Livros Espíritas
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Citamos vários exemplos da força moral em semelhantes casos; e, ainda que não tivéssemos sob os olhos um número suficiente de provas, bastaria lembrar a que exercia o Cristo, que, para expulsar os demônios, apenas ordenava que se retirassem. Comparai, no Evangelho, os possessos daquele tempo com os de hoje e vereis uma notável similitude. Jesus os curava por milagres, direis vós. Seja. Mas eis um fato que não considerareis miraculoso, por ter se passado entre os cismáticos: O Sr. A..., de Moscou, que não havia lido o nosso relato, há poucos dias nos contava que, em suas propriedades, os habitantes de um vilarejo foram atingidos por um mal em tudo semelhante ao de Morzine: mesmas crises, mesmas convulsões, mesmas blasfemais, mesmas injúrias contra os padres, mesmo efeito do exorcismo, mesma impotência da ciência médica. Um de seus tios, o Sr. R..., de Moscou, poderoso magnetizador, homem de bem por excelência, de coração muito piedoso, tendo vindo visitar aqueles infelizes, interrompia as convulsões mais violentas pela simples imposição das mãos, sempre acompanhada de fervorosa prece. Repetindo o ato, acabou curando quase todos radicalmente. Este exemplo não é único. Como explicá-lo, senão pela influência magnética, secundada pela prece, remédio pouco usado pelos nossos materialistas, porque não se encontra na farmacopéia nem nas drogarias? Não obstante, poderoso remédio quando parte do coração e não dos lábios, sustentado numa fé viva e num ardente desejo de fazer o bem. Descrevendo a obsessão em nossos primeiros artigos, explicamos a ação fluídica que se exerce em tal circunstância e daí concluímos, por analogia, que teria sido um poderoso auxiliar em Morzine. Seja como for, parece que o mal chegou a seu termo, embora as condições da região continuem as mesmas. Por que isto? É o que ainda não nos é permitido dizer. Mas, como será reconhecido mais tarde, terá servido à causa do Espiritismo mais do que se pensa, ainda quando não fosse senão para provar, por um grande exemplo, que aqueles que não o conhecem não estão preservados contra a ação dos Espíritos maus e a impotência dos meios ordinários empregados para os expulsar. Ao terminar, queremos tranqüilizar certos habitantes da região sobre a pretensa influência que alguns dentre eles teria podido exercer causando o mal, como o dizem. A crença nos feiticeiros deve ser relegada entre as superstições. Que sejam de coração piedoso e que os que estão encarregados de os conduzir se esforcem por elevá-los moralmente. Não há meio mais seguro para neutralizar a influência dos Espíritos maus e de prevenir a repetição do que se passou. Os Espíritos maus só se dirigem àqueles a quem sabem poder dominar e não àqueles cuja superioridade moral – não dizemos intelectual – protege contra os seus ataques. Aqui se apresenta uma objeção muito natural, que convém prevenir. Talvez perguntem: Por que nem todos os que fazem o mal são atingidos pela possessão? A isto respondemos que, fazendo o mal, sofrem de outra maneira a perniciosa influência dos Espíritos maus, cujos conselhos escutam, pelo que serão punidos com tanto mais severidade quanto mais agirem com conhecimento de causa. Não creiais na virtude de nenhum talismã, de nenhum amuleto, de nenhum signo, de nenhuma palavra para afastar os Espíritos maus. A pureza de coração e de intenção, o amor a Deus e ao próximo, eis o melhor talismã, porque lhes tira todo império sobre as nossas almas. Eis a comunicação que a respeito deu o Espírito São Luís, guia espiritual da Sociedade Espírita de Paris: “Os possessos de Morzine estão realmente sob a influência dos Espíritos maus, atraídos para aquela região por causas que conhecereis um dia, ou, melhor, que um dia vós mesmos reconhecereis. O conhecimento do Espiritismo ali fará predominar a boa influência sobre a má, isto é, os Espíritos curadores e consoladores, atraídos pelos fluidos simpáticos, substituirão a maligna e cruel influência que desola aquela população. O Espiritismo está chamado a prestar grandes serviços; será o curador dos males, cuja causa antes não se conhecia e ante as quais a Ciência continua impotente; sondará as chagas morais e lhes prodigalizará o bálsamo reparador; tornando os homens melhores, deles afastará os Espíritos maus atraídos pelos vícios da Humanidade. Se todos os homens fossem bons, os Espíritos maus se afastariam, pois saberiam da impossibilidade de os induzir ao mal. A presença dos homens de bem os faz fugir; a dos homens viciosos os atrai, ao passo que se dá o contrário com os Espíritos bons. Assim, sede bons, se quiserdes ter apenas Espíritos bons ao vosso lado.” (Médium: Sra. Costel).
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(15) Ver os números de dezembro de 1862, janeiro, fevereiro e abril de 1863. Ver também sobre o mesmo assunto o número de abril de 1862.
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(16) Os Diabos de Morzine, Livraria Mégret, quai de l’Hôpital, 51, Lyon.
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