos de adoração elevaram-nos. Suave luz irradiava-se de nossas frontes sincronizadas nos mesmos pensamentos. Finda a manifestação gratulatória, a diretora recomendou-nos observação e silêncio. Não se passou muito tempo e a tela, desdobrada diante de nós, como se fora instrumento de resposta ao esforço devocional, iluminou-se de súbito, expelindo raios de brilho maravilhosamente azul, que se espargiram sobre a diminuta assembleia, quais minúsculas safiras eterizadas. Davam-me a ideia de energias divinas a eclodirem sobre nós, penetrando-nos o íntimo e revitalizando-nos o ser. Transcorridos alguns minutos, Zenóbia, agradeceu, sensibilizada, interpretando o sentimento geral. Nova quietude pairou em toda a sala. Contudo, após longos instantes de expectativa mais intensa, Luciana tomou a palavra e dirigiu-se à Diretora, nestes termos: — Neste momento, vejo na tela das bênçãos respeitável ancião, cercado de luz verde-prateada. Estende-lhe a destra, abençoando-a, e me recomenda dizer-lhe tratar-se de Bernardino. — Ah! Já sei, — respondeu, contente, a instrutora, — é mensageiro da Casa Redentora de Fabiano. Que Jesus o recompense pelo contentamento que nos traz. — Assegura o iluminado visitante, — tornou a clarividente prestimosa, — que as vibrações ambienciais inclinam-se, agora, para as Esferas inferiores e que não conseguirá fazer-se visível a todos, não obstante o seu desejo. Acrescenta que os amigos da instituição velam pela marcha harmoniosa dos serviços e que a fonte da Bondade Divina suprirá sempre de paz e recursos a todos os corações de boa vontade, na semeadura do bem. Em seguida a ligeiro intervalo, que Luciana parecia aproveitar em meticulosa observação, informou, comovida: — O emissário contempla-nos, silencioso, e, erguendo os olhos para o Alto, pede para nós a luz da compreensão divina. Vimos profusa emissão de raios brilhantes de luz verde, por intermédio de diáfana substância, como nova chuva de pequeninas gotas celestes. Terminada a exteriorização da sublime energia, portadora de bem-estar, e findos alguns minutos de novo silêncio, Luciana voltou a comunicar-se com a diretora: — Irmã, ilumina-se a tela novamente. Desta vez, temos a visita de uma bem-aventurada celeste. Oh! Sua fisionomia deslumbra! Tem no colo soberbo ramalhete de lírios nevados a exalar inebriante perfume. A informante não havia completado a notificação e, em meio da alva claridade que se evolava da tela, sentíamos todos o aroma característico das flores mencionadas, envolvendo-nos em ondas de alegria e paz indescritíveis. Impressionada por sua vez, Luciana prosseguiu: — A mensageira traja veludosa túnica, talhada em delicado tecido semelhante a escumilha de neve, e parece em oração de agradecimento… — Agora, fixa-nos, bondosa, — continuou, retomando a palavra, — e atira-nos as flores que traz consigo, revelando inexcedível carinho! Diz alguma coisa… Oh! Sim, com permissão dos nossos Maiores, deseja comunicar-se com o irmão Gotuzo e solicita-nos cooperação! Não pude ocultar a surpresa, em face do desdobramento dos trabalhos naquele ofício de gratidão e louvor. A Irmã Zenóbia, naturalmente experimentada nas atividades de intercâmbio, interveio, acrescentando: — Sim, Luciana, tanto quanto estiver em suas possibilidades, ceda o seu veículo de manifestação, já que o ambiente permanece pesadíssimo. Noutras circunstâncias, a providência não seria necessária, mas as substâncias densas do Plano, carregado de forças negativas, incidem sobre o aparelho das bênçãos, forçando-nos ao concurso pessoal mais direto. Estamos prontos para receber a devotada emissária nesta casa de paz. Gotuzo e nós outros colocamo-nos à disposição dela, a fim de ouvir-lhe a mensagem de amor. A enfermeira, com a possibilidade de quem enxergava mais que nós, observou comovidamente: — Identifica-se por Letícia, declara que desencarnou há trinta e dois anos e assevera que foi mãe do companheiro referido. Mais emocionada e reverente, acentuou: — Ah! Desloca-se agora da tela e vem ao nosso encontro. Adianta-se. De suas mãos desprendem-se raios de sublime luz. Abraça-me! Oh! Como sois generosa, abnegada benfeitora!