Livros Espíritas
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Espiritos:
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Hoje é dia de festa nos asilos consagrados ao repouso dos mortos. A multidão se apressa, os trajes brilham; percorrem-se os campos fúnebres a passos lentos, e parece que esta afluência deveria encher de alegria as almas dos que não pertencem mais ao número dos encarnados! Entretanto, quão pouco numerosos são os Espíritos que do espaço vêm reunir-se aos seus antigos amigos da Terra! Os humanos são inumeráveis, quase alegres ou no mínimo indiferentes; um zumbido imenso se eleva acima da multidão. Mas, de que se ocupa toda essa gente? que sentimento as reúne? Pensam nos mortos? Sim, pois que vieram! Mas o pensamento salutar bem depressa se eclipsou; e se alguns nomes inscritos sobre as lápides tumulares provocam as exclamações do transeunte indiferente, ele lança no éter com a fumaça de seu charuto algumas reflexões banais, alguma gargalhada sem eco!... Nessa balbúrdia nascem todos os pensamentos, todos os sentimentos, todas as aspirações, exceto o recolhimento, o sentimento religioso, a aspiração à comunhão íntima com os que partiram. Muitos curiosos, mas bem poucos possuem a religião da lembrança!... Por isso, os mortos que não se sentem chamados estão por toda parte, menos nos cemitérios, e a maioria dos que planam no espaço ou circulam nas estreitas aléias, estão fatalmente chumbados pelas paixões terrestres aos despojos mortais que outrora tanto amaram. Risos, discursos inúteis entre os vivos; gritos de dor e de raiva na maior parte dos mortos; um espetáculo sem interesse para todos, uma visita formal para alguns, hábito para a maioria, eis o quadro que apresentam os cemitérios parisienses no dia dos mortos!... E, contudo, há festa na Terra e no espaço; festa para os Espíritos que, havendo cumprido a missão que aceitaram, expiado o mal de outra existência, voltaram ao mundo da vida real e normal com alguns florões a mais. É festa para os santos que a Humanidade inteira consagrou, não por uma abnegação sem utilidade e um isolamento egoísta, mas pelo devotamento a todos, por seus trabalhos fecundos, por seus ensinos perseverantes, por sua luta incessante contra o mal, pelo triunfo do bem. Para estes há festa no espaço, como há festa na Terra para todos os que, esclarecidos pelas grandes leis que regem os universos, clamam em seu foro íntimo pela visita dos que tanto amaram e que não estão perdidos para eles. Há festas para os espíritas que crêem e praticam. Há festa para os Espíritos que instruem e que continuam no espaço a obra de regeneração começada neste mundo!... Ó, meus amigos, no campo dos mortos, nestes dias consagrados pelo uso, tudo é do domínio da morte em seu sentido mais restrito!... A vestimenta abandonada pelo Espírito não existe mais e não há crença alguma no coração dos visitantes; são mortos que só têm da vida as aparências terrestres, pois a vida real, a grande vida da alma ainda é desconhecida para o maior número. Nós vivemos, nós que pensamos, que progredimos, que trabalhamos juntamente para estabelecer a base dos progressos futuros; e eles morrem, ou, melhor, vão morrer no passado para nascer no futuro, graças ao Espiritismo, que traz em seu seio a fonte fecunda de toda perfeição. A morte não existe; a desagregação que leva este nome restitui à terra os elementos que o corpo material aí hauriu; mas a alma em que reside a vida, a alma que é o ser integral, edifício incessantemente aperfeiçoado pela provação humana, emerge no limiar da morte para a vida real e sem fim da erraticidade!... Moki
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