Livros Espíritas
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Pedro Depois desta comunicação recebemos o seguinte de nossos guias espirituais: A cura chega ao fim. Agradecei a Deus que se dignou acolher vossas preces e se servir de vós para que um inimigo obstinado se tivesse tornado hoje um amigo; porque, tende certeza, um dia esse Espírito fará tudo o que for possível por essa pobre família, que por tanto tempo atormentou. Mas vós, caros filhos, não abandoneis o perseguidor, nem a perseguida; ambos ainda precisam de vossa assistência; um para o sustentar no bom caminho que tomou; evocando-o algumas vezes, aumentareis a sua coragem; a outra, para dissipar totalmente o fluido malsão que a envolveu tanto tempo; de vez em quando fazei-lhe uma abundante magnetização, sem o que ela ainda se acharia exposta à influência de outros Espíritos malévolos, pois sabeis que estes não faltam e vós o lamentaríeis. Coragem, pois; acabai, completai vossa obra e preparai-vos para as que ainda vos estão reservadas. Sede firmes; vossa tarefa é espinhosa, é verdade, mas, também, se não vos dobrardes, como será grande a vossa recompensa! Vossos guias Não basta relatar fatos mais ou menos interessantes; o essencial é deles tirar uma instrução, sem o que não têm proveito. É pelos fatos que o Espiritismo se constituiu em ciência e em doutrina; mas, se não nos tivéssemos limitado senão a constatá-los e a registrá-los, não estaríamos mais adiantados que no primeiro dia. No Espiritismo, como em toda ciência, sempre há algo a aprender. Ora, é pelo estudo, pela observação e pela dedução dos fatos que se aprende. É por isso que, quando é o caso, fazemos seguir os que citamos das reflexões que nos sugerem, quer venham confirmar um princípio conhecido, quer sirvam de elemento a um princípio novo. Em nossa opinião, é o meio de cativar a atenção das pessoas sérias. Uma primeira observação a fazer sobre a carta relatada acima é que, a exemplo dos que compreendem a doutrina em sua pureza, seus adeptos fazem abnegação de todo amor-próprio; não se exibem e nem procuram brilhar; fazem o bem sem ostentação e sem se vangloriarem das curas que obtêm, porque sabem que não as devem ao seu talento, nem ao seu mérito pessoal, e que Deus lhes pode retirar esse favor quando lhe aprouver; não buscam clientela nem reputação; encontram sua recompensa na satisfação de ter aliviado um aflito e não no vão sufrágio dos homens. É o meio de granjear o apoio dos Espíritos bons, que deixam o orgulho aos Espíritos orgulhosos. Os casos de cura como este, como os de Marmande e outros não menos meritórios, sem dúvida são um encorajamento; são, também, excelentes lições práticas, que mostram a que resultados se pode chegar pela fé, pela perseverança e por uma sábia e inteligente direção; mas o que não deixa de ser um bom ensinamento é o exemplo da modéstia, da humildade e do completo desinteresse moral e material. Nos centros animados de tais sentimentos é que se obtêm esses resultados maravilhosos, porque aí se é verdadeiramente forte contra os Espíritos maus. Não é menos notável que desde que o orgulho aí penetre, que o bem não se faça exclusivamente pelo bem e que aí se busque a satisfação do amor-próprio, a força declina. Notemos, igualmente, que é nos centros verdadeiramente sérios que se fazem os mais sinceros adeptos, porque os assistentes são tocados pela boa impressão que recebem, ao passo que nos centros levianos e frívolos só se é atraído pela curiosidade, que nem sempre é satisfeita. É compreender o verdadeiro objetivo da doutrina empregá-la a fazer o bem aos desencarnados, como aos encarnados; convenhamos que é pouco recreativo para certa gente, mas é mais meritório para os que a isso se devotam. Assim, estamos satisfeitos por ver se multiplicarem os centros que se entregam a esses trabalhos úteis; as criaturas aí se instruem prestando serviço, e os assuntos de estudo aí não faltam. São os mais sólidos sustentáculos da doutrina. Não é um fato muito característico ver, nas duas extremidades da Europa, no norte da Rússia e no sul da Espanha, reuniões espíritas animadas pelo mesmo pensamento de fazer o bem, agindo sob o impulso dos mesmos sentimentos de caridade para com os seus irmãos? Não é o indício da irresistível força moral da doutrina, que vence todos os obstáculos e não