Livros Espíritas
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(Sociedade de Paris, 1o de novembro de 1865 – Médium: Sr. Leymarie) Senhores... Permiti-me empregar esta expressão comum, mas pouco fraterna. Sou um recém-vindo, um recruta inesperado, e sem dúvida meu nome jamais feriu os ouvidos dos espíritas fervorosos. Contudo, nunca é tarde demais e quando cada família chora um ausente amado, venho a vós para vos exprimir meu arrependimento muito sincero. Cercado de voltairianos, vivendo e pensando como eles, trazendo conforme a necessidade o meu óbolo e o meu trabalho para a propagação das idéias liberais e progressivas, acreditei fazer o bem; porque todo o mundo diz, mas nem todos o fazem. Assim, agi, e vos peço para não esquecerdes os homens de ação. Em sua esfera, eles sacudiram esse torpor de tantos séculos que, a bem dizer, tinha velado o futuro. Rasgando o véu, nós também tínhamos afastado a noite, o que é muito, quando o inimigo intolerante está à porta e busca riscar de preto cada raio de luz. Quantas vezes procuramos em nós mesmos a solução desta questão: “Ah! se os mortos pudessem falar!” Reflexão profunda, absorvente, que nos matava na idade das desilusões, quando todo homem marcado por um acaso aparente tornava-se uma luz na multidão. Aí está a família!... jovens frontes cândidas pedem os nossos beijos de esperança, e nada podemos dar, porque esta esperança nós a selamos sob uma grande pedra muito fria, que chamamos incredulidade. Mas hoje creio, venho a vós cheio de esperança e fé, dizer-vos: “Espero no futuro, creio em Deus; os Espíritos de Béranger, de Royer-Collard, de Casimir Perrier... não me desmentirão.” A vós que desejais o progresso, que quereis a luz, direi: Os mortos falam, falam todos os dias; mas, cegos que sois e que éramos! pressentis a verdade sem afirmá-la abertamente; como Galileu, vós vos dizeis todas as noites: “E, contudo, ela gira!” mas baixais os olhos ante o ridículo, o respeito à coisa julgada! Vós todos que éreis meus fiéis, que semanalmente me concedíeis vossa tarde, sabeis em que me tornei. Sábios que perscrutais os segredos da Natureza, perguntastes à folha morta, ao pé de erva, ao inseto, à matéria em que se tornavam no grande concerto dos mortos terrenos? Perguntastes as suas funções de mortos? pudestes inscrever em vossos alfarrábios esta grande lei da Natureza, que parece destruir-se anualmente para reviver esplêndida e soberba, lançando o desafio da imortalidade aos vossos pensamentos passageiros e mortais? Doutor sábio, que diariamente inclinais a fronte preocupada sobre as doenças misteriosas que destroem os corpos humanos de maneira múltipla, por que tantos suores pelo futuro, tanto amor pela família, tanta previdência para assegurar a honorabilidade de um nome, pela fortuna e pela moralidade de vossos filhos, tanto respeito pela virtude de vossas companheiras? Homens de progresso, que trabalhais constantemente para transformar as idéias e as tornar mais belas, por que tantos cuidados, vigílias e decepções, se essa lei eterna do progresso absorve todas as vossas faculdades e as decuplica, a fim de prestar homenagem ao movimento geral de harmonia e de amor, ante o qual vos inclinais? Ah! meus amigos, quem quer que sejais na Terra: mecânicos, legisladores profundos, políticos, artistas, ou todos vós que inscreveis em vossa bandeira: Economia política, crede-me, vossos trabalhos desafiam a morte; todas as vossas aspirações a rejeitam como uma negação e quando, por vossas descobertas e vossa inteligência, deixastes um traço, uma lembrança, uma honorabilidade sem mácula, desafiastes a morte, como tudo o que vos cerca! oferecestes um sacrifício ao poder criador e, como a Natureza, a matéria, como tudo que vive e quer viver, vencestes a morte. Como eu outrora, como tantos outros, vos retemperais no aniquilamento do corpo que é a vida, ides para o Eterno para vencer a eternidade!... Mas não a vencereis, porque ela é vossa amiga. O Espírito é a eternidade, o eterno, e eu vo-lo repito: tudo o que morre fala de vida e de luz. A morte fala ao vivo; os mortos vêm falar. Só eles têm a chave de tudo, e é por eles que vos prometo outras explicações. Gui (Sociedade Espírita de Paris, 17 de novembro de 1865 – Médium: Sr. Leymarie) Fugiram da epidemia e, neste pânico singular, quantas falências morais, quantas defecções vergonhosas! É que a morte se torna a mais violenta expiação para todos os que violam as leis da mais estrita eqüidade. A morte é o desconhecido para a fé vacilante. As religiões diversas, com o paraíso e o inferno, não puderam firmar-se naqueles que possuem a abnegação, em vão ensinada pelos bens terrenos; nenhum ponto de referência, nada de bases certas; difusão no ensino divino: isto não é certeza. Assim, salvo algumas exceções, que terror, que falta de caridade, que egoísmo nesse salve-se-quem-puder geral dos satisfeitos! Crer em Deus, estudar sua vontade nas afirmações inteligentes, estar certo de que as leis da existência estão subordinadas a leis superiores divinas, que tudo medem com justiça, que dispensam a todos, em diversas existências, o sofrimento, a alegria, o trabalho, a miséria e a fortuna, é, parece-me, o que buscam todas as sábias pesquisas, todas as interrogações da Humanidade. Ter a sua certeza não é a verdadeira força em tudo? Se o corpo esgotado dá liberdade ao Espírito, a fim de que este viva segundo as aptidões fluídicas que são a sua essência, se esta verdade se torna palpável, evidente como um raio de sol; se as leis que encadeiam matematicamente as diversas fases da existência terrena e extraterrena, ou da erraticidade, tornam-se para nós tão claramente demonstradas quanto um problema algébrico, então não teríeis em mão o segredo tanto procurado, o porquê de todas as vossas objeções, a explicação racional da fraqueza dos vossos profundos estudos em economia política, fraqueza terrificante para a teoria, porque a prática destrói em um dia o trabalho da vida de um homem? É por isso, amigos, que venho suplicar-vos que leiais O Livro dos Espíritos; não vos detenhais na letra, mas possuí-lhe o espírito. Pesquisadores inteligentes, encontrareis novos elementos para modificar o vosso e o ponto de vista dos homens que vos estudam. Certos da pluralidade das existências, encarareis melhor a vida; definindo-a melhor, sereis fortes. Homens de letras, plêiade pobre e bendita dareis à Humanidade uma semente tanto mais séria quão verdadeira. E quando virem os fortes, os sábios crer e ensinar as máximas fortes e consoladoras amar-se-ão melhor e não fugirão mais ao suposto mal invisível; a vontade de todos, homogeneidade poderosa, destruirá todas essas fermentações gasosas envenenadas, única fonte das epidemias. O estudo dos fluidos, feito de um outro ponto de vista, transformará a Ciência; observações novas alumiarão a estrada fecunda de nossos jovens estudantes, que não mais irão, como orgulhosos, mostrar ao estrangeiro a sua intolerância de linguagem e a sua ignorância; não serão mais o escárnio da Europa, porque os mortos amados lhes terão dado a fé e esta religião do Espírito, que primeiro moraliza, para depois elevar às regiões serenas do saber e da caridade. Gui
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