Livros Espíritas
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Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente, ou atender ao nosso apelo, isto é, comparecer por meio de evocação. Pensam algumas pessoas que não devemos evocar nenhum Espírito, sendo preferível que se espere por aquele que queira comunicar-se. Segundo alegam, quando chamamos determinado Espírito não podemos ter certeza de que seja ele mesmo quem se apresenta, ao passo que aquele que vem espontaneamente, por iniciativa própria, comprova melhor a sua identidade, porquanto, assim agindo, manifesta o desejo que tem de conversar conosco. Em nossa opinião, isso é um erro. Primeiramente, porque estamos rodeados de Espíritos, quase sempre de condição inferior, que não desejam outra coisa senão comunicar-se. Em segundo lugar, e ainda por essa mesma razão, não chamar nenhum deles em particular é abrir as portas a todos os que queiram entrar. Numa assembleia, não dar a palavra a pessoa alguma é deixá-la livre a qualquer um, e sabe-se o que daí pode resultar. A chamada direta de determinado Espírito constitui um laço entre ele e nós; chamando-o pelo nosso desejo, impomos assim uma espécie de barreira aos intrusos. Sem um apelo direto, muitas vezes um Espírito não terá motivo algum para vir confabular conosco, a menos que seja o nosso Espírito familiar. Cada uma dessas duas maneiras de agir tem suas vantagens e só haveria desvantagem se uma delas fosse excluída de modo absoluto. As comunicações espontâneas não apresentam qualquer inconveniente, desde que se tenha domínio sobre os Espíritos e não se permita que os maus tomem a dianteira. Então, é quase sempre vantajoso aguardar a boa vontade dos que se disponham a comunicar- se, pois o pensamento deles não sofre nenhum constrangimento e dessa maneira se podem obter coisas admiráveis. Entretanto, pode acontecer que o Espírito por quem se chama não esteja disposto a falar, ou não seja capaz de fazê-lo no sentido desejado. O exame escrupuloso, que temos aconselhado é, aliás, uma garantia contra as comunicações más. Nas reuniões regulares, principalmente naquelas em que se faz um trabalho continuado, há sempre Espíritos habituais, que ali comparecem sem que sejam chamados, por estarem prevenidos em virtude da própria regularidade das sessões. Tomam, então, frequentemente a palavra, de modo espontâneo, para tratar de um assunto qualquer, desenvolver uma proposição ou prescrever o que se deva fazer, caso em que são facilmente reconhecíveis, quer pela forma da linguagem, que é sempre idêntica, quer pela escrita, quer por certos hábitos que lhes são peculiares.
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