Livros Espíritas
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Não existe outra porta para a mediunidade celeste, para o acesso ao equilíbrio divino que anelais no recôndito santuário do coração! Somente através d’Ele, vivendo-lhe as sublimes lições, alcançareis a sagrada liberdade de entrar nos domínios da Espiritualidade e deles sair, conquistando o pão eterno que vos saciará a fome para sempre. Sem o Cristo, a mediunidade é simples “meio de comunicação” e nada mais, mera possibilidade de informação, como tantas outras, da qual poderão assenhorear-se também os interessados em perturbações, multiplicando presas infelizes. Lembrai-vos, contudo, de que a lei divina jamais endossou o cativeiro e nunca sancionou a escravidão! Esquecestes a palavra divina que pronunciou: “vós sois deuses”? () Ao enunciar esta última frase, o orientador assumira atitude muito diversa. Pareceu-me que em pleno tórax acendera-se-lhe sublime luz, levemente anilada, luz que nos enviava, a todos, raios de inexprimível alegria. Seus cabelos assemelhavam-se agora a fios de sol de safirina expressão. O olhar tornara-se-lhe mais sublime e profundo. E muitos de nós, desencarnados e encarnados, choramos de agradecimento e júbilo, tocados de inexplicável emoção. Após ligeiro intervalo, continuou o amoroso e sábio instrutor: — Ó meus amigos, a persistência na condição de animalidade vos perturba! Sois a coroa espiritual da face da Terra, pela razão com que fostes galardoados pelo Senhor do Universo. O facho esplendoroso do raciocínio clareia o santuário de vossas consciências, o sublime vos convida ao “mais além”, irmãos mais velhos vos convocam ao convívio do Pai; no entanto, buscais demorar voluntariamente na fauna da irracionalidade primitiva. No campo vibratório da mente humana, sente-se ainda o veneno das víboras ingratas, o instinto dos lobos famulentos, as ciladas das raposas, o impulso sanguinário dos tigres vorazes; a vaidade e o orgulho dos leões. Não acrediteis que semelhantes atributos sejam característicos do corpo mortal simplesmente. São qualidades que o Espírito conserva em si, olvidando os patrimônios divinos. Ora, a morte física surpreende as criaturas na atitude que cultivaram. Modificam-se os Planos de vibração, mas a essência espiritual é sempre a mesma. Daí o emaranhado de manifestações inferiores nas esferas mediúnicas de vossas atividades. Em muitas ocasiões, ao invés de cultivardes as qualidades positivas de realização com Jesus, permaneceis no fomento de interesses mesquinhos da concorrência humana aos centros passageiros de pura sensação. Tomados de enormes equívocos, nos círculos do desenvolvimento medianímico, acreditais seja possível vencer o domínio pesado das vibrações grosseiras, cristalizadas pela viciação de muitos séculos, tão somente à força de movimentação mecânica das células materiais. Sem qualquer preparação, intentais a travessia das fronteiras vibratórias, invocando as potências invisíveis de qualquer natureza, para o adestramento de forças psíquicas, qual homem leviano que exigisse orientadores, ao acaso, em plena multidão, esquecido de que nem todos os transeuntes da via pública permanecem em condições de beneficiar, orientar e ensinar. Se as máquinas mais simples da Terra pedem o curso preparatório do operário, para que o setor da produção não desmereça em qualidade e quantidade, como esperais que a mediunidade sublime se reduza a serviços automáticos, a puras manifestações de mecanismo fisiológico, indene de educação e responsabilidade? Sempre será possível abrir meios de comunicação entre vós outros e os Planos que vos são invisíveis, mas não esqueçais de que as afinidades são leis fatais de reunião e integração nos reinos infinitos do Espírito! Sem os valores da preparação, encontrareis irremediavelmente a companhia dos que fogem aos processos educativos do Senhor; e sem as bênçãos da responsabilidade encontrareis logicamente os irresponsáveis. Objetareis que o fenômeno é indispensável no campo experimental das conquistas científicas, que o inabitual deve ser convocado a favorecer novas convicções; entretanto, somos dos primeiros a reconhecer que os vossos caminhos na Crosta se desdobram entre fenômenos maravilhosos. Já resolvestes, acaso, o mistério da integração do hidrogênio e do oxigênio na gota d’água? Explicastes todo o segredo da respiração dos vegetais? Por que disposições da Natureza viceja a cicuta que mata, ao lado do trigo que alimenta? Que dizeis da haste espinhosa da Terra oferecendo a flor, como graciosa taça de perfume celeste? Solucionastes todos os problemas biológicos das formas físicas que povoam o Planeta, nas diversas espécies? Qual é a vossa definição do raio de sol? Vistes, alguma vez, o eixo imaginário que sustenta o equilíbrio do mundo? Se semelhantes fenômenos, de caráter