Livros Espíritas
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Certa noite assistimos à representação da ópera Obéron, em companhia de um médium vidente muito bom. Havia no salão grande número de lugares vazios, muitos dos quais, no entanto, estavam ocupados por Espíritos que pareciam participar do espetáculo. Alguns se colocavam junto de certos espectadores, dando a entender que escutavam as suas conversas. No palco se desenrolava outra cena: por trás dos atores muitos Espíritos, de humor jovial, se divertiam em arremedá-los, imitando seus gestos de modo grotesco; outros, mais sérios, pareciam inspirar os cantores e fazer esforços para lhes dar mais energia. Um deles se conservava sempre junto de uma das principais cantoras. Julgamos as suas intenções um tanto levianas e o evocamos após o término do ato. Ele nos atendeu ao chamado e reprovou com severidade o nosso julgamento temerário: “Não sou o que pensas: sou o seu Guia e seu Espírito protetor e estou encarregado de dirigi-la”. Depois de alguns minutos de uma palestra muito séria, ele nos deixou, dizendo: “Adeus; ela está em seu camarim; é preciso que eu vá vigiá-la”. Em seguida, evocamos o Espírito Weber, autor da ópera, e lhe perguntamos o que achava da execução de sua obra. “Não foi de todo má, mas foi fraca. Os atores se limitam a cantar. Faltou inspiração.” Depois acrescentou: “Espera, vou tentar dar-lhes um pouco do fogo sagrado”. Logo foi visto no palco, pairando acima dos atores. Partindo dele, uma espécie de eflúvio se derramava sobre os intérpretes, aumentando-lhes consideravelmente a energia.
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