… Sim! Estou pronta, cederei com prazer!… Nesse instante, a fisionomia de Luciana transformou-se. Beatífico sorriso estampou-se-lhe nos lábios. De sua fronte irradiava-se formosa luz. Com a voz altamente modificada, começou a exprimir-se a emissária por seu intermédio: — Irmãos, seja conosco a paz do Cordeiro Divino! Não desejamos perturbar a reunião que vos congrega no serviço impessoal da verdade e do bem; todavia, com a permissão dos nossos Orientadores, venho ao encontro de alguém que nos é muito caro, buscando despertar-lhe a consciência para horizontes mais altos da vida. Sorriu, benévola, e continuou: — Relevem-nos, pois, dedicados amigos! Nossas experiências mais elevadas resultam da permuta incessante de valores comuns. O coração que ama em Cristo é operosa abelha que recolhe o mel de sabedoria em todas as flores de amor e trabalho. Colherei, contente, na alma fraterna desta assembleia de cooperadores da Vontade Divina, elementos de tolerância e compreensão e sentir-me-ei feliz se puder oferecer-lhes algo do carinho materno que mantenho no coração faminto de vida superior. Fez reduzido intervalo entre a saudação e o objetivo de sua permanência entre nós. Em seguida, dirigindo-se, em particular, ao colega que lhe recebia a visita, expressou-se com acentuada inflexão de ternura: — Gotuzo, meu filho, serei breve. Antes de adverti-lo, já roguei ao Senhor o abençoe e inspire sempre. Ouça, desapaixonadamente, a palavra de sua mãe e velha amiga. Desprenda-se das ideias antigas para compreender melhor. As concepções inferiores de nosso “eu” também se cristalizam, impedindo a penetração da luz em nosso campo interno. Escute, filho meu, como pode menosprezar a santa oportunidade de elevação? Como pode permanecer em repouso, perante as necessidades primordiais do espírito? O Mestre aproveita as qualidades utilizáveis do discípulo, em determinado setor do aprendizado, adiando, por misericórdia, a melhoria e o aprimoramento de certas zonas obscuras da personalidade. Por vezes, o aprendiz retarda-se meses, anos, séculos… Jesus não é senhor da violência e nunca impõe drásticos à obra evolutiva. É cultivador do trabalho, da esperança. Aguardará sempre, compassivo e bondoso, nossas decisões de colaborar no apostolado redentor, suportará nossas faltas muitas vezes; entretanto, em nosso próprio interesse, deveremos atentar, vigilantes, para os seus ensinamentos, com a sincera disposição de aplicá-los. Sem dúvida, não nos fulminará com raios destruidores pela nossa demora em desculpar alguém; no entanto, recomendou perdoemos setenta vezes sete vezes; () naturalmente, não nos perseguirá pela nossa dificuldade em simpatizar com irmãos atualmente menos felizes que nós. Esforçou-se, contudo, para que nos amemos uns aos outros. Não virá em pessoa obrigar-nos a assumir determinada atitude evangélica, mas traçou todas as disposições necessárias ao estabelecimento de roteiros para a prática do bem. Seu esforço médico, nesta casa, é, de fato, apreciável. Companheiros dignos seguem-no com amizade e admiração. Multiplicam-se os valores que o cercam; amontoa você preciosidades e bênçãos, na parte das aquisições afetivas, porém… e o seu próprio destino? Seus amigos, não obstante a luz que lhes brilha no caráter santificado, não podem substituí-lo nas realizações que o esperam. Suas manifestações de natureza exterior instruem e confortam.
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