permanente na Crosta, não despertam as almas adormecidas, fornecendo-lhes a legítima concepção da existência de Deus, como esperais destruir a rebeldia milenária dos homens, exigindo espetáculos prematuros de manifestações da Espiritualidade superior? Não, meus amigos! Urge abandonar os setores de ruído externo para iniciardes o desenvolvimento interior das faculdades divinas! A paixão do fenômeno pode ser tão viciosa e destruidora para a alma, como a do álcool que embriaga e aniquila os centros da vida física! Vosso jogo de hipóteses, na maioria das circunstâncias, não passa de dança macabra dos raciocínios, fugindo às realidades universais e adiando, indefinidamente, a edificação real do espírito! Concordamos convosco em que a experimentação é necessária; que a pesquisa intelectual é o ponto de partida dos grandes empreendimentos evolutivos; que a curiosidade respeitável é mãe da ciência edificante; que todo e qualquer processo de conhecimento requisita campo de observação e trabalho, como é imprescindível o material didático, nas escolas mais simples. Entretanto, urge reconhecer que os elementos de aprendizagem não devem ser convertidos pelo aluno em meras expressões de brinquedo ou entretenimento. Além disso, ainda que os aprendizes se esclareçam, relativamente às lições, é forçoso observar que a informação não é tudo, porquanto o esclarecimento educativo é apenas parte do aprendizado. Que dizer dos discípulos que estudam sempre, sem jamais aprenderem no terreno das aplicações legítimas? Que dizer dos companheiros, portadores de luzes verbais para os outros, que nunca se iluminam a si mesmos? Catalogar valores não significa vivê-los. Ensinar o caminho a viajores, não demonstra conhecimento direto e pessoal da jornada. Há excelentes estatísticos que nunca visitaram as fontes originais de seus recursos informativos, e eminentes geógrafos que raramente saem do lar. Referimo-nos a semelhantes imagens para fazer-vos sentir que, se é possível manter atitudes dessa ordem, no campo limitado da curta existência na Crosta, não se pode fazer o mesmo no reino infinito da vida espiritual, em cujos Círculos viveis desde agora, apesar da vossa condição de criaturas ligadas aos veículos inferiores. Mediunidade não é disposição da carne transitória e sim expressão do Espirito imortal. Naturalmente, o intercâmbio aprimorado, entre os dois Planos, requere sadias condições do vaso sagrado de possibilidades fisiológicas que o Senhor vos confiou para santificação; todavia, o corpo é instrumento elevado nas mãos do artista, que deve ser divino. Se aspirais ao desenvolvimento superior, abandonai os Planos inferiores. Se pretendeis o intercâmbio com os sábios, crescei no conhecimento, valorizai as experiências, intensificai as luzes do raciocínio! Se aguardais a companhia sublime dos santos, santificai-vos na luta de cada dia, porque as entidades angélicas não se mantêm insuladas nos júbilos celestes e trabalham também pelo aperfeiçoamento do mundo, esperando a vossa angelização! Se desejais a presença dos bons, tornai-vos bondosos por vossa vez! Sem afabilidade e doçura, sem compreensão fraternal e sem atitudes edificantes, não podereis entender os Espíritos afáveis e amigos, elevados e construtivos. Se não seria razoável encontrar Platão ensinando filosofia avançada a tribos selvagens e primitivas, nem Francisco de Assis operando com salteadores, não será admissível a integração dos Espíritos esclarecidos e santificados com as almas rigorosamente agarradas às manifestações mais baixas e grosseiras da existência carnal. Em vossas atividades espiritualistas, lembrai-vos de que não vos encontrais perante uma doutrina sectária de homens em trânsito no Planeta! Permaneceis num movimento divino e mundial, de libertação das consciências, numa revelação sublime de vida eterna e de valores imortais para todas as criaturas de boa vontade! Acolhendo essa convicção, não vos detenhais na atitude exclusiva e presunçosa dos que supõem haver encontrado na mediunidade tão somente um sexto sentido! O valor mediúnico não é dom de privilegiados, é qualidade comum a todos os homens, requisitando a boa vontade sincera no terreno da elevação. Por agora, é inegável que necessitamos das grandes tarefas estimuladoras, em que determinados companheiros encarnados são convocados aos grandes testemunhos nesse setor do esclarecimento coletivo, na disseminação da fé positiva e edificante; mas o futuro nos revelará que o serviço dessa natureza pertence a todas as criaturas, porque todos nós somos Espíritos imortais. Não alimenteis qualquer dúvida!
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Nota: No original, a partir do próximo parágrafo até o término da preleção de Alexandre, os parágrafos estão “entre aspas”.
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