conhece barreiras? Na verdade, é preciso ser muito desprovido de boas razões para combatê-la, quando se está reduzido aos tristes expedientes utilizados pelo pregador de Barcelona, acima citado; seria perder tempo refutá-los; só há que lamentar os que se deixam ir a semelhantes aberrações, que provam a mais cega ignorância, ou a mais insigne má-fé. Disso, porém, não resulta uma instrução menos importante. Suponhamos que a mulher Rose tivesse acreditado nas asserções do pregador e que tivesse repelido o Espiritismo; o que teria acontecido? Não se teria curado; teria caído na miséria, por não poder trabalhar; ela e o marido talvez tivessem amaldiçoado a Deus, ao passo que agora o bendizem, e o Espírito mau não se teria convertido ao bem. Do ponto de vista teológico, são três almas redimidas pelo Espiritismo, e que o pregador teria deixado que se perdessem. Vendo os primeiros sintomas, compreende-se que a Ciência tenha podido enganar-se, porque tinham todos os caracteres de um caso patológico. Todavia, não era nada disso. Só o Espiritismo podia descobrir a sua verdadeira causa e a prova é que a Ciência, com seus remédios, foi impotente durante longos anos, ao passo que, em alguns dias, ele triunfou sem medicamentos, unicamente pela moralização do ser perverso, que era o seu autor. O fato aí está, e milhares de fatos semelhantes. Que dizem os incrédulos? É o acaso, a força da Natureza; a doente devia curar-se. E certos padres? dizemos certos padres intencionalmente, porque nem todos pensam da mesma forma. Essa mulher foi curada pelo demônio, e teria sido melhor para a salvação de sua alma que tivesse ficado doente. A mulher Rose não é desta opinião; como por isto agradece a Deus e não ao demônio, ora e faz boas obras, absolutamente não julga comprometida a sua salvação; em segundo lugar, ela prefere ter sido curada e trabalhar para alimentar os filhos a vê-los morrer de fome. Em nossa opinião, Deus é fonte de todo bem. Mas se o diabo é o verdadeiro ator em todos os casos de obsessão, donde vem a impotência dos exorcismos? É um fato positivo que, não só em semelhantes casos o exorcismo sempre falhou, mas que as cerimônias desse gênero sempre se fizeram seguir de recrudescência no mal; Morzine ofereceu memoráveis exemplos. O diabo é, pois, mais poderoso que Deus, já que resiste aos seus ministros, aos que lhe opõem coisas santas? E, contudo, quem os espíritas invocam? a quem solicitam apoio? A Deus. Por que triunfam com a mesma assistência, quando os outros falham? Eis a razão: Em primeiro lugar, o retorno do obsessor ao bem e, por conseguinte, a cura do doente – e isto é um fato material – provam que não é um demônio, mas um Espírito mau, susceptível de melhorar-se. Em segundo lugar, no exorcismo só lhe contrapõem palavras e sinais materiais, na virtude dos quais acreditam, mas que o Espírito não leva em nenhuma conta: irritam-no, ameaçam-no, amaldiçoam-no e o condenam às chamas eternas; querem domá-lo pela força, mas, como é inatingível, ele ri e vos escapa, querendo provar que é mais forte que vós. Pelo Espiritismo falam-lhe com doçura, procuram fazer que nele vibre a corda do sentimento e lhe mostram a misericórdia de Deus; fazem-lhe entrever a esperança e o conduzem suavemente ao bem. Eis todo o segredo. O fato acima apresenta um caso particular, o da suspensão das crises durante a gravidez. De onde vem isto? Que a Ciência o explique, se puder. Eis a razão dada pelo Espiritismo: A doença não era loucura, nem uma afecção nervosa; a cura é a prova disto: era bem uma obsessão. O Espírito obsessor exercia uma vingança; Deus o permitia para servir de provação e de expiação à mãe e, além disso, porque, mais tarde, a cura desta devia levar à melhora do Espírito. Mas as crises, durante a gestação, podiam prejudicar a criança; Deus queria mesmo que a mãe fosse punida pelo mal que fizera, mas não queria que o ser inocente que trazia no ventre sofresse por isto. É por tal motivo que, durante esse tempo, foi retirada toda liberdade de ação aos seus perseguidores. Como o Espiritismo explica coisas para quem quiser estudar e observar! Quantos horizontes abrirá à Ciência, quando esta levar em conta o elemento espiritual! Como estão longe de compreendê-lo os que só o vêem nas manifestações curiosas!
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