Livros Espíritas
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Quando falo diretamente, seja através desta senhora, seja através do médium, o processo é bem diferente. Eu penetro na mente da médium a fim de produzir a necessária impressão sobre o que deverá ser transmitido à mão que escreve. Ao fazer isto, minha mente mescla -se com a dela, que fica sob o controle de maneira quase completa. Mas, a não ser que eu deixe de exercer esse controle a fim de ir em busca da lembrança de um fato específico, não em condições de transmitir aquele fato ou fragmento de minhas lembranças através dela. O que quem dizer é isto. Tenho de deixar a mente dela, perder contato com ela, para obter algum fragmento de minhas lembranças, pois o conjunto de minha memória está fora da mente da médium. Fica muito difícil para mim reassumir o controle do meu 'navio' - se é que posso dizer isso - quando mergulho nas minhas lembranças. Posso, contudo - e isto é importante - utilizar-me das amadurecidas faculdades da minha mente quando me comunico diretamente. Lá estão o conhecimento e as lembranças, até certo ponto, da nova vida terrena. Imagine uma múmia ou uma concha. Minhas lembranças terrenas, solidificaram-se, por assim dizer, numa forma desse tipo. Estão mortas como uma múmia, mas podem ser revitalizadas se eu penetrar nelas. Do ponto de vista do médium escrevente (psicógrafo), prefiro o controle direto (sem a interferência do guia), dado que dessa maneira minha mente fica em condições de usar os recursos mentais dela (da médium), para expressar minhas idéias. Agora, essas idéias recebem certo colorido ao transpirar pela mente dela, apenas, contudo, naquilo em que ela possui preconceitos muito fortes que possam inibir o pensamento transmitido por mim. Encontro, porém, poucas barreiras desse tipo na mente dela. Ela é solta e flexível. Por intermédio de Feda, sou capaz de transmitir lembranças. Já trabalhei com ela anteriormente e ela é singularmente rápida em captar o sentido daquilo que tenho em mente, naturalmente, que cada nova sessão mediúnica, com um diferente assistente, representa para mim um reaprendizado do abc da comunicação. (Idem) Esta longa, detalhada e precisa explicação de um espírito altamente qualificado, do ponto de vista intelectual, e que experimentou pessoalmente durante longos anos com a técnica da comunicação mediúnica, não deixa sombra de dúvida acerca das dificuldades que os manifestantes encontram em qualquer modalidade de mediunidade - psicofonia direta ou indireta, psicografia, vidência etc. - sempre que desejam transmitir seu pensamento. Mesmo habituado, como estava às técnicas de observação, bem como à melhor maneira de transmitir suas idéias, a dificuldade é tão grande que, a cada sessão, confessa ele, é como se tivesse de reaprender o abc do procedimento a ser empregado. Há, contudo, outro importante depoimento de Myers sobre o assunnto, este constante da introdução que a sra. Gibbes escreveu para o livro de Cummins. Escreve Myers: "É muito difícil manipular, deste lado, a mente. Nós a impressionamos com a nossa mensagem, nunca impressionamos o cérebro do médium diretamente. De forma alguma. A mente do médium acolhe nossa mensagem e a remete ao cérebro. O cérebro é um mero mecanismo. A mente é como cera macia que capta nossos pensamentos, na íntegra, mas dele produzir as palavras para vesti-los. Daí a dificuldade na correspondência cruzada numa só mensagem através de diferentes médiuns). Podemos conseguir transmitir o pensamento, mas as palavras dependem largamente do conteúdo da mente do médium e em que termos (ele ou ela) vai emoldurar o pensamento. Se eu enviar metade de uma frase através de um médium e a segunda metade através de outro, só posso transmitir o mesmo pensamento com a sugestão de que uma parte dele seja processada por um médium e o restante por outro ... Comunicamos uma impressão através da mente do médium. Ele recebe a impressão de maneira curiosa. Tem de contribuir para a formação do corpo da mensagem nós lhe damos o espírito dela". (idem) Podemos, assim, concluir, ante todos esses depoimentos pessoais que, mais do que um consenso, há uma unanimidade na maneira de considerar os inúmeros e complexos problemas suscitados pelo processo, aparentemente simples, de um espírito desencarnado comunicar-se, verbalmente ou por escrito, com as pessoas que continuam encarnadas. Algumas idéias básicas estão presentes em todos esses depoimentos, como a de que a linguagem dos espíritos é o pensamento e que cabe ao médium dar formas, corpo ou expressar esse pensamento de maneira inteligível. A simplicidade é, pois, enganosa, como adverte Silver Birch. Cada sessão, ainda que do mesmo espírito, com o mesmo médium, pode oferecer tão graves complexidades que Myers chega a dizer que cada uma delas exige um reaprendizado do processo. Ao comentar o caso do Sr. Drake, neste livro, formulamos uma pergunta: por que razão o espírito manifestante não disse logo o seu nome (eu sou o Sr. Drake), em vez de mostrar um pato, ou seja, em vez de criar a imagem de um pato? As coisas não se passam com tal simplicidade. Myers conta, através de Geraldine Cummins, no já citado livro, sua experiência pessoal como espírito. Desejoso de manifestar-se através da sra. Leonard, aproximou-se dela, numa sessão, com esse objetivo. Lá estava Feda, o guia espiritual da médium (embora isso me pareça estranho, Myers diz que ele era invisível a Feda. Por quê? Feda percebeu (como?) que havia ali um espírito desejoso de estabelecer contato com alguém, através da sra. Leonard. Diz Myers: "... ela lançou em torno de si uma rede de energia psíquica, com a qual capta os símbolos que tentamos mostrar-lhe. Foi difícil, a princípio, 'jogar' meu nome dentro da rede, mas finalmente consegui. Foi com a sua ajuda (de Geraldine, que estava presente) que o consegui, utilizando-me de sua forma fluídica (perispírito) a fim de obter a energia necessária para precipitar minha imagem na rede. Você compreende que conscientemente, isso foi importante, dado que seu desejo de ajudar facilitava as coisas e, assim, eu pude utilizar-me da sua energia e, finalmente, ser reconhecido". (Idem) Não é nada fácil, portanto, a simples transmissão de um nome próprio e, por isso, Silver Birch recomenda que se tenha paciência com médium e comunicante. Estão ambos fazendo o melhor que podem para tornar inteligível uma mensagem, que é apenas pensamento. Geraldine Cummins chama a atenção para o fato de que é desastroso para o bom fluxo da comunicação disparar ao espírito comunicante uma série de perguntas, como se ele tivesse sendo submetido a interrogatório ou exame vago. Phinuit um espírito que serviu junto da sra. Piper - não parecia ser uma entidade de grande experiência -, revelou que, após 'entrar no médium', dizia ele, só se lembrava da mensagem que lhe havia sido confiada para ser transmitida, em alguns minutos. Após isso, ele ficava todo confuso e se punha a repetir a mensagem sem saber, sequer, como desligar-se do médium. Silver Birch informa que há, ainda, um longo caminho a percorrer no aperfeiçoamento dos métodos de comunicação entre as duas faces da vida. Diz ele: "Em nosso mundo, há uma constante experimentação, pesquisa e investigação em todos os campos da comunicação na área mental e física, bem como na cura". (Dooley, Anne, 1966). O assunto é de enorme complexidade, um processo que ele caracteriza como "altamente intrincado e delicado". Se as pessoas fossem bastante evoluídas e suas vidas fossem mais voltadas para o espírito do que para a matéria, em lugar de mais material e menos espiritual, como no presente, então, a tarefa seria bem mais fácil, de vez que o vínculo entre nós é o espiritual. (Idem) Certamente, tinha isso em mente quando alguém lhe perguntou o que tinha ele a dizer acerca das tendências atuais do espiritismo (o livro de Anne Dooley é de 1966). Ele respondeu, entre outras coisas, o seguinte: "Como sempre tenho dito, aquilo que vocês chamam de espiritismo é apenas um nome. Para mim, é a lei natural em operação. Interesso-me pela divulgação do conhecimento, de forma que a ignorância seja vencida. Aplaudo qualquer esforço do indivíduo ou do grupo, no sentido de espalhar esse conhecimento". (Idem) Algo semelhante se pode dizer acerca da mediunidade, que não constitui um aspecto do espiritismo, ou, longe disso, uma exclusividade; a mediunidade é um dos aspectos da lei natural, um mecanismo delicado e ainda pouco entendido, que nos serve para manter um inteligente intercâmbio com os seres humanos que se acham do 'outro lado' da vida, Muitos gostariam de manter conosco uma convivência criativa e amena, mas, por enquanto, são ainda precários os meios de comunicação, não por culpa deles, é certo, mas pelas complexidades mesmas do processo e, principalmente, pela negligência nossa em proporcionar os melhores recursos possíveis, mesmo dentro de reconhecidas limitações, Escreve Silver Birch: Todo o objetivo de nossa manifestação no mundo de vocês consiste em chamar a atenção para a realidade espiritual. É simplesmente isso. Seria muito fácil para nós deixarmos de nos interessar pelo mundo de vocês e suas atividades. Não há o que nos obrigue a manter contacto com vocês, e vocês não dispõem de meios para forçar nossa atenção, nossos esforços são voluntários, porque os amamos, juntamente com toda a humanidade, e desejamos ajudá-los. (idem) Myers-espírito, por sua vez, declarou a Geraldine Cummins: "Muitas almas desejam ardentemente comunicar-se, mas aqueles que os amam negam-lhes condições para que isso aconteça". (Cummins, Geraldine, 1955.) Acrescenta, a seguir, que é um gesto de bondade permitir que tantos desencarnados tenham oportunidade de comunicar-se com os que ficaram um pouco mais na carne